Pôster de X-Men

Créditos da imagem: X-Men/Fox/Divulgação

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X-Men - O Filme | 20 anos do filme que mudou Hollywood

Como os mutantes abriram caminho para a era de ouro dos heróis do cinema

Marcelo Forlani
14.07.2020
12h14
Atualizada em
14.07.2020
12h36
Atualizada em 14.07.2020 às 12h36

14 de julho de 2000 pode ser considerada uma data histórica para Hollywood, principalmente se você é um velho leitor de histórias em quadrinhos. Foi nesta data, exatos 20 anos atrás, que chegou aos cinemas X-Men - O Filme (X-Men, 2000). E que filme!

Em apenas 104 minutos, o diretor Bryan Singer conseguiu mostrar que era possível, sim, fazer um filme de super-heróis sério, sem roupas colantes de cores berrantes e cuecas para fora da calça. Mas, o mais importante, um longa-metragem que era fiel a vários aspectos vistos nas páginas dos gibis, que falava de temas como discriminação e amizade – tudo isso sem deixar de lado a ação.

Os uniformes de couro, que espalharam ódio na internet quando foram divulgados, eram uma continuação estética de um dos filmes mais inovadores dos últimos anos, Matrix. No filme (e naquele momento), os trajes faziam sentido para os mutantes e podem ser vistos até como uma porta de entrada para a visão realista de Gotham City criada depois por Christopher Nolan em sua trilogia ao lado do Batman.

Claro que não estamos dizendo aqui que X-Men foi o primeiro filme de super-heróis. Antes dele já tínhamos visto o Superman (1978) de Christopher Reeve, o Batman (1989) de Tim Burton, mas também havíamos sido submetidos a atrocidades como os telefilmes da Liga da Justiça (1997), o Justiceiro (1989) com Dolph Lundgren e os próprios Batman Eternamente e Batman & Robin, de Joel Schumacher, entre outros.

Foi preciso de um tempo e quem começou a mudar o cenário foi Blade - O Caçador de Vampiros (1998), estrelado por Wesley Snipes. Mas era um personagem desconhecido do submundo da Marvel, ao contrário dos X-Men, que viviam no mainstream da editora desde seu renascimento nas mãos de Chris Claremont e John Byrne.

A escolha do elenco foi uma série de acertos baratos, com atores desconhecidos do grande público e dois atores mais experimentados, os shakespearianos Ian McKellen (que ainda não eram Gandalf) e Patrick Stewart (que naquela época era mais conhecido pelo seu papel em Jornada nas Estrelas – A Nova Geração). Muita gente reclamou dos quase 2m de altura de Hugh Jackman para fazer o Wolverine, conhecido nos quadrinhos pela alta volatilidade, mas baixa estatura. Porém, bastaram alguns segundos de tela para entender a escolha pelo carismático ator australiano.

E tudo isso ainda vinha empacotado em meio a muita ação. Víamos ali uma equipe que trabalhava unida por um fim em comum em uma trama que distribuía a importância de cada um de seus personagens o mais equilibradamente possível (com pequeno prejuízo para a Tempestade, que ganhou destaque maior no segundo filme, quando Halle Berry chegou no set de filmagens com um Oscar debaixo do braço). Era o primeiro super-grupo dos cinemas, muito antes dos Vingadores, Quarteto Fantástico e da Liga da JustiçaNem a mutante Destiny (Irene Addler) com seus poderes cognitivos conseguiria prever um futuro destes.

Texto publicado originalmente em 14 de julho de 2015, no aniversário de 15 anos de X-Men: o Filme.