Dom ainda vai mostrar muito da guerra às drogas e da sociedade carioca

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Dom ainda vai mostrar muito da guerra às drogas e da sociedade carioca

Breno Silveira, Flávio Tolezani e Gabriel Leone falam sobre a série nacional da Amazon Prime Video

Marcelo Forlani
29.06.2021
09h00
Breno Silveira chamou atenção do público quando transformou a história de dois cantores sertanejos em um dos grandes sucessos de 2005, ao contar a história de Zezé di Camargo e Luciano na cinebiografia Dois Filhos de Francisco. E diz que, desde essa época, são as histórias que o procuram e não o contrário.
 
"Exatamente aqui onde estou agora, 12 anos atrás, entrou pela porta da Conspiração o Victor. Eu não quis atendê-lo, e minha secretária falou que ele disse que não sairia dali até eu passar. Eu esperei umas três horas e o cara não saiu. Eu desci para escutar a história meio à força, queria evitá-la. Gosto de falar de história de amor, relações...", lembra Breno sobre aquele primeiro encontro. Esta persistência de Victor é algo visível também na série, quando o personagem interpretado por Flávio Tolezani faz de tudo para manter seu filho, Pedro Dom, livre das drogas. Drogas estas que fizeram parte do seu emprego na Polícia Civil, onde trabalhou para tentar impedir a entrada da cocaína no Rio de Janeiro, nos anos 1970.
 
 
"A gente tem visto uma série de filmes sobre narcóticos, e sempre me perguntava como a gente veio parar nisso. E o Victor era a testemunha desta história", relata Breno. Foi o cineasta que, vendo uma história ali, apresentou Victor ao titã Tony Belloto, que escreveu um livro também entitulado Dom, sobre a história deste menino da classe média do Rio de Janeiro que começou a consumir cocaína desde muito cedo e, para alimentar seu vício, acabou se tornando um dos criminosos mais procurados da capital fluminense dos anos 2000, apelidado pela mídia de "Bandido Gato" ou "Bandido Fashion". 
 
Para este papel, que dá título à série, foi escalado Gabriel Leone. "O Gabriel é um talento absurdo. Ninguém entende o que esse garoto vai ser. Você vai ver que ele é completamente diferente. Quando ele botava a lente azul e cabelo loiro, eu pensava: lá vem o Dom. Sabia que ele estava se transformando em um outro bicho", ressalta Breno. E na junção de Victor e Pedro Dom - e da constante falta de sintonia entre eles - é que a série se abastece e cresce. 
 
Dom não é sobre cocaína ou glamourização da bandidagem, é sobre um relacionamento entre pai e filho. E fazer estes papéis fez com que Flavio e Gabriel também pensassem um pouco sobre suas relações na vida fora dos sets.
 
"Estou aprendendo que temos que ser menos controladores.[...] A nossa vontade, o tempo todo, é botar o filho debaixo das asas, mas não tem como. O filho é do mundo. Pode acontecer também como acontece na série, que o filho foi demais para o mundo. Existe um limite de atuação, de alcance dos pais", reflete Flávio, que é pai na vida real.
 
Já Gabriel, ainda longe da paternidade, fica ainda com a visão de filho: "A história faz a gente refletir sobre a vida, sobre a oportunidade que a gente tem, de compartilhar as vidas com essas pessoas, pais e filhos, e como a gente vai lidar com issoNo caso deles, foi um relacionamento interrompido de forma precoce, e certamente por escolhas dos dois. Nenhum tipo de relacionamento é fácil. São mundos diferentes, às vezes ideologias diferentes", reflete Gabriel.
 
Essas mesmas visões diferentes de mundo e vida geravam conflitos também entre Breno e o Victor de verdade. "Foi muito difícil. A nossa relação era conflituosa, porque eu falava para ele que a história era muito pesada, mas daí comecei a entender que a história explicava o Rio de Janeiro e o Brasil", lembra Breno. Foi a partir deste ponto que a série começou a ganhar forma.
 
Quem fala um pouco mais sobre isso é Malu MirandaHead de Conteúdo Original para o Brasil do Amazon Studios: "Você está vivendo ali uma conexão profunda entre pai e filho. E o que eu acho é o que o Breno fala sempre: é uma premissa pesada, mas ao mesmo tempo é uma relação de família." É Malu também que explica a forma como a série entrou na plataforma de streaming: "Tudo de uma vez. Isso é sempre uma conversa, um desafio. O que o consumidor quer? Temos sucessos de todas as formas. Você só pode ser episódico se tiver muito gancho. Essa história é para ser consumida de maneira voraz. Dá para acabar e já ver o próximo, cada camada conta o todo", completa a executiva.
 
A fórmula se mostrou acertada. O público curtiu tanto quanto a crítica e a segunda temporada já foi confirmada. Assim, o vai-e-vem no tempo vai ganhar em breve novos capítulos e Breno já dá alguns spoilers do que vem por aí: "O Victor era a favor da legalização das drogas. Você vai ver onde a gente vai chegar[...] Você vai ver por dentro e por fora o que essa droga fez na sociedade."

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