Em entrevista à Variety Wagner Moura falou sobre O Agente Secreto, mas também comentou o caos político e social que vem tomando os noticiários com os protestos contra a política de imigração do governo Donald Trump e as ações do ICE - um grupo que responde ao Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos, executando deportações em massa.
A violência das ações causaram a morte de duas pessoas nas últimas semanas e o ator brasileiro citou a situação quando perguntado sobre o futuro e onde a sociedade estaria daqui 10 anos.
"O assassinato de Renee Good em Minneapolis foi um daqueles momentos de 'Que merda é essa?' que deveriam despertar as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, vi reações do tipo: 'uma pessoa branca foi morta, então agora temos que fazer alguma coisa', como se fosse aceitável que imigrantes sejam mortos", protestou o ator.
"Espero que reconstruamos as pontes entre nós. A polarização é a maior ameaça à democracia. Muitas pessoas não são más; são apenas mal informadas. A tecnologia ajuda a ciência, mas destrói a vida cívica. A capacidade de atenção diminuiu. Os jovens estão deprimidos. A verdade parece ter desaparecido. Espero que encontremos um caminho de volta."
"Quando o próprio presidente cria um universo onde a culpa é da Renee Good, isso não é apenas moralmente horrível, mas também não é verdade. É uma loucura. A informação que chega ao seu feed é completamente diferente da informação que chega à sua mãe ou àquele cara do MAGA. E ele não é necessariamente uma pessoa má, mas está sendo alimentado com informações que o fazem pensar que existe uma pizzaria onde democratas abusam de crianças. Então, como você pode conversar com alguém que não vive na mesma realidade que você?"
Tudo sobre O Agente Secreto
Ambientada em Recife, em 1977, a história acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à capital pernambucana após anos fora em busca de paz, apenas para descobrir que sua cidade natal esconde perigos e segredos inquietantes.
A obra traça um panorama da sociedade e da política brasileira nos anos 70, tocando através dele em temas como repressão política, restrição de direitos e o uso da tecnologia como ferramenta do controle totalitário.
O elenco do thriller político reúne ainda grandes nomes do cinema brasileiro, incluindo Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Carlos Francisco, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, Hermila Guedes, entre outros. Udo Kier, de Bacurau, também está no filme. A direção é de Kleber Mendonça Filho, que também assina o roteiro.
No Festival de Cannes deste ano, O Agente Secreto teve um resultado histórico, levando para casa dois troféus: Kleber Mendonça Filho venceu o prêmio de Melhor Direção, e Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator.
Agente concorre ao Oscar 2026 em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Moura) e Melhor Direção de Elenco.