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Como WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal quebraram tabu da Marvel no Emmy

Entre as duas séries, o MCU recebeu 28 indicações à maior premiação da TV norte-americana este ano

13.07.2021, às 19H26.

Houve um tempo em que o fã do MCU acreditava que Krysten Ritter e sua Jessica Jones seriam as responsáveis por levar a franquia para as categorias principais do Emmy. Antes disso, Demolidor, e especialmente o vilão Vincent D’Onofrio, também receberam apoio de críticos e entraram nas previsões de alguns especialistas para a maior premiação da TV norte-americana - mas, na hora da verdade, esse burburinho todo nunca se convertia em indicações.

A história mudou na tarde desta terça-feira (13), quando a lista do Emmy 2021 trouxe uma enxurrada de lembranças para WandaVision (23!) e Falcão e o Soldado Invernal (5). E, enquanto Falcão ficou mais restrito às categorias técnicas (com a exceção da curiosa indicação de Don Cheadle como melhor ator convidado, por sua performance de pouco mais de 1 minuto meio), Wanda apareceu em corridas importantes como melhor minissérie, melhor atriz em minissérie (Elizabeth Olsen), melhor ator em minissérie (Paul Bettany) e melhor atriz coadjuvante em minissérie (Kathryn Hahn).

Só saberemos se essas indicações vão se traduzir em vitórias no próximo dia 19 de setembro, quando ocorre o Emmy 2021, mas o fato é que as duas produções quebraram um tabu que persistia há quase uma década na premiação (o MCU começou a investir na TV em 2013). E por que isso aconteceu, exatamente? O Omelete tem cinco palpites

Quer Emmy? Tem que suar!

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A regra é clara: o Emmy, assim como qualquer premiação grande de Hollywood, é uma corrida de publicidade tanto quanto (ou até mais do que) uma corrida de qualidade artística. Apesar do apoio de fãs e críticos, as produções anteriores da Marvel TV não foram respaldadas por uma campanha promovida pelo estúdio - nada de outdoors pelas ruas de Los Angeles (EUA), por onde circulam muitos dos votantes do Emmy, ou eventos especiais para membros da Academia.

WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal tiveram esse privilégio, como apontou a Vanity Fair em um artigo recente. A verdade é que as produções televisivas anteriores da Marvel sempre foram como “filhos bastardos” do MCU - a divisão de TV do estúdio era comandada por Jeph Loeb, e não por Kevin Feige, e dizem as más línguas que os dois não se davam muito bem nos bastidores. Agora, com TV e cinema concentrados na mão de Feige, parece que o estúdio olhou com mais carinho para o prospecto das séries nas premiações.

Por falar nisso…

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Aliás, a junção das produções televisivas e cinematográficas sob o guarda-chuva da Marvel Studios, e portanto o estreitamento dos laços entre as séries e o MCU, traz outro benefício para WandaVision e Falcão: mais olhos, ou ao menos olhos mais atentos, grudados na TV. A conta é simples, na verdade. Mais gente assistindo significa, inevitavelmente, mais potenciais votos para uma série no Emmy - aquela série excelente que ninguém assiste tem menos chances na premiação do que aquela outra série apenas boa, ou regular, que tem uma audiência gigantesca.

E sim, podemos até argumentar que muita gente via as séries da Marvel na Netflix, como Jessica Jones e Demolidor, sem realmente se importar com a conexão com o MCU, um público potencialmente perdido pelas novas produções da editora, que decorrem dos filmes e deságuam diretamente neles. No entanto, quem sobreviveu a essa transição muito provavelmente foi quem já está devidamente envolvido na narrativa do MCU - um contingente não só gigante, como também, geralmente, apaixonado. Mais fácil converter votos assim, né?

Emmyzão da massa

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Parece difícil de assimilar, mas a última temporada de Game of Thrones levou nada menos do que 12 Emmys para casa em 2019, incluindo melhor série dramática, o prêmio principal da noite. Como isso aconteceu, tendo em vista que os capítulos finais do épico da HBO foram alguns dos pedaços de televisão mais vilipendiados da última década, tanto em meios críticos quanto entre fãs casuais da série?

Bom, essa pergunta daria uma outra lista por si só, mas um dos fatores sem dúvida foi a virada para o popular que o Emmy operou nos últimos anos. Não se trata só da regra simples “mais visto, mais votado”, mas de um esforço genuíno da Academia para diversificar, rejuvenescer e ampliar a sua base de votantes. Uma base que, agora, é capaz de reconhecer excelência em lugares distintos, indo além das séries consideradas “de prestígio” pela crítica.

É assim, inclusive, que acontecem indicações como as de The Boys, Cobra Kai, Emily in Paris e Bridgerton, também deste ano. As séries da Marvel entraram nesse mesmo pacote.

A regra da familiaridade

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Já se perguntou por que Keri Russell e Matthew Rhys só passaram a ser indicados ao Emmy por The Americans da quarta temporada adiante? Ou por que Jennifer Aniston, Matt LeBlanc e Matthew Perry só foram lembrados pela premiação a partir do sexto ano de Friends? Essa demora de alguns atores em conseguir votos o bastante para a indicação é natural - com o passar das temporadas, muitos intérpretes se tornam mais confortáveis em seus personagens e apresentam performances melhores, tudo enquanto o público também vai, pacientemente, construindo um laço de afeição com eles.

WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal saem na frente nessa corrida, no entanto. Elizabeth Olsen, Paul Bettany e Don Cheadle, que foram lembrados pelo Emmy, interpretam seus personagens há anos, em histórias que começaram a ser construídas (para os atores, e também para o público e os votantes) muito antes do primeiro episódio de suas séries. Honrar esse legado com uma indicação pode parecer, para alguns membros da Academia, até inconscientemente, mais fácil do que seria se eles fossem “novatos”.

A TV ama a TV

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Já é de conhecimento geral que filmes que se passam nos bastidores da indústria do cinema, ou que se posicionam como grandes homenagens a ela, vão bem no Oscar. Vide Mank, A Invenção de Hugo Cabret, O Artista, Argo e tantos outros exemplos recentes. Se a Academia do Oscar ama o cinema, bom… a Academia da TV deve amar a TV, né? Nos anos 90, por exemplo, a comédia The Larry Sanders Show fez sucesso no Emmy com sua sátira do mundo dos talk shows.

WandaVision se encaixa bem nesse chavão. A produção da Marvel não só reconstrói várias eras das sitcoms americanas com detalhismo afetuoso, como também posiciona o amor da protagonista por esse gênero como fundamental para a sua narrativa. Conforme nos mostra a maneira como The Dick Van Dyke Show e Malcolm in the Middle foram essenciais para a construção psicológica de Wanda, a série parece nos dizer que a TV que vemos é importante para formar quem somos.

O Emmy jamais perderia a oportunidade de exaltar essa mensagem, viesse ela da Marvel ou não.