Cena de Supergirl/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Sem graça, corrido e regado de clichês, novo episódio de Supergirl é preocupante

Carisma de Melissa Benoist e participação de Sean Astin não são o bastante para sustentar o episódio

Nicolaos Garófalo
21.10.2019
19h00
Atualizada em
21.10.2019
18h42
Atualizada em 21.10.2019 às 18h42

Vista como a mais instável das séries do Arrowverse, alternando ótimos e péssimos episódios, Supergirl tem em sua quinta temporada a chance de virar o jogo ao mexer com o papel de suas personagens mais importantes. Enquanto James (Mechad Brooks) vai se preparando para deixar a produção, Lena (Katie McGrath) caminha a passos largos para se tornar a nova vilã de National City.

Infelizmente, “Blurred Lines”, terceiro episódio do quinto ano, explora muito pouco as portas escancaradas nos capítulos anteriores e aposta todas as suas fichas na trama de J’onn/Caçador de Marte (David Harewood) e no carisma quase incontestável de Melissa Benoist no papel de Kara/Supergirl.

[Spoilers de “Supergirl – Blurred Lines” a seguir]

Ponto acertado no capítulo anterior, o relacionamento nada convencional entre Brainy (Jesse Rath) e Nia (Nicole Maines) deixa rapidamente de ser divertido nesse novo episódio, tornando-se apenas incômodo. Usadas como alívio cômico, as cenas do casal são intensamente sem-graça e os diálogos travados parecem completamente deslocados do restante da série.

Outra trama que cai por terra é a vingança prometida por Malefic, irmão esquecido de J’onn. Interpretado por ninguém menos que Sean Astin (mais conhecido como Sam em O Senhor dos Anéis), o marciano recupera seus poderes de controle mental de maneira extremamente fácil e, mesmo assim, não é páreo para a “maldição” que o impede de enfrentar o irmão, tornando o jogo de gato e rato entre Malefic e J’onn irritantemente longo.

Cabe à protagonista tentar salvar o dia não só com seus poderes, enfrentando mais uma descartável vilã da semana, mas também com seu carisma absurdo, elevando o fraco enredo jogado em “Blurred Lines”. Benoist melhora cada cena em que atua, seja como a mordaz repórter que discute com William (Staz Nair) ou como a heroína kryptoniana que faz trocadilhos com insetos enquanto enfrenta uma alienígena com poderes aracnídeos – a curta piada, aliás, arranca um sorriso com facilidade muito maior que todo o rolo entre Brainy e Nia.

Trama mais interessante da temporada até aqui, a caminhada de Lena para o lado dos vilões é pouco mostrada, mas seus poucos minutos em tela valem mais do que o restante do episódio. A maneira como a Luthor se aproveita da culpa e da inocência de Kara para obter dados importantes da pesquisa do irmão é brilhante e pouco se perderia se o capítulo focasse apenas na relação rachada das personagens de Benoist e McGrath. Infelizmente, a boa química da dupla é jogada para escanteio para priorizar o desenvolvimento apressado e previsível de arcos menos interessantes.

Sem graça, corrido e regado de clichês, o terceiro episódio do quinto ano de Supergirl é preocupante para os fãs da série. Embora a produção nunca tenha sido unanimidade, já passou da hora de produtores e roteiristas aprenderem a usar mais o que têm de melhor. Se o padrão a ser seguido no restante da temporada for igual ao apresentado em “Blurred Lines”, a CW vai precisar de muito mais do que alguns segundos de interação de suas melhores atrizes por episódio para salvar o programa.