Cena de Arrow/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Último ano de Arrow começa com episódio emocionante e autorreferente

Estreia vai além da nostalgia e começa a formar a base para despedida da série

Nicolaos Garófalo
16.10.2019
19h00
Atualizada em
16.10.2019
17h40
Atualizada em 16.10.2019 às 17h40

Depois de um bom sétimo ano, que tirou a série do marasmo ao mudar a relação de Star City com seus heróis,  trocando flashbacks por visões do futuro, Arrow inicia sua oitava e última temporada com uma mistura de nostalgia e novidade, colocando Oliver (Stephen Amell) em uma missão na Terra-2, universo em que ele não sobreviveu à viagem com o pai. Entre a tarefa do Arqueiro passada pelo Monitor (LaMonica Garrett) e as aventuras da equipe no ano 2040, a série retorna com um capítulo divertido e que, de quebra, trouxe a primeira grande prévia do que está por vir em Crise nas Infinitas Terras.

[Spoilers de “Arrow – Starling City” a seguir]

Como um grande déjà-vu, “Starling City” abre com uma sequência em Lian Yu quase idêntica à vista no piloto da série, com apenas duas diferenças: a máscara do Exterminador atravessada por uma flecha na costa da ilha é trocada pelo capuz do Batman e o Oliver encontrado pelos pescadores é o mesmo que Arrow acompanhou pelos últimos sete anos, transportado para o universo paralelo pelo Monitor.

De volta a Starling City, percebe-se que a ausência do protagonista teve efeitos gigantescos nas vidas da Terra-2. Moira Queen (Susanna Thompson) está viva e casada com Malcolm (John Barrowman), enquanto Tommy (Colin Donnell) tornou-se o Arqueiro Negro após Thea morrer de overdose em seu 18º aniversário. As grandes mudanças encontradas por Oliver tiram dele a concentração para seguir em frente com a relativamente simples missão recebida: roubar partículas de estrela-anã guardadas nos laboratórios da empresa de seus pais.

Com grande potencial para tornar as coisas repetitivas, a nostalgia trazida pelo episódio é usada de maneira bem-humorada, com Oliver revivendo diversas experiências de seu primeiro ano como vigilante ao lado de Diggle (David Ramsey) – que segue o amigo com a ajuda de Cisco, de The Flash

Durante uma de suas tentativas de “corrigir” a terra estranha, o Arqueiro Verde reencontra Laurel (Katie Cassidy), que tem se esforçado para continuar sendo uma heroína após suas experiências na Terra-1. Sem nenhum grande propósito na trama, a presença de Black Siren no episódio parece jogada e suas cenas servem apenas para lembrar Oliver de que ele não está em sua realidade.

Por outro lado, a interessante trama futurista introduzida na sétima temporada começa a mostrar bons desdobramentos. Liderados por Connor (Joseph David-Jones), a nova Equipe Arqueiro precisa proteger uma Star City reunificada, enfrentando uma gangue vestida como o Exterminador, comandada pelo filho de Diggle, JJ (Charlie Barnett). Assim como no ano anterior, as cenas em 2040 ajudam a prender ainda mais a atenção na trama do presente, nem que seja para procurar os pontos onde as histórias podem se conectar.

Após a conclusão da missão de Oliver – e agora também de Diggle -, o episódio parece caminhar para um grande final feliz, com Tommy derrotado e arrependido de suas ações, Moira e Merlyn felizes juntos e Laurel recebendo elogios do Arqueiro por seu bom trabalho ao proteger a cidade. É nesse momento feliz, no entanto, que a série mostra o que está em jogo e o perigo que se aproxima com a Crise: de uma hora para a outra, a Terra-2 começa a sumir e Oliver vê, mais uma vez, sua mãe e seu melhor amigo morrerem na sua frente, antes de conseguir fugir com Diggle e Laurel para a Terra-1.

Mesmo com a repetição da história da primeira temporada – o Arqueiro Negro tentando destruir o bairro do Glades -, “Starling City” evita que sua trama fique presa na nostalgia, equilibrando humor autorreferente com diálogos emocionantes e bons momentos de ação. Se mantiver o ritmo da estreia, os nove episódios restantes devem dar um encerramento conciso para Oliver e Diggle, assim como criar uma grande base para a Crise nas Infinitas Terras. O bom retorno de Arrow não só abriu com estilo a sua derradeira temporada, mas também para serviu para lembrar por que o público se apaixonou pela série sete anos atrás.