Trio de protagonistas de Maradona: Conquista de um Sonho

Créditos da imagem: Amazon Prime Video/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

Três Maradonas e um só D10S: O craque segundo elenco da série do Prime Video

Atores e atrizes de Maradona: Conquista de um Sonho falam sobre influência de "Don Diego"

Eduardo Pereira
17.11.2021
15h30
Atualizada em
17.11.2021
16h00
Atualizada em 17.11.2021 às 16h00

Quatro momentos distintos dividem a reconstrução da vida de Diego Armando Maradona em Maradona: Conquista de um Sonho, do Amazon Prime Video. A série de TV biográfica do maior jogador argentino de todos os tempos (não em números, mas em relevância cultural) passa pela infância, adolescência, maturidade e velhice do craque, pontuando essa trajetória com seus altos mais célebres enquanto não foge de seus baixos mais sombrios. Figura controversa dentro do campo, com sua atitude sanguínea, e fora dele, com o abuso de drogas e outros excessos, Maradona tornou-se tão relevante à identidade nacional argentina que parou o país com sua morte, em 25 de novembro de 2020.

O Omelete conversou com três dos quatro atores que interpretam, na série, o camisa 10 campeão do mundo pela Argentina, bem como as duas atrizes que vivem a esposa do jogador entre 1989 e 2004, Claudia Villafañe. Conterrâneos do saudoso craque, Nicolás Goldschmidt, Nazareno Casero, Juan Palomino, Laura Natalia Esquivel e Julieta Cardinali falaram sobre a importância de contar a história de vida de uma figura tão marcante para o mundo do futebol, bem como o povo de seu país.

MARADONA SIGNIFICA REBELDIA

“Eu tinha oito ou sete anos quando o Maradona, em 1994, foi tirado da Copa do Mundo”, lembrou Goldschmidt. O ator, de 35 anos, vive na série o jovem craque, em seus primeiros anos no futebol. “Ficou gravada em minha mente a imagem do meu irmão mais velho, baixando os pôsteres do quarto, colocando todos juntos e chorando copiosamente. Logo, entendi que havia nessa figura uma união sentimental muito poderosa”. Para Goldschmidt, mesmo para gerações como as dele, que não o viram jogar, Maradona se manteve relevante como um showman. “Uma figura carismática que trazia alegria e emoção ao povo. Nesse sentido, me parecia que esse era o maior desafio da série: como manter, de alguma maneira, essa chama viva”, disse.

Casero, que apesar de ter a mesma idade de Goldschmidt assume o papel na fase mais madura de Maradona, explica como a identidade nacional se mistura à admiração pelo ex-jogador. “Somos argentinos. Nascemos e vivemos toda uma vida na órbita de Maradona. É uma figura inigualável, como argentino e como humano. É um personagem universal”, definiu o ator. “Minha relação com Maradona chega junto à minha relação com o futebol, quando tinha 10 anos comecei a ver e entender o esporte. E lá sempre estava o mito, sempre estava o personagem, sempre estava o salvador, a lenda”. Como ele faz questão de frisar, a série busca também transcender essa imagem simbólica e mostrar quem era a pessoa por trás do gênio da bola, com todos os seus defeitos. “É bom entendê-lo, ver de onde ele veio e para onde ele foi e enxergá-lo como um alquimista; alguém que pôde tirar ouro do barro. Um cara que, nas piores condições, conseguiu conquistar o mundo”.

Mas é de Palomino, o veterano do elenco que iguala os 60 anos de idade que tinha Maradona quando morreu, que vem a visão de quem pôde acompanhar o auge do craque em tempo-real: “Maradona significa, a partir do gol de mão e do segundo gol contra os ingleses na final do mundial do México, a irreverência, a rebeldia, o representante daquilo que chega quando não se encontra um ato de justiça”, ele desenvolve, associando a vitória sobre os criadores do futebol aos conflitos políticos entre Argentina e Inglaterra na Maldivas e em outras ocasiões. “Então Maradona representa um conjunto de sensações, pessoalmente falando: contradições, farsas, retrocessos, idas, voltas, amores e desamores, mas com uma linha do tempo que tem a ver com a circunstância na qual ele vivia, com o lugar onde ele nasceu, com sua identidade com a Villa Fiorito e, logo, com o mundo”.

