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Kelly Marie Tran fala pela primeira vez sobre ofensas racistas e machistas

Desde que excluiu sua conta no Instagram, a atriz não se manifestou sobre o assunto

Mariana Canhisares
21.08.2018
11h16
Atualizada em
30.08.2018
17h52
Atualizada em 30.08.2018 às 17h52

A atriz Kelly Marie Tran se manifestou pela primeira vez após ser vítima de comentários racistas e machistas nas redes sociais. Em um artigo no jornal The New York Times, a Rose Tico de Star Wars afirmou que não será marginalizada pelos ataques online.

Lucasfilm/Divulgação

No texto, ela narra algumas de suas experiências anteriores em que também sofreu preconceito por ser mulher e ter descendência vietnamita. Assim, mostra que as ofensas, comuns ao longo da sua vida, não foram o fator que culminou na sua saída do Instagram. Mas sim o fato de que começou a acreditar nelas.

"As palavras pareciam confirmar o que aprendi ao crescer como uma mulher e uma pessoa de cor: pertenço às margens, válida apenas como uma personagem menor nas suas vidas e histórias.

"[...] As palavras deles reforçaram a narrativa que ouvi durante toda a minha vida: que eu era o 'outro', que não pertencia, que não era boa o suficiente simplesmente porque não era como eles. Percebo agora que esse sentimento foi e é vergonha pelo que me torna diferente, vergonha da cultura da qual vim. E, para mim, o mais decepcionante é que senti tudo isso."

A atriz, então, conta que começou a se culpar, justificando a si mesma que não era magra o suficiente e que, talvez, se não fosse asiática, fosse mais aceita. "Durante meses, entrei em uma espiral de ódio, entrei nos recessos mais sombrios da minha mente, lugares onde me rasguei, onde coloquei as palavras deles acima da minha própria auto-estima."

"Foi então que percebi que fui enganada. Fizeram uma lavagem cerebral em mim para que acreditasse que minha existência foi limitada às fronteiras da aprovação do outro. Me fizeram acreditar que meu corpo não era meu, que sou bonita apenas se outra pessoa acreditar nisso, independentemente da minha opinião. Ouvi isso várias vezes da mídia, de Hollywood, das empresas que lucram com as minhas inseguranças, me manipulam para que compre suas roupas, suas maquiagens, seus sapatos para preencher um vazio que foi perpetuado por eles em primeiro lugar".

Kelly Marie Tran conclui que quer viver em um mundo em que crianças e adolescentes de outras etnias não cresçam sonhando em ser brancos ou que as mulheres não sejam vítimas de escrutínio pela sua aparência e existência. Em resumo, que todos sejam vistos como seres humanos.

"Esses pensamentos surgem na minha cabeça toda vez que pego um roteiro ou um livro. Sei que a oportunidade que tive é rara. Sei que pertenço a um pequeno grupo de pessoas privilegiadas que vive para contar histórias, que são ouvidas e vistas por um mundo que, durante tanto tempo, só provou da mesma coisa. Sei o quão importante isso é. E não vou desistir.

"Vocês podem me conhecer como Kelly. Sou a primeira mulher de cor a ter um papel de protagonista em um filme da franquia Star Wars. Sou a primeira mulher asiática a aparecer na capa da Vanity Fair. Meu nome verdadeiro é Loan. E só estou começando."

Leia o texto na íntegra, em inglês, aqui.

Tran nasceu nos EUA, mas seus pais são do Vietnã, o que a torna a primeira atriz de origem asiática com destaque na trama. Em dezembro do ano passado, a página da atriz na Wookiepedia, uma das maiores enciclopédias online de Star Wars, foi editada com comentários racistas - saiba mais. Na época, o roteirista Bryan Young disse que o caso era "chocante e triste"Mark Hamill e o diretor Rian Johnson defenderam publicamente a atriz - veja aqui e aqui

Sem título revelado até o momento, o Episódio IX de Star Wars chega aos cinemas em 20 de dezembro de 2019