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Bad Bunny faz história com revolução latina televisionada no Super Bowl LX

Cantor porto-riquenho foi primeiro artista latino a se apresentar solo no maior evento esportivo dos EUA

4 min de leitura
09.02.2026, às 06H59.

Créditos da imagem: Patrick T. Fallon / AFP

Memória. Esse talvez seja o assunto mais relevante da cultura pop no último ano. Da tentativa de roubo e apagamento em Pecadores ao terror do autoritarismo nos brasileiros Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, o tema dominou grandes obras do cinema — e isso, claro, não foi diferente na música. Com DeBÍ TiRAR MáS FOToS, Bad Bunny foi o grande vencedor do Grammy, teve o álbum mais streamado no Spotify em 2025 e agora fez história no Halftime Show do Super Bowl LX, a final da NFL, liga de futebol americano, com uma apresentação que vai ficar na memória de muita gente para sempre.

Em um mundo movido por excesso de registros, DeBÍ TiRAR MáS FOToS parte de uma constatação simples e devastadora: talvez a gente não tenha guardado o suficiente do que realmente importava — seja de lembranças pessoais, dos amores que tivemos ou da nossa própria cultura. Lançado em 2025, Bad Bunny transformou essa ideia íntima, cotidiana e universal em um dos projetos mais relevantes do pop latino recente sobre memória, identidade e pertencimento. Ao longo de suas faixas, o artista deixa de lado o personagem expansivo que dominou pistas e charts globais para assumir um papel mais introspectivo, mas sem nunca abandonar a festa. Na verdade, o cantor de Porto Rico utiliza a euforia para abraçar o peso do passado e de suas raízes.

AP Photo/Charlie Riedel

O que se viu no Levi’s Stadium, casa do San Francisco 49ers, foi um resumo de quase 15 minutos dessa versão de Bad Bunny: um mestre dos hits, mas que pensa na obra como um todo, com uma progressão narrativa completa, que nos faz acompanhar o show como uma coleção de memórias do cotidiano — um álbum de fotos em forma de músicas, com momentos que não deveríamos esquecer. E tudo isso no palco (ou no gramado), atravessado por mensagens sobre amor e contra o ódio, que não podem ser deixadas de lado.

E não há momento mais oportuno para uma apresentação com essa temática ser exibida ao vivo para milhões de pessoas. Os EUA e o mundo vivem um período de contestação da verdade. Imagens gravadas e fotografadas são apontadas como fraudes, enquanto outras, criadas com auxílio de inteligências artificiais e algoritmos, são chanceladas por autoridades como realidade. O ICE, a polícia de imigração — queridinha de Donald Trump e de seu governo — invade casas, comércios, carros e tudo o que vê pela frente para preservar uma “América” que só existe para eles. Matam em nome disso.

Benito Antonio Martínez Ocasio, o Bad Bunny, mostrou para milhões que a verdadeira América envolve muito mais do que os 50 estados norte-americanos. O cantor montou um pedaço de Porto Rico no meio de São Francisco e fez o público dançar com salsa, reggaeton e suas baladas, emendando “Tití Me Preguntó”, “Yo Perreo Sola”, “VOY a LLeVARTE PA PR” e “Eoo”, até a chegada da primeira participação especial: Lady Gaga, cantando “Die with a Smile” em um ritmo caribenho.

AP Photo/Matt Slocum

Os dois dançaram embaldos por “BAILE INoLVIDABLE”, e logo o porto-riquenho pulou do alto da estrutura para cantar e dançar “NUEVAYoL”, em um momento que levou a uma cena fofa: Bad Bunny entregou um de seus Grammys para um jovem garotinho. “Nunca deixei de acreditar em mim, nunca deixe de acreditar em você”, disse o cantor em um momento da apresentação. De novo, memórias.

Memórias que também trouxeram outro ícone da música pop vindo de Porto Rico: Ricky Martin surgiu no Super Bowl cantando um trecho de “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”, música que usa o Havaí como metáfora para falar sobre Porto Rico e sobre processos de colonização moderna, gentrificação e exploração turística — algo que Bunny já havia deixado claro no curta-metragem lançado para DeBÍ TiRAR MáS FOToS.

Ao final da apresentação, Bad Bunny declarou: “Deus salve a América”, frase símbolo dos EUA. Mas logo emendou o nome de todos os países que formam a “verdadeira América” — Sul, Central e do Norte. Bandeiras de diferentes nações tomaram o campo e a bola de futebol americano que ele carregava dizia: "Juntos somos a América". O show terminou com “DtMF”, com o cantor e seus convidados deixando o gramado em clima de celebração. E deveriam.

Nem eles, nem quem assistiu ao Super Bowl LX vai esquecer o show. E, desta vez, nem precisaram tirar mais fotos: essa memória foi transmitida para o mundo todo.