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Omelista: Carros Icônicos do Cinema e da TV - Parte 2

Escolhemos cinco carros marcantes que fizeram história no cinema e na televisão

Carina Toledo
20.02.2012
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h47
Atualizada em 29.06.2018 às 02h47

De símbolo de status à máquina mortífera: um carro pode dizer muito sobre um personagem, ou tornar-se tão icônico que sua fama transcende a obra a que pertence. Para definir o que faz de um carro um ícone, escolhemos veículos únicos - seja por sua pintura, formato ou funcionalidade - que imediatamente remetem ao filme ou série de origem.

Confira os carros que entraram na Parte 2 de Carros Icônicos do Cinema e da TV - e relembre na Parte 1 os eleitos da semana passada.

Ecto-1
Os Caça-Fantasmas

Monty Python's Flying CircusSe tiver algo estranho no seu bairro, quem você vai chamar? Não duvide: os doutores Egon Spengler (Harol Ramis), Raymond Stantz (Dan Aykroyd) e Peter Venkman (Bill Murray) atenderão sua ligação e logo estão chegando a bordo do Ecto-1, uma ambulância customizada, que carrega todos os equipamentos necessários para lutar contra o sobrenatural. O feixe de prótons, disparado nos ectoplasmas, é a principal arma dos caçadores, mas há ainda vários aparelhos em cima do carro, cuja utilidade nunca foi explicada nos filmes. A sirene e seu som peculiar fecham as principais características do Ecto-1.

Nas primeiras versões do roteiro de Os Caça-Fantasmas (1984), o veículo teria o poder de viajar entre diferentes dimensões e um visual totalmente diferente, com pintura preta e luzes roxas. Nunca saberemos como teria sido o filme se o carro tivesse super-poderes, o que importa é que aquele Cadillac Miller-Meteor Hearse, modelo 1959, tornou-se um ícone da cultura pop e da franquia Ghostbusters. No longa, o Dr. Stantz conta que pagou US$ 4.800,00 (valor consideravelmente alto nos anos 80) por um carro que ainda precisaria de muitos consertos, entre suspensão, freios, câmbio... Tudo indica que se a cena não fosse cortada, Venkman continuaria listando todos os defeitos do Ecto-1, que ele mesmo consertou.

Há alguns anos fala-se sobre um possível terceiro filme para a franquia, com o retorno de todo o elenco original, e o primeiro sinal de que Os Caça-Fantasmas 3 estaria mesmo em andamento foi uma aparição do famoso carro. Kristen Bell e Jonah Hill divulgaram fotos ao lado do Ecto-1, sinal de que a movimentação já está acontecendo. Só resta agora esperar que Bill Murray, o único indeciso, aceite o projeto de vez.

Beleza Negra
O Besouro Verde

Monty Python's Flying CircusO Beleza Negra, carro tecnológico da série O Besouro Verde, teve um ilustre chofer: Bruce Lee, no papel de Kato. Muito antes de vencer Chuck Norris em O Voo do Dragão, o astro chinês (em seu primeiro grande papel nos EUA) interpretou o fiel ajudante do vigilante mascarado Besouro Verde, identidade secreta do jovem milionário Britt Reid, vivido por Van Williams.

O personagem Besouro Verde foi criado nos anos 1930 por George W. Trendle e Fran Striker. Depois de estrear nas rádios, ele passou por várias mídias, incluindo TV, filmes e HQs. A série teve vida curta, com apenas uma temporada, exibida entre 1966 e 1967, mas foi o suficiente para transformar o Beleza Negra em um ícone do entretenimento. No filme de 2011, estrelado por Seth Rogen e Jay Chou, o carro é tão essencial que ganha destaque similar ao dos atores em toda a divulgação do filme.

Para a série original, o Beleza Negra foi criado a partir de um Chrysler Imperial 1966, pelo designer de carros Dean Jeffries. Dois carros eram usados nas filmagens mas um deles, que era usado nas cenas externas, misteriosamente desapareceu. O segundo, que era o carro modificado e cheio de gadgets (ainda em funcionamento!) pode ser visto no Petersen Museum, em Los Angeles. O filme Besouro Verde também usou um Chrysler Imperial, mas de 1965, e a produção foi levemente mais megalomaníaca, com 29 versões do carro. Nossos parceiros do Collider tiveram a oportunidade de fazer um test drive no novo Beleza Negra, que você pode conferir aqui (em inglês).