Cena de Maradona: Conquista de um Sonho
Amazon Prime Video/Divulgação

JOGO, POTÊNCIA E SOLIDÃO

Sintetizar toda a vida de Maradona em uma só palavra seria uma tarefa cruel, então pedimos ao trio de atores para que cada um escolhesse um termo para resumir a época de vida do craque que interpretou. “Jogo”, respondeu Goldschmidt. “Parece um pouco óbvia, mas considero uma palavra importante porque a premissa para mim, antes de assumir o papel, era poder encarnar da forma mais crível possível um garoto que gostava muito de brincar com uma bola de futebol. E que, além disso, sabia fazê-lo magicamente”, explicou. “É um presente muito lindo que a atuação me deu: poder fazer uma pincelada de uma figura tão importante para o nosso povo”.

Para Casero, “potência” é o melhor termo para definir os anos de auge do craque. “Massa mais velocidade é igual a potência. Eu creio que isso era Maradona. Ele buscou romper com todas as travas e todas as dificuldades que foram apresentadas ao longo de sua vida, dentro e fora dos campos”, frisou o ator. “Ainda assim, ele tinha a grandeza da sutileza, da delicadeza, da magia. Creio que era um personagem único pelo tesão, por não se render, por perseguir um sonho contra todos os prognósticos e alcançá-lo”.

Já Palomino recorre a um clássico de 1965 do cinema argentino para pinçar “solidão” como a síntese dos últimos anos de Diego Armando Maradona. “Eu vou escolher o título de um filme de Leonardo Favio que se chama Crónica De Un Niño Solo. Eu creio que, para mim, sintetiza a vida de Diego Armando Maradona; a solidão”, respondeu o veterano. “Para entender Maradona, tem de entender a solidão desse garoto que deu tantas alegrias; que é mais que um jogador, é um representante do melhor e do pior e do mais belo e luminoso que pode ser o ser humano”.

AO LADO DE DIEGO

Companheira de Maradona por mais de 20 anos, Claudia Villafañe tem grande importância na primeira temporada de Maradona: Conquista de um Sonho. Ela é o primeiro grande amor do craque argentino, e a esposa que passa ao lado dele quase todos os anos de sua carreira no futebol, enfrentando abusos, superando desavenças e lutando por uma relação conturbada e por fim malfadada. Dividindo, respectivamente, a juventude e maturidade dela, Esquivel e Cardinali também escolhem palavras para definir esses dois momentos na vida dessa mulher: “mudança” e “luta”.

Cena de Maradona: Conquista de um Sonho
Amazon Prime Video/Divulgação

“Com ela mais jovem e adolescente, ela está prestes a despontar, a mudar sua vida, está prestes a embarcar em uma jornada de vida ao lado de uma das figuras mais importantes do futebol, que termina sendo a mais importante do mundo do futebol em sua época”, explica Esquivel, de 27 anos. “Então, acho que ‘mudança’ é uma palavra, e depois é ‘ilusão’, porque é seu primeiro amor, seu primeiro contato; mas isso vem dentro do processo de mudança”.

Cardinali, de 44 anos, ressalta a diferença entre os dois momentos da vida de Claudia: “Aos 20 anos, acho que pode ser definida pela palavra ‘amor’; amor para acompanhá-lo nessa aventura. Já a segunda Claudia é uma Claudia mais adulta, que passou por momentos muito mais difíceis que a ilusão, que o amor; passou pela desilusão, pela dor. Acho que podemos defini-la como lutadora. Então a palavra seria ‘luta’, penso eu”, definiu.

Ambas se lembram bem do impacto da morte de Maradona no dia-a-dia argentino. “Foi um momento bastante complicado. Primeiro porque foi inesperado. E foi um momento de muita tristeza porque não era só uma figura querida para mim, mas pelo mundo todo. Foi como um grande silêncio”, lembrou Esquivel, antes de Cardinali adicionar: “O mundo parou. Foi como se todos ficassem quietos de repente”.

Com a série, elas esperam brindar os fãs do craque com boas memórias. “Não há coisa mais emocionante que conhecer alguém que se tornou tão querido e ver como ele era desde pequeno, como era sua família, seus irmãos, porque isso o define também”, disse a primeira. “E vê-lo entrar novamente em um campo de futebol com as ovações que recebia, isso vai emocionar muito”, concluiu a segunda.

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