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Como Peter Jackson transformou a história dos Beatles em Get Back

Diretor explica a distorção criada pela narrativa do fim do quarteto, e o alívio que foi encontrá-los felizes

Julia Sabbaga
24.11.2021
12h11

Foi no fim de 2020, um dos piores momentos da pandemia de Covid-19 ao redor do globo, que Peter Jackson revelou ao mundo a primeira prévia de The Beatles: Get Back. Foi inesperado. Em uma das épocas mais vulneráveis para o ser humano, seria esse o momento para rever o fim dos Beatles, suas últimas gravações, e as famosas sessões de Let It Be? O mundo não precisava de mais infelicidade. Mas Peter Jackson sabe muito bem disso.

Jackson apresentou Get Back ciente que estava prestes a virar o mundo dos Beatlemaníacos de cabeça para baixo. Já naquela primeira prévia, o diretor conseguiu puxar a cortina e espiar os últimos momentos do grupo de modo... feliz. Harmonioso. Amigável. Vimos John Lennon dançando animadamente com Paul McCartney e parece que tudo mudou. Será possível que a história não era como imaginávamos?

Essa era exatamente a intenção de Jackson. Desde a primeira reunião com a produtora, o cineasta deixou claro que não queria reviver momentos difíceis, porque o mundo não precisava mais disso. "Olha, se isso for tão miserável quanto parece ser, eu não vou querer fazer um filme", relembrou ter dito à Apple Corps, em uma coletiva de imprensa com presença do Omelete. "De jeito nenhum eu vou pegar um monte de cenas dos Beatles miseráveis". Felizmente não era isso que ele tinha em mãos. 

Ao ter acesso a mais de 50 horas inéditas de filmagens, Jackson explicou ter sentado semanas, revendo todos os arquivos, e ter tido toda sua expectativa distorcida. "Eles me deixaram sozinho com aquilo e eu fiquei esperando. Eu assistia e ria. Pensava que era inacreditável [...] Sabe, George deixa o grupo em um momento, algumas coisas dão errado. Mas isso é a vida. Isso não é o término dos Beatles". Para Jackson, toda a reputação do filme de 1970, Let It Be, criado das mesmas imagens, foi resultado de uma energia criada pelas manchetes da época, que realmente anunciavam o fim dos Beatles. Mas o que aconteceu naquelas sessões de gravação era algo completamente diferente. 

A narrativa da imprensa, que afetou o olhar de todos, não deixou de impactar Paul e Ringo Starr, que também se surpreenderam com o que Jackson encontrou. Relembrando ter mostrado um corte inicial para os dois Beatles, o diretor diz que os próprios músicos criaram uma outra história na cabeça também: "Foi só quando eu comecei a mostrar imagens para eles no meu iPad que eles perceberam que não era o que eles pensavam também"

Nada poderia ser mais gratificante para um fã dos Beatles - como o próprio Peter Jackson - do que vê-los reunidos novamente, e de um modo que os torna mais parceiros e próximos do que qualquer estudioso havia entendido até hoje. “[Ter 60 horas de discussões e infelicidades] seria a coisa mais frustrante do mundo. E a ótima notícia é que não é. Então, de repente, depois de 50 anos, Ringo olha isso e diz 'Oh. Realmente não é o que achavamos". 

The Beatles: Get Back será lançado no Disney+ em três partes, em 25, 26 e 27 de novembro.

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