Máquina do Mistério
Scooby Doo

Monty Python's Flying CircusA van mais icônica da TV sem dúvida é a Máquina do Mistério, da série Scooby-Doo, criada pela Hanna-Barbera em 1969. O veículo pode não ser real, mas é o tipo de carro que está dentro das limitações orçamentárias dos fãs. Ter um carro igual ao de James Bond ou um Batmóvel é um desejo extravagante, mas dirigir uma Máquina do Mistério só sua é factível - basta encontrar uma van Ford Ecoline 1963 e customizá-la com a pintura de estilo flower power. Além de ser responsável por levar a Mistério S.A. para suas investigações, o carro não possui outras funcionalidades especiais.

Salsicha, Fred, Daphne, Velma e Scooby não eram donos do furgão psicpdélico desde o primeiro episódio do desenho. Logo no começo da série, a turma não tinha meios próprios de transporte e era o pai de Daphne que relutantemente os levava para desvendar mistérios. Normalmente, Fred é quem dirige o furgão, mas há várias versões de quem foi o primeiro dono da Máquina do Mistério. Na série original de 1969, Scooby-Doo, Where Are You!, da CBS, o furgão aparece no quinto episódio, chamado "It's Mean, It's Green, It's the Mystery Machine", como um carro mal-assombrado que se dirige sozinho.

Em seus mais de 30 anos de história, Scooby-Doo e sua turma já ganharam várias versões na TV, além de filmes para DVD e filmes live action para cinema. Mas, apesar de mudanças no traço do desenho e troca de atores, a Máquina do Mistério permance um clássico.

Christine
Christine - O Carro Assassino

Monty Python's Flying CircusChristine - O Carro Assassino (1983), clássico de John Carpenter, é uma adaptação ao cinema do livro homônimo de Stephen King, e já começa mostrando a psicopatia do Plymouth Fury 1958 em suas cenas inicias. Ainda na linha de montagem, um mecânico machuca a mão quando o capô fecha-se subitamente sobre ele, e outro morre sufocado dentro do carro, depois de derrubar cinza de cigarro no banco. Vinte anos mais tarde, Christine é vendido ao adolescente Arnie Cunningham por 250 dólares sem ele suspeitar que aquela beleza vintage já tem várias vítimas em seu histórico.

Aos poucos, conforme restaura Christine, o garoto tímido e nerd assume uma personalidade arrogante e aparência sinistra, vestindo-se todo de preto. Seu melhor amigo, Dennis, fica preocupado, especialmente depois que a mãe de Arnie conta que o último dono de Christine morreu sufocado com dióxido de carbono dentro do carro. O descontrole começa quando o carro tenta matar a namorada de Arnie, e Christine eventualmente mostra ao seu dono todas as duas habilidades, incluindo o poder de restaurar-se sozinho e uma sede de sangue contra todos os garotos que fizeram bullying contra Arnie.

Para viabilizar o orçamento das filmagens, John Carpenter usou também outros modelos da marca Plymouth, como o Belvedere e o Savoy, fazendo as vezes de carro maléfico. No total, Carpenter destruiu 21 Belvederes para fazer o filme, além de alguns Furys. Algumas modificações foram feitas para acomodar detalhes da trama, como na cena em que a namorada de Arnie está engasgando e o botão de trava na porta do carro desce sozinho. Na verdade, o modelo de 1958 do Plymouth Fury não tinha este tipo de botão, usando um sistema mais antigo de travas. Outra curiosidade que já indica a alma demoníaca de Christine é sua placa, que traz as letras CQB, sigla militar para close quarters battle, tipo de combate em que os alvos são abordados de uma distância muito próxima, com muita rapidez e violência, deixando pouca chances de fuga ou sobrevivência.

Muscle Cars

O muscle car é uma tradição estadunidense que mereceria uma lista à parte. Os anos 1960 e 70 foram a época dos carros com muitos cavalos de potência e velocidade. Os motores eram grandes, a gasolina era barata e poucos modelos exalavam mais masculinidade que um muscle car - termo usado para definir veículos de alta performance, feitos nos Estados Unidos, com duas portas e motor V8 (tipo mais comum). Com poucas exceções, esse tipo de carro dominou o entretenimento a partir do final dos anos 1960, e as empresas impulsionavam as vendas com muito investimento em publicidade e inserções dos carros nos filmes e séries de TV mais populares do momento.

