Daniel Craig em 007 - Sem Tempo Para Morrer

Créditos da imagem: 007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

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007 - Sem Tempo Para Morrer | Os easter eggs da despedida de Daniel Craig

Filme faz referências não apenas à fase do ator, mas também ao início da franquia

Mariana Canhisares
03.10.2021
18h08

[Atenção: lista contém spoilers de 007 - Sem Tempo Para Morrer]

Tratando-se da despedida de Daniel Craig da franquia James Bond, era de se esperar que 007 - Sem Tempo Para Morrer fizesse referências a todos os filmes do ator, desde Cassino Royale até Spectre. No entanto, o filme do diretor Cary Fukunaga surpreende ao incluir easter eggs dos quase 60 anos de história do espião do MI6 nos cinemas. Confira os principais dele a seguir:

Passado de Madeleine

A cena de abertura do filme é um mergulho no passado de Madeleine Swann, mas ela não revela nada que os fãs mais atentos de 007 já não sabiam. Afinal, a personagem de Léa Seydoux contou para o agenteque atirou em um homem quando criança, em Spectre -- a gente só não sabia que era o Safin. O diretor de Sem Tempo Para Morrer fez questão de ser fiel a todos os detalhes do primeiro relato da psicóloga, como a arma debaixo da pia e a ausência do pai, o Sr. White, na casa. Assista à cena acima.

“We have all the time in the world”

O amor está no ar quando vemos Bond e Madeleine juntos, pela primeira vez, em Sem Tempo Para Morrer. Dirigindo pela costa da Itália, o espião chega a olhar para a amada e declarar que, agora, eles tinham todo o tempo do mundo. Lindo, não é? Mas além de romântica, a frase é uma referência direta à música-tema de 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade, de Louis Armstrong. O arranjo que toca ao fundo da cena, inclusive, lembra a canção. Contudo, no filme de 1970, o casal não tem um futuro promissor: o Bond da época, George Lazenby, vê a morte da sua esposa, vivida por Diana Rigg -- portanto, o primeiro indício que o felizes para sempre do espião e da psicóloga acabaria muito cedo. Cedo demais.

Vesper Lynd

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures Reprodução

O primeiro grande amor de Bond também é referenciado no novo filme. Em uma tentativa de superar o luto e a traição de Vesper Lynd em Cassino Royale, o espião visita o túmulo dela na Itália e pede perdão. Note que na lápide está justamente o ano de lançamento do filme que inaugurou a era Craig e que há uma cruel ironia na cena: mais uma vez quando o 007 abre seu coração para Vesper, ele se machuca -- nesse caso, bem literalmente porque havia uma bomba da SPECTRE escondida ali.

Volta dos gadgets

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

A era Craig foi muito pé no chão -- para os padrões da franquia James Bond, ao menos. Por isso, os gadgets acabaram sempre ficando em segundo plano, quando não completamente esquecidos, nos seus filmes. Sem Tempo Para Morrer muda isso, e coloca as geringonças do Q na ação. De um jeito mais crível? Claro, mas ainda como as geringonças que são!

007 contra o Satânico Dr. No

O filme que apresentou Sean Connery como o 007 é referenciado algumas vezes ao longo da produção. A primeira delas é justamente na sua abertura, com as bolinhas coloridas que dão o pontapé para a introdução da música de Billie Eilish. Mas há outras, como os ecos do visual do Safin com o do Dr. No, tanto no traje quanto nas luvas; e ainda a queda do cientista russo no criadouro bioquímico, que parece um aceno à morte de um dos adversários do Bond em 1962, na piscina do reator nuclear.

Retorno à Jamaica

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

Bond decide se isolar em uma casa na Jamaica, depois de se decepcionar com Madeleine. A escolha pelo país é, por si só, um easter egg, já que o autor Ian Fleming escreveu os romances do 007 ali, na chamada Goldeneye.

“Quem é o loiro?”

