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Vingadores: Era de Ultron e as relações com os demais filmes da Marvel

Novo longa é mais sutil do que o esperado em se ligar às próximas adaptações do estúdio

Érico Borgo
14.04.2015, às 17H07
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H47
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H47

É muito fácil se perder na onda dos Universos Compartilhados no cinema, a nova mania dos produtores de Hollywood para gerar vários filmes dividindo o mesmo mundo. Essa estrutura de franquia cinematográfica, que funciona tão bem com propriedades voltadas ao público que consome cultura pop como estilo de vida, é prato cheio para produtores que desejam repetir suas fórmulas e lançar, filme após filme, o mesmo produto, recheando-o com nada mais que o chamado "fan service", referências para os próximos capítulos ou momentos de impacto conhecidos do material original adaptado.

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Marvel Studios mostrou ao mercado na última década como um Universo Compartilhado funciona, com uma mistura inteligente em suas produções do DNA da casa - humor e aventura com pano de fundo ancorado no mundo real - e esse "serviço aos fãs". Com Vingadores: Era de Ultron não é diferente. O segundo longa-metragem da superequipe reunida evita problemas como os encontrados nos filmes dos X-Men, por exemplo, em que um personagem é central a tudo, homogeneizando uma história tão rica nos quadrinhos. Assim, por mais que o Tony Stark de Robert Downey Jr. seja o favorito - e o mais lucrativo - da empresa no cinema, aqui cede espaço para o desenvolvimento de outros personagens.

Dessa forma, a estrutura de universo compartilhado segue se desenvolvendo de maneira extremamente sadia na Marvel. Graças às campanhas de marketing e os anúncios do empolgado presidente da companhia, Kevin Feige, os fãs esperavam um filme mergulhado em nerdice - repleto de referências e situações conhecidas das HQs. Inúmeros personagens seriam introduzidos para a dominação mundial pelos próximos 10 anos do Marvel Studios. Ledo engano. O jogo da chamada Casa das Ideias é mais inteligente do que se pensa, com os filmes unidos pelo falatório incessante na Internet dos fãs, motivado pela própria Marvel, que não necessariamente transfere toda essa carga de fãs para o produto. Ao final, o estúdio está preocupado em fazer... filmes. Mas com algo a mais.

Não que o "fan service" não exista em Vingadores: Era de Ultron. Só não está na quantidade imaginada. A história é surpreendentemente contida e os ganchos para capítulos futuros tão abertos quanto instigantes. Os finais dos personagens não cravam seus destinos. O diretor Joss Whedon, prejudicado pelo final castrador de Homem de Ferro 3 (aqui elegantemente esquecido), parece assim garantir que os demais cineastas que assumam esse universo depois dele não estejam presos a amarras narrativas difíceis de contornar. Seus personagens passam adiante com naturalidade, ainda que com a carga dos eventos passados. Os produtores aprenderam com seus erros.

Segundo a "Maneira Marvel" (outrora sinônimo de estrutura em quadrinhos), fazer um Universo Compartilhado é um trabalho de anos, que requer paciência e envolvimento direto dos fãs. Nesse novo formato, o cinema começa a entender e aplicar em filmes interconectados as melhores qualidades das boas produções da televisão. Ao explorar isso, a Marvel brinca com paradigmas narrativos estabelecidos quase seculares, criando um amálgama interessante de acompanhar - e que ainda será muito copiado e estudado.

Vingadores: Era de Ultron teria Ultron gigante

Vingadores: Era de Ultron estreia em 23 de abril no Brasil. O Omelete já viu o filme - veja no Viber as nossas primeiras impressões (http://chats.viber.com/omelete) - e confira no YouTube, hoje, às 20h, os vídeos COM e SEM spoilers sobre o filme (assine o canal!). A crítica completa será publicada em breve no site - fique de olho.

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