Criadora conta como Batwoman se reinventou com heroína negra

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Entrevista

Criadora conta como Batwoman se reinventou com heroína negra

Em entrevista ao Omelete, Caroline Dries revela por que não era uma opção simplesmente substituir atriz depois de saída da protagonista

Camila Sousa
19.02.2021
21h00

Os fãs do Arrowverse foram pegos de surpresa em maio de 2020, quando a protagonista Ruby Rose anunciou que estava deixando o elenco de Batwoman. A atriz já havia participado de um crossover bem-sucedido com outros heróis da CW e tinha acabado de encerrar sua primeira temporada na produção. Passado o choque inicial, ficou nas mãos da showrunner Caroline Dries decidir qual seria o caminho da série a partir de então. E uma das escolhas feitas por ela foi trazer uma nova heroína e criar um mistério sobre o desaparecimento de Kate.

“Foi muito tentador só continuar a história como se nada tivesse acontecido, colocando uma nova atriz, esperando que ninguém reparasse em como isso é estranho”, afirmou Dries em entrevista ao Omelete. “Porém, para mim isso não seria autêntico e também deixaria a primeira temporada datada, como se ela não fizesse parte da história. Embora o seriado tenha seu espetáculo, sempre pensamos nele como pé no chão e realista. Então pensei que essa seria uma boa oportunidade de trazer uma nova personagem para esse traje, que é diferente de tudo o que vimos antes.”

A showrunner está falando de Ryan Wilder, interpretada por Javicia Leslie. A jovem foi apresentada na história como alguém “improvável”, que pega o manto da Batwoman quase que por acidente. “Eu queria ver algo diferente. Quando fizemos o anúncio que estávamos escolhendo uma atriz para Ryan Wilder, ficou parecendo que estávamos nos livrando de Kate e, claramente, baseado na história da temporada, isso não é verdade. Então, eu não era contra reescalar a personagem Kate Kane. Eu fui contra apenas colocar uma nova atriz e agir como se nada tivesse acontecido”, explica Dries.

Sem Ruby Rose, a série precisou explicar a ausência de Kate em Gotham - assunto mostrado já nos primeiros minutos do novo ano - e justificar como o manto da heroína chegou às mãos de Ryan, além de incluí-la em toda dinâmica familiar de Kate e de seus amigos.

E, claro, essa mudança trouxe diversos desafios narrativos para a segunda temporada de Batwoman e também para o público, que se sentiu perdido com tantas mudanças inesperadas. “Tenho muita empatia pelos fãs, porque sei que estou pedindo muito a eles quando quero que aceitem uma nova protagonista. O maior desafio para mim foi que, obviamente, na primeira temporada, eu construí uma série inteira ao redor de Kate Kane. Sempre considerei essa série como um drama de família, que também tem ação e espetáculo. E agora tiramos o membro principal dessa família.”

Uma das formas de conectar mais o público com Ryan foi criar de imediato um antagonismo entre ela e Alice, irmã de Kate, interpretada por Rachel Skarsten. Com isso, o público ganhou uma Batwoman nova, mas que também faz frente à maior vilã da série até aqui. “Sabe, Alice matou tantas pessoas sem pensar duas vezes, e sua gangue matou várias pessoas sem nem lembrar delas. Então pensei que uma dessas vítimas poderia ser a mãe de Ryan. E isso solidificou a origem dela, como esse momento importante de perder alguém e querer justiça. E é claro que tinha que ser a Alice. E é claro que ela não se importa ou se lembra, o que torna tudo ainda mais enfurecedor. E tudo isso ainda vai se desenvolver. Conheço Alice muito bem, ela faz parte da minha psique, e sei que ela não se importa. O fato de Ryan se importar imediatamente, não faz Alice se importar. Então o desafio para mim é fazer Alice se importar com Ryan, que é algo que não acontece rapidamente”, completa a showrunner.

Heroísmo e representatividade

Quando Javicia Leslie foi anunciada como a nova Batwoman da CW, muitos fãs comemoraram o fato de a atriz ser negra, o que traz mais possibilidades e discussões para o seriado. Caroline Dries afirma que não tinha sido estabelecido que a nova heroína seria negra e que Leslie foi escolhida por ter sido, de fato, a melhor atriz. “Mas, uma vez que a escalamos, não dá para ignorar o fato de que ela é negra, e que estamos neste momento em que o movimento Black Lives Matter é tão presente no nosso dia a dia”, explica.

Outro ponto interessante do seriado é o contraponto entre esta nova Batwoman e os Corvos, a instituição policial de Gotham comandada por Jacob Kane (Dougray Scott), pai de Kate. Com uma grande tensão no mundo real entre a população negra e as figuras policiais, a showrunner afirma que o tema não passará batido na tela. “Vou dizer que, se Ryan tem um grande oponente além de Alice, é a instituição dos Corvos. Isso está gerando várias histórias para nós. Por trás das câmeras, isso nos permite ter vários tipos de conversas que nunca tivemos antes. Tem sido um processo incrível.”

A segunda temporada de Batwoman é exibida no Brasil às sexta-feiras, a partir das 22h, na HBO.

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