Ao conhecer Logan Ash, o parceiro novato de Felix Leiter, Bond não perde tempo e logo indaga: “quem é o loiro?”. O comentário irônico sobre o personagem de Billy Magnussen é um aceno direto às críticas que o próprio Craig recebeu quando foi anunciado como o novo James Bond, em 2005. Houve quem tenha se perguntado se o mundo estava pronto para o primeiro Bond loiro...

O joelho bom

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

O primeiro encontro do espião com a sagaz Nomi também foi marcado pelo sarcasmo dos personagens. Em um dos vários comentários insinuando que Bond estava velho demais para o trabalho, a agente de Lashana Lynch sugere que vai atirar no seu “joelho bom” caso ele fique no seu caminho. A escolha do joelho não é à toa: Daniel Craig de fato o fraturou durante a gravação de uma cena de luta com Dave Bautista, em Spectre.

“Bond. James Bond”

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

O jargão do espião costuma ser um dos momentos mais aguardados de todos os filmes, tamanha a elegância e, por vezes, arrogância que a frase evoca. Em Sem Tempo Para Morrer, porém, a fala é um dos muitos sinais de que Bond ficou no passado. Ao se cadastrar como visitante no MI6 (pois é!), “Bond. James Bond” não diz absolutamente nada para o recepcionista. Ninguém sequer sabe quem ele foi para a agência.

O crachá no lixo

Moscou contra 007/Eon Productions/Reprodução

Ao deixar o escritório de M irritado, Bond joga com uma precisão invejável seu crachá no lixo. A cena lembra muito momentos clássicos da franquia, com Sean Connery e George Lazenby jogando seus chapéus no mancebo da sala de Moneypenny, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Retratos dos M

Operação Skyfall/Universal Pictures/Reprodução

Sem Tempo Para Morrer revela que os corredores do MI6 são adornados por retratos dos Ms ao longo da sua história. Nota-se com bastante destaque o quadro da personagem de Judi Dench, que estava comandando o departamento desde a era Pierce Brosnan, mas também o do M de Bernard Lee, que ficou no papel até 007 contra o Foguete da Morte.

Velhos conhecidos da SPECTRE

Spectre/Universal Pictures/Reprodução

Acompanhado da inexperiente Paloma, personagem de Ana de Armas, o Bond vai a um baile da SPECTRE em Cuba. Enquanto a dupla zanza pelos salões em busca de um cientista russo, vemos velhos rostos da organização criminosa liderada por Blofeld, como a Dra. Vogel (Brigitte Millar).

Pose clássica

007 - Sem Tempo Para Morrer/Universal Pictures/Reprodução

No corredor da instalação de Safin, enquanto Bond enfrenta os numerosos capangas do vilão, o diretor Cary Fukunaga recriou a pose clássica do 007.

Bulldog da M

Operação Skyfall/Universal Pictures/Reprodução

Um dos muitos pontos de discordância entre o Bond e a M era uma escultura decorativa que a chefe do MI6 tinha na sua mesa: um bulldog com a bandeira do Reino Unido pintada nas costas. O objeto acabou ficando de herança para o agente depois da morte dela, em Skyfall, mas mesmo o odiando, ele o manteve guardado -- e a prova está justamente em Sem Tempo Para Morrer. O bulldog aparece guardado em uma caixa, entre muitas outras coisas do passado recente de Bond como espião.

“Eu tive um irmão”

Quando Bond chama o falecido Felix Leiter de irmão em Sem Tempo Para Morrer pode soar até um exagero, mas há mais na fala que um aparente sentimentalismo: ela é, na realidade, um eco do primeiro encontro entre eles em Cassino Royale. Nas escadarias do luxuoso cassino em Montenegro, o personagem de Jeffrey Wright se apresenta como “um irmão de Langley”, e é inegável que os dois foram de fato fiéis aliados desde então. Assista a partir de 3:30.

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