Monty Python's Flying CircusO ator Steve McQueen foi um dos ícones deste período com o filme Bullitt (1968), longa policial dirigido por Peter Yates que foi sucesso de crítica e bilheteria, rendendo ainda o Oscar de Melhor Edição. Sua cena de perseguição pelas ruas de San Francisco é considerada uma das mais empolgantes e influentes do cinema, demonstrando toda a potência do Ford Mustang 390 GT 1968, dirigido pelo tenente Steve Bullit. Assim, o Mustang se tornou um dos carros mais populares e desejados da época, e em 2008 a Ford comemorou os 40 anos do filme lançando o Mustang Bullitt, trazendo de volta até a cor verde original do filme.

Monty Python's Flying CircusO General Lee, da série de TV Os Gatões (The Dukes Of Hazzard), exibida entre 1979 e 1985, também foi um dos carros marcantes da época. Com uma bandeira dos Confederados pintada no teto e as portas soldadas, aquele Dodge Charger 1969 estrelou muitas cenas de perseguição com os primos Bo e Luke Duke, em suas negociações de uísque clandestino. Uma das manobras mais famosas do General Lee era o salto no ar, e seu porta-malas era sempre equipado com sacos de areia e concreto, para evitar que o carro capotasse. Nas filmagens, cada episódio usava vários carros e estima-se que mais de 250 General Lees tenham sido usados em toda a série. Vários modelos dos anos 1968 e 1969 eram customizados para as especificações da série, mas com o passar do tempo, ficou muito difícil e caro encontrar Dodge Chargers, tanto que a Warner Bros. passou a produzí-los dentro do estúdio. Já nas últimas temporadas da série, a produção estava se tornando muito custosa e o estúdio passou a reciclar as cenas de salto de episódios anteriores.

Monty Python's Flying CircusOutro modelo cultuado de muscle car é o Ford Gran Torino, usado em toda a sua potência pelos detetives californianos da série Starsky & Hutch, exibida entre 1975 e 1979. Por sua cor vermelha e branca, o Gran Torino 1975 da série também é conhecido como "tomate listrado" por um comentário espontâneo do ator Paul Michael Glaser no set de filmagem, e acabou adotado pelos roteiristas. Aparições mais recentes do Gran Torino incluem Velozes e Furiosos, franquia que usa vários modelos de muscle cars, e O Grande Lebowski, com o carro totalmente detonado do "The Dude" (Jeff Bridges). Ao final do filme, aquele Gran Torino 1973 já foi roubado, vandalizado e bateu de frente em uma caçamba de lixo - e ainda assim continua sendo querido por seu dono. Clint Eastwood ainda usou o carro no título de seu filme de 2008. Na trama, o Ford Gran Torino 1972 é uma das posses mais preciosas do veterano de guerra Walt Kowalski - e nem ouse chegar perto do carro ou pisar no seu gramado.

Monty Python's Flying CircusA franquia Mad Max também é conhecida por seus carros potentes e altamente modificados. O filme australiano de 1979 é estrelado por Mel Gibson, pouco conhecido na época, e se passa em um futuro distópico em que a lei e ordem começam a falir. Carros de alta performance não faltam no longa, mas o mais famoso é o Persuit Special, modelo ficcional usado pelos policiais do filme, criado por Murray Smith a partir de um Ford Falcon XB GT Coupe 1973. Na trama, o carro é oferecido a Max Rockatansky como incentivo para que ele continue na polícia como um agente de perseguição e será usado para executar sua vingança contra a gangue de motoqueiros que matou sua mulher e filho. O mesmo carro foi usado na continuação Mad Max 2, recebendo ainda mais modificações para se adequar à trama.

Monty Python's Flying CircusTambém não podemos esquecer do Dodge Challenger 1970 de Vanishing Point (1971), lançado no Brasil como Corrida Contra o Destino. O filme é um clássico cult e tem Quentin Tarantino entre seus admiradores - o diretor chegou a dedicar todo um segmento de À Prova de Morte para homenagear Vanishing Point. O road movie de ação setentista é estrelado por Barry Newman, que vive um ex-piloto de corrida e veterano de guerra que agora trabalha como motorista de entrega de carros. Ele está em uma viagem pelos EUA e deve levar o Dodge Challenger até San Francisco - e se recusa a diminuir a velocidade, engajando-se em várias disputas e cenas de perseguição por três estados.

O carro foi escolhido para o filme pelo diretor Richard C. Sarafian, colocando-o em papel de destaque como agradecimento à Chrysler por sua longa parceria com a 20th Century Fox, alugando carros por valores baixíssimos. Muitos outros carros usados no filme também são da mesma montadora. Nenhum veículo recebeu modificações especiais para o filme, e todos receberam preparação e manutenção de Max Balchowsky, que também trabalhou em Bullit.

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