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007: As músicas-tema do James Bond de Daniel Craig, da pior à melhor

Relembramos as trilhas sonoras de abertura dos cinco filmes do espião com o ator

01.10.2021, às 20H48.

Tão icônicas quanto os ternos caros, os carros velozes, os apetrechos tecnológicos e os armamentos elegantes, são as músicas-tema da franquia 007. Não à toa, um dos grandes baratos de ser fã da saga que já dura quase 60 anos é analisar e comparar as diferentes escolhas feitas de artistas e por artistas para musicar a abertura de cada filme.

O sucesso dessa tradição é tanto que, em todo esse período, apenas dois filmes abriram mão de grandes intérpretes marcando os primeiros minutos de projeção: 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), que introduziu em seus minutos iniciais o famoso tema escrito por Monty Norman e arranjado por John Barry, e 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), que contou com tema instrumental escrito e orquestrado por Barry. À parte deles, todas as aventuras de James Bond tomaram emprestadas as vozes de grandes nomes da música do momento; e não foi diferente durante a era de Daniel Craig, no papel.

Do saudoso Chris Cornell até o jovem fenômeno que é Billie Eilish, os 15 anos do ator inglês como o espião de ascendência franco-escocesa foram pontuados também por Jack White e Alicia Keys, Adele e Sam Smith, sem falar em uma brilhante colaboração extra-oficial do Radiohead. Qual desses trabalhos, então, melhor representou a era do personagem que se encerra com 007: Sem Tempo Para Morrer? Confira na lista abaixo, da pior à melhor, a resposta.

“No Time to Die” - Billie Eilish

Dá para entender o raciocínio de Barbara Broccoli e companhia na escolha da jovem cantora, provavelmente a maior artista pop do momento, para a trilha sonora da despedida de Craig: trata-se do encerramento de uma era, incumbida de modernizar a franquia, abarcando um jovem talento como sinal de seu progresso. Só é uma pena que o tom intimista das composições de Billie e seu irmão FINNEAS pareça estar em conflito constante com a grandiosidade tipicamente exigida por um tema de 007. Nem mesmo o encerramento com orquestra conduzida por Hans Zimmer consegue expurgar a sensação de insuficiência. Uma pena.

Para piorar, a música embarca pela terceira vez seguida em um caminho mais clássico e emotivo, reminiscente de trilhas sonoras antigas dos filmes do espião. Depois do trabalho de Sam Smith em 007 Contra Spectre (2015), e principalmente da música ganhadora do Oscar de Adele em 007 - Operação Skyfall (2012), soa como uma repetição pasteurizada depois de uma repetição já pasteurizada de um acerto. Não é uma música ruim para os anais da franquia, mas certamente é a mais insossa de todas desde que Daniel Craig se tornou Bond.

“Writing’s on the Wall” - Sam Smith

Colocando em perspectiva, é um pouco triste pensar que Elton John nunca tenha assinado uma trilha sonora para um filme de 007 e Sam Smith, sim. A faixa entoada por Smith, também premiada com um Oscar de Melhor Canção Original, foi o “Plano B” dos produtores de 007 - Contra Spectre (2015), que haviam encomendado à banda de rock alternativo Radiohead uma música. Só que, como a obra do grupo de Thom Yorke foi considerada “melancólica demais”, teve de ser substituída.

Apesar de premiada, “Writing’s on the Wall” soa estranha, com um instrumental operístico digno dos temas entoados por Shirley Bassey nos filmes de 007 dos anos 1960 nunca realmente conversando com o estilo vocal moderno e virtuoso de Smith. Mas, no final das contas, não é esse o maior problema da faixa: sendo lançada na sequência de 007 - Operação Skyfall, que resgatou o estilo clássico das músicas de James Bond, ficou parecendo que Smith fez só o necessário para emular o que tinha dado certo antes.

