Zumbis de Reality Z, série da Netflix (foto de Suzanna Tierie/Netflix)

Créditos da imagem: Suzanna Tierie/Netflix

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Artigo

Reality Z | Conheça a nova série de zumbis da Netflix

Com bastante sangue e humor, adaptação brasileira de minissérie britânica quer ficar no mesmo nível das produções internacionais

Arthur Eloi
29.05.2020
10h22
Atualizada em
29.05.2020
10h34
Atualizada em 29.05.2020 às 10h34

A Netflix continua sua investida no audiovisual brasileiro. Quase quatro anos após a ficção científica 3% iniciar a leva de produções nacionais no serviço, o streaming agora retorna com mais uma produção de gênero: o terror satírico Reality Z.

A série é baseada em Dead Set, uma minissérie britânica de 2008 criada por Charlie Brooker, que alguns anos depois ficou conhecido como o responsável por Black Mirror. A premissa mostra a casa de um reality de confinamento, tipo Big Brother, como o único refúgio em meio à um apocalipse zumbi. O que muda na adaptação nacional é que, diferente da inglesa, o programa aqui vai além dos muros da casa vigiada, e introduz outros arcos, como um que acompanha a relutante criadora do programa, e outro com um deputado covarde que abusa de seu poder para sobreviver.

Quem comanda o projeto é Cláudio Torres, diretor conhecido por filmes nacionais de gênero, como Redentor (2003) e O Homem do Futuro (2011). Em entrevista ao Omelete, o cineasta explica seu carinho pela fantasia mesmo em momentos delicados: “A série se tornou contemporânea e ligada ao nosso momento, mas é uma distopia. É uma fantasia, e é por isso que eu gosto tanto do gênero, e do cinema fantástico. Você cria um universo, uma situação e ela espelha a realidade, e não tenta recontar o que tá acontecendo ou reproduzir fidedignamente para poder falar dela. O mundo da fantasia permite que você seja poético e, ao mesmo tempo, fazer uma reflexão sobre o mundo que vivemos atualmente [...] Eu acho que eu fui chamado pela Netflix um pouco por conta disso, por ser um diretor que acredita no gênero fantástico.

Cláudio Torres no set de Reality Z, série de zumbis da Netflix

Cláudio Torres no set de Reality Z

Suzanna Tierie/Netflix

Mas não é só de comentário social que se faz uma obra de zumbis. É preciso de sangue. Nesse aspecto, Reality Z não decepciona. Além dos mortos-vivos conquistarem pela nojeira e agressividade, há boas cenas em que eles são eliminados das formas mais grotescas possíveis, como tendo a cabeça explodida por um extintor de incêndio em plano explícito, em gloriosos detalhes.

Por causa do histórico da [produtora] Conspiração, que sempre acreditou muito na pós-produção, a gente tem dentro da própria produtora uma divisão de efeitos especiais, chefiada pelo Cláudio Peralta”, explica Torres. “Eu sabia que a gente podia lidar com bons efeitos especiais. São da casa, é o nosso DNA [...] Sabia que a gente tinha capacidade de produzir um show de nível internacional, de igual para igual com o que existe de tecnologia e modernidade. Estaríamos pau-a-pau com produções de fora. Já tinha viajado no tempo, já tinha feito o Pedro Cardoso levitar. Já tinha lidado com situações inusitadas antes.

É visível que Reality Z quer ficar no mesmo patamar de outros obras do gênero que estão na plataforma. Para Torres e a produção, o caminho não é apenas replicar a obra original, mas sim fazer um remix, juntando a estrutura britânica com o tom e personalidade brasileira. “Até o quinto episódio é um reboot, reorganiza o Dead Set de uma maneira que dê continuidade. A partir do sexto, é puro Brasil”, garante Torres “É o que a gente fez com a premissa do Charlie Brooker. Parte de um ponto muito universal, que são os personagens que habitam em torno de um reality. O diretor, o assistente de produção e os participantes são parecidos em todos os lugares do mundo, mas a partir do capítulo 6, os personagens brasileiros e inéditos assumem a narrativa. É a nossa contribuição para a obra original.

Com 10 episódios, Reality Z estreia na Netflix em 10 de junho.