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The Mandalorian encerra seu arco principal e gera dúvidas sobre o futuro

Segunda temporada promove nova participação especial já em tom de despedida

Marcelo Hessel
18.12.2020
11h31
Atualizada em
18.12.2020
17h26
Atualizada em 18.12.2020 às 17h26

[Atenção: contém spoilers de The Mandalorian]

Pela estrutura descompromissada dos seus episódios, com os “planetas da semana”, e pelo escopo do seu arco principal, não seria estranho se The Mandalorian se estendesse por quatro ou cinco temporadas na jornada de proteção d’A Criança. Afinal, narrativas que inspiram Star Wars, como a do Lobo Solitário, se dilatam por anos seguindo essa dinâmica (com a “vantagem” de que o Baby Yoda não envelhece na mesma velocidade de Daigoro, o bebê de Itto Ogami). Pois o desfecho da segunda temporada encerra esse arco - e pode indicar que The Mandalorian não durará tanto tempo assim.

O episódio final já prometia um clímax que encerrasse a participação de Moff Gideon, o imperial interpretado por Giancarlo Esposito que surgiu no final da primeira temporada como o próximo grande vilão da série. De posse do bebê Jedi, Gideon atrai para seu cruzador as forças conjuntas de Din Djarin, de Boba Fett e também de Bo-Katan Kryze - um pequeno “dream team” de armaduras mandalorianas capaz de rivalizar com uma centena de troopers (descontados aí os droides troopers pretos que a série foi construindo em suspense e Gideon guardou para ser seu último recurso na temporada).

Peyton Reed volta a dirigir um episódio de The Mandalorian depois da divertida aventura dos ovos no planeta congelado, e sua margem de manobra fica mais estreita, já que o finale se desenrola como uma clássica invasão de nave imperial, cheia de tiroteios de lasers e diálogos expositivos para tratar de planos, contextos e repercussões. A participação final de Gideon basicamente se resume a explicar para Din Djarin o que ele não sabe sobre a disputa de sucessão de Mandalore, que envolve o sabre-de-luz negro e os projetos políticos de Bo-Katan desde os tempos de Clone Wars.

Com o encerramento do arco de Grogu, que na falta de Ahsoka Tano encontra refúgio nos braços de um Luke Skywalker recém-saído de O Retorno de Jedi, as atenções se voltam para os mandalorianos. Numa temporada que viu o foco da série se dividir em outras pontas da mitologia de Star Wars - dos acertos de contas de Boba Fett à dissidência Jedi de Ahsoka - o desfecho sugere que o arco de Din Djarin voltará a ser, por enquanto, o fio condutor da narrativa, agora que ele tomou o sabre de Gideon e portanto conquistou o direito de liderar o povo mandaloriano.

Não deixa de ser um desdobramento importante e esperado, do ponto de vista do arco narrativo do protagonista, que afinal é testado na sua fé desde que encontrou os mandalorianos não-fundamentalistas no começo da temporada. Cada vez mais, Djarin vai tirando o capacete (são duas vezes nesse final de segunda temporada, contra uma vez no final da primeira) e simbolicamente isso nos diz que o Mandaloriano está encontrando uma verdade para si que não seja mais herdada por dogmas e sim descoberta dia após dia, na prática.

The Mandalorian pode então se encurtar porque, afinal, muitos dos desdobramentos da temporada devem ser abordados em séries derivadas; a menção a Thrawn ficou provavelmente para a série solo de Ahsoka, e as jornadas de Cara Dune e Migs Mayfeld caberiam na nova Rangers of the New Republic. A cena pós-créditos anuncia “O Evangelho segundo Boba Fett” mas isso pode ser só o título da terceira temporada, e não uma série à parte. Por fim, sob a proteção de Luke, o futuro do Baby Yoda é incerto, se lembrarmos o desfecho trágico da nova escola de jovens jedi de Skywalker - mas fiquemos por enquanto com o final feliz da despedida entre o Mandaloriano e a Criança.

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