“Another Way to Die” - Alicia Keys & Jack White

Tão memorável quanto as duas previamente citadas, mas muito mais original, esse improvável encontro entre dois artistas extremamente diferentes propôs uma continuidade à trilha de Chris Cornell para 007 - Cassino Royale (2006) ao mesmo tempo em que adicionou na participação de Keys um elemento novo, mais voltado para os poderosos vocais femininos dos anos iniciais da franquia. Não deveria funcionar, mas funciona, ainda que também tenha sido um “Plano B”.

À época da escalação da dupla para a trilha de 007 - Quantum of Solace (2008), Amy Winehouse era o maior nome da música britânica (e um dos maiores no mundo todo, também). A cantora chegou a gravar uma demo para o filme, produzida por Mark Ronson, mas seus problemas pessoais a impossibilitaram de seguir com a gravação oficial. Assim, nasceu “Another Way to Die”: uma música que, assim como o filme no qual habita, é bem melhor do que dizem por aí as más línguas.

“Skyfall”- Adele

O mais perto que uma trilha de 007 poderia chegar de ser uma unanimidade precisava estar no filme mais popular da história da franquia. Essa obra impecável, escrita e cantada pela britânica Adele, merecia ganhar anualmente o Oscar (portanto, que bom que ganhou em 2013). Além de conduzir o resgate perfeito às raízes orquestrais das músicas-tema originais da saga, “Skyfall” ainda ilustra de forma ímpar tudo aquilo que narra o filme do qual toma emprestado seu título. É exatamente como deve ser uma trilha sonora quintessencial de James Bond: uma releitura da história que está prestes a ser contada, de forma a transportar o fã de volta ao filme mesmo que esteja só ouvindo a música. Incrível.

“You Know My Name” - Chris Cornell

O único motivo para preterir “Skyfall” frente a “You Know My Name” é a ousadia: enquanto a música (novamente, perfeita) de Adele é um retorno às raízes, ao seguro, a bombástica faixa do saudoso vocalista de Audioslave e Soundgarden surge como prenúncio de toda a revolução organizada por 007 - Cassino Royale; um filme incumbido de salvar a franquia do ostracismo e lançá-lo em uma era moderna de cinema. E que cumpriu isso com enorme sucesso.

Trata-se de uma faixa tão original, pesada e poderosa que, além de perfeitamente representar o ainda inexperiente e brutal Bond vivido por Daniel Craig, também foi capaz de pontuar toda a tensão ao longo do filme. Sim, porque, para ilustrar esses primeiros passos do espião, a típica música-tema do personagem só é ouvida nos créditos do longa. São trechos da faixa de Cornell que cobrem toda a trama, em uma jogada sensacional, moderna, corajosa e impactante. Exatamente como o filme dirigido por Martin Campbell.

“Spectre” - Radiohead

Barbara Broccoli pode não ter aprovado ela como música para 007 - Contra Spectre, mas Thom Yorke e seus parceiros de banda não deixaram barato e liberaram para o mundo a faixa que, honestamente, deixa “Writing’s on The Wall” debaixo da sola do chinelo. Não só isso, com a mescla entre composição orquestral e o rock alternativo (e, por vezes, experimental) do Radiohead, a faixa parece a perfeita culminação de uma narrativa musical que começou com “You Know My Name”, foi para “Another Way to Die” e chegou em “Skyfall”: uma evolução natural, aliás.

O mais difícil, ao ouvir o trabalho magnífico executado pela banda britânica, é pensar que a faixa foi considerada sombria demais para ilustrar o filme de 2015. Especialmente quando comparada com as músicas de Smith e de Billie Eilish, ambas mais pessoais e melancólicas que suas antecessoras; portanto, também sombrias. Talvez tenha sido apenas uma questão de justiça: uma música tão boa não poderia acompanhar aquele que é, para muitos fãs, o pior filme da era de Daniel Craig como Bond. Pelo menos, sempre teremos “Spectre” ao alcance de um clique: a melhor música de 007 que nunca foi.