Cerca de 46 políticos democratas nos Estados Unidos se juntaram em uma carta enviada ao chefe da Comissão Federal de Comércio, Andrew Ferguson, para "investigar minuciosamente" a aquisição da Electronic Arts pelo Fundo de Investimento Saudita.
Os signatários da carta, liderados pelos copresidentes do Labor Caucus, Steven Horsford, Debbie Dingell, Mark Pocan e Donald Norcross, afiram estar "extremamente preocupados" de que a aquisição leve a demissões, fechamento de estúdios, supressão salarial e uma concentração indesejável da propriedade de marcas de esporte e entretenimento, resultando em "coordenação anticompetitiva".
A média salarial na EA tem diminuído ano após ano, segundo a carta, uma tendência que indica que a empresa "pode estar enfrentando uma pressão competitiva limitada para manter ou recompensar talentos".
Também é citado o fato da EA ter demitido cerca de 1700 funcionários dese 2023 e comenta que muitos mais cortes podem acontecer caso a aquisição seja aprovada devido ao financiamento da dívida envolvida no processo.
A carta comenta algo que já havia sido dito por analistas, que a aquisição só vai ser boa para as pessoas extremamente ricas envolvidas no negócio. A carta não menciona outros fatores que podem gerar preocupação, como a posição da Arábia Saudita quanto a comunidade LGBT, o histórico de repressão aos direitos de mulheres e jovens.
"As Diretrizes de Fusões da FTC de 2023 deixam claro que fusões que prejudicam os trabalhadores, suprimem salários ou permitem que empresas dominantes reduzam a demanda por mão de obra podem violar as leis antitruste", afirma a carta. "Dada a escala desta aquisição e o domínio atual da EA sobre o mercado de trabalho doméstico de videogames, acreditamos que uma análise cuidadosa deste negócio é essencial. A transação também levanta sérias preocupações sobre a interligação de diretorias e a propriedade comum entre editoras de jogos concorrentes."
Esse tipo de sobreposição aumenta o risco de práticas antissindicais coordenadas, incluindo supressão salarial, restrições à contratação ou dinâmicas informais de não aliciamento, podendo enfraquecer ainda mais o já limitado poder de negociação dos trabalhadores nesse setor. Esses riscos devem ser levados em consideração pela Comissão ao avaliar se a aquisição deixaria os trabalhadores mais vulneráveis a danos coordenados ou unilaterais", continua a carta.
Vale lembrar que diferente da aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft, que teve pressão contrária comandada pela Sony, o Príncipe Mohammed bin Salman, presidente do Fundo de Investimento Saudita, tem relações amigáveis com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, empresa do genro do presidente, Jared Kushner, também está presente no negócio.
Outro ponto que deve ser considerado, é que Ferguson é apoiador de Donald Trump, então existe a possibilidade da aquisição ser mais tranquila do que foi a batalha legal travada pela Microsoft para adquirir a dona de Call of Duty.