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Star Wars | As HQs comprovam: Darth Vader ainda é o personagem mais interessante da saga

Série da Marvel devolve o mistério ao vilão

Marcelo Hessel
10.11.2015
12h22
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

Vai fazer um ano que a Marvel Comics tem publicado as novas HQs de Star Wars como parte do cânone oficial da saga, a maioria delas ambientada durante a trilogia clássica. Entre histórias interessantes do ponto de vista do gênero (como o misto de assalto e horror de sobrevivência espacial em Lando) e outras como valorização de personagens (a "princesa sem reino" Leia marcando posição na sua minissérie), porém, nenhum é melhor que a de Darth Vader.

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Primeiro, porque o período imediatamente posterior ao Episódio IV, quando a Aliança Rebelde consegue destruir a Estrela da Morte e infligir a primeira grande derrota ao Império, é um momento crítico da relação entre Vader e o Imperador. Tanto a série Darth Vader quanto a principal da linha, Star Wars, se ocupam desse período, e nas HQs o lorde negro precisa mostrar o seu valor a Palpatine e justificar sua fama de carrasco do Império.

Paralelamente, Vader descobre que o piloto da Aliança que ele tem caçado, protegido de Obi-Wan, é seu filho: momento de impacto tão incontornável que é contado duas vezes, nas duas séries. A descoberta não só desperta sentimentos passados, os sonhos que Anakin nutria com Padmé, como gera o conflito central da série Darth Vader: o ex-jedi quer se provar para o Imperador e, ao mesmo tempo, percebe ter sido enganado quando Palpatine, em A Vingança dos Sith, disse que Anakin matara sua amada.

Essas conclusões - a frustração, a raiva da traição, a nova esperança de trazer Luke para seu lado - ficam implícitas nos desenhos de Salvador Larroca. Não fosse o punho cerrado, frequentemente, mal diríamos que Vader se corrói de fúria represada. Como no filme de 1977, o Darth Vader dessas novas HQs é uma figura monossilábica que só abre a boca para dar comandos ou intimidar interlocutores, e se o personagem mantém seu silêncio, por trás da máscara que não permite expressões, isso devolve a Vader o mistério - elemento crucial que tornou o sith um dos maiores vilões do cinema.

Nesse sentido, a grande realização do roteirista Kieron Gillen na série até agora é criar coadjuvantes e condições de interação que sirvam para alimentar esses conflitos de Vader. Se o protagonista é esse monolito de vilania, os tipos que o cercam compensam pela variedade (como o perspicaz Inspector Tanoth, o mais próximo que Sherlock Holmes já esteve de partir ao espaço) e, em alguns casos, pela excentricidade. Os dois droides psicóticos que trabalham para Vader, Triple Zero e BT-1, oferecem ótimas situações de humor (e, por que não, suspense) e não são apenas versões bizarras de C-3PO e R2-D2, como se temia quando foram revelados na HQ.

Ao cercar Vader de tipos perigosos, suspeitos ou oportunistas, Gillen não só torna a sua série uma leitura atraente pela imprevisibilidade como força o vilão a improvisar - algo que raramente imaginamos Vader fazendo. Ele se torna um tipo acuado, com a agenda de intenções que guarda apenas para si, enquanto todos os redor tentam aproveitar a fraqueza do Império para ganhos imediatos. Ao criar esse cenário, Gillen consegue refazer a empatia do leitor por Vader sem deixar o personagem menos vilanesco - e sem torná-lo uma vítima do destino.

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