Crisol: Theater of Idols mistura Espanha e survival horror, e funciona
Jogo da Vermila Studios publicado pela Blumhouse Games traz um survival horror competente
Créditos da imagem: Divulgação
Crisol: Theater of Idols tem uma premissa bem diferente como jogo. O conceito do título da Vermila Studios é colocar o jogador, que controla Gabriel, um soldado do Deus do Sol, que usa o próprio sangue para recarregar suas armas.
O conceito parece inicialmente interessante, e é. Mas o que me chamou bem mais atenção ao jogar o preview disponibilizado para teste, foi o visual do título. Com uma pegada que parecia filmes como Van Helsing e Drácula de Bram Stoker, mas misturado com survival horror e uma leve pitada de Resident Evil.
Na trama, o jogador controla Gabriel, que precisa salvar o Deus do Sol das garras do Culto do Mar, que o aprisionou em um castelo sombrio. Durante um confronto onde quase morre, o Deus do Sol oferece para Gabriel a possibilidade de o sangue divino como arma, e com isso, ele passa a conseguir usar o próprio sangue como munição para sua pistola modificada.
Com isso, vem a pegadinha: cada vez que você precisa recarregar, Gabriel acaba perdendo vida. Ou seja, é necessário ter cuidado para não acabar perdendo vida demais recarregando a pistola e acabar morrendo.
No jogo, os principais inimigos são umas estátuas bizarras, que protegem a ilha de Tormentosa e dificultam a vida de Gabriel em cada cantinho escuro de Crisol: Theater of Idols.
Apesar de contar com várias armas de fogo disponíveis para serem utilizadas, Gabriel também pode utilizar uma faca para atacar os inimigos e também aparar golpes (Leon, temos visitas!), mas ela acaba ficando gasta caso seja utilizada demais, e é necessário amolar o equipamento para usar mais uma vez.
Com um clima bem bizarro e sombrio, Crisol: Theater of Idols passa uma vibe de filmes com foco no gótico, em inimigos bizarros e monstruosidades que dão um tom bem interessante ao título.
Nas vias de jogabilidade, o título é bem simplista. Talvez uma única coisa que tenha me deixado desgostoso com Crisol: Theater of Idols, é o fato do jogo colocar para carregar a arma no espaço. Não preciso dizer que por instinto, apertei o R algumas vezes para tentar utilizar meu sangue.
Contudo, nada que um remapeamento de teclas ou até mesmo o bom e velho costume, para ajustar isso com alguns minutos de jogabilidade. Algo que me chamou a atenção, principalmente nos momentos iniciais, é como os inimigos, por serem estátuas, continuam sendo bem insistentes mesmo depois que o jogador delimita os seus movimentos.
Em uma das vezes em que estive em combate, mirei nas pernas de um dos monstros, para tentar parar o avanço. Ele continuou rastejando. Um tiro na cabeça? Ele continua se movendo. Até mesmo se você remover o tronco das estátuas, elas se movem apenas com as pernas.
Ou seja, não existe um caminho fácil para tentar abater os monstros, e um tiro certeiro na cabeça ou outra coisa do tipo, não vai te impedir de gastar munição para conseguir perder menos vida. Infelizmente, é bala para cima, e vida descendo.
Contudo, Crisol: Theater of Idols te estende um pouco a mão ao colocar seringas de plasma para o jogador absorver o sangue, além da possibilidade de drenar animais e pessoas mortas. Inclusive, drenar pessoas faz com que você consiga itens ou descubra coisas importantes da história. Então, terá que bancar o vampirão sem nenhum pudor.
Com isso, o jogo consegue delimitar aqueles que tem uma predisposição para FPS, e consegue manter o clima de survival horror, delimitando seus recursos e colocando o jogador para decidir se vale mais a pena recarregar as munições, ou tentar torcer pelo melhor ao passar por um segmento do castelo.
Um pouco que gostaria de voltar a citar, é o visual do jogo. O Deus do Sol, apesar de aparecer somente por meio de uma estátua, tem um visual bem imponente, e devo dizer, um pouco amedrontador. E quando os diálogos de Gabriel com a divindade focam nessa estátua, parece ser algo tirado de longas de terror dos anos 90/2000.
E acredite, isso compensa bastante, já que o jogo utiliza-se muito desse visual intimidador e também dos sons dos inimigos para criar o seu clima de tensão, e apesar de eu não ter tomado nenhum susto, minha aventura por Hispania não deixou de ser menos tensa por causa disso.
A todo momento, o jogo parece não esconder as suas referências, principalmente ao apresentar algum item, pegar algum objeto de interesse, tudo lembra bastante Resident Evil, mas da melhor forma possível.
No fim, a minha aventura pela ilha Tormentosa foi muito satisfatória, e mal posso esperar para ver quais são as outras bizarrices que me aguardam durante o jogo completo.