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Se Beber, Não Case! Parte II | Crítica

Repetição decepciona na sequência da brilhante comédia de 2009

26.05.2011, às 19H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 14H21

Que uma continuação repita todas as ideias do primeiro filme é algo que se espera de cineastas medíocres. Com duas das comédias hollywoodianas mais engraçadas dos últimos anos no currículo, definitivamente não esperava-se que Todd Phillips trilhasse tal caminho.

Se Beber Não Case

Se Beber Não Case

Se Beber Não Case

Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Part II, 2011) acredita ser inteligente ao buscar situações para reproduzir todas as inusitadas situações do primeiro. Não é. "Eu não acredito que está acontecendo tudo de novo", explica em determinado momento um dos personagens. Eu também não. Mas pouco me importa que em uma comédia de teor apelativo repita-se a estrutura. O problema é mesmo rever todas as piadas do primeiro, aqui simplesmente exageradas. Se no original de 2009 havia uma piada com felação, agora há uma de sodomia transsexual, por exemplo.

Não basta aumentar o tamanho dos cacetes para fazer rir... situações são replicadas ao ponto de se conseguir prever tudo o que acontecerá a seguir, arruinando o que o primeiro tinha como grande trunfo - a imprevisibilidade. Como já conhecemos as piadas estamos prontos para elas. É claro que algumas continuam funcionando, mas as melhores partes são as que justamente desviam do estabelecido previamente.

Como no primeiro, Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms), Alan (Zach Galifianakis) e Doug (Justin Bartha) viajam às vésperas de um casamento. Quem está prestes a se casar agora é Stu e a cerimônia será em um luxuoso resort na Tailândia. Nada melhor para superar Las Vegas do que uma das cidades turísticas mais exóticas do planeta, Bangcoc, a capital mundial dos "katoeys", considerados por connoisseurs "os mais belos e convincentes travestis do mundo".

A piada é pronta, mas o cenário não tem a aura cartunesca de Vegas, um oásis de pieguice cômica no meio do deserto. A capital da Tailândia, sob as lentes de Phillips, é muito mais opressiva que engraçada (a fotografia amarelada e poeirenta da parte urbana lembrou-me demais o game Kane & Lynch 2: Dog Days, passado em Xangai). Essa opressão não tarda para beirar a violência, com gangues armadas, tiros e algum sangue em cena.

O trio protagonista também está exagerado. A cena em que Stu descobre o que andou fazendo durante a noite em que esteve fora de si, chapado, é mais dramática e homofóbica do que engraçada, graças à atuação melodramática de Helms e Cooper. Galifianakis é outro que está muito menos divertido do que no primeiro filme. Fora a excelente cena do caminhão, com o macaco e o monge (já mostrada no trailer), em que todos parecem se divertir de verdade, seu personagem é digno de pena em vários momentos, ganhando ares de "Rain Man". O roteiro só funciona a favor dos personagens no arco de Stu - que enfrenta um problema com seu futuro sogro, que o considera tão empolgante quanto "água de arroz". Algumas reviravoltas, boas cenas de ação e o desfecho, que faz valer a tatuagem tribal no rosto de Stu e a relevante utilização prévia da emblemática música "The Beast in Me", de Johnny Cash, salvam-se entre as gags requentadas.

Ao final, tem-se a certeza de que Se Beber, Não Case! Parte II foi motivado exclusivamente por motivos mercadológicos e não pela ideia de criar algo novo, incorreto e hilário, como foi o memorável primeiro longa.

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Nota do Crítico
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