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“Star Wars é igual uma novela, mas no espaço”, diz George Lucas

Criador da franquia fala em entrevista a James Cameron sobre inspirações para a saga

Fábio de Souza Gomes
18.06.2018
18h16
Atualizada em
29.06.2018
02h46
Atualizada em 29.06.2018 às 02h46

George Lucas revolucionou o cinema quando lançou Star Wars. Com uma nova abordagem, o diretor e roteirista criou um universo que segue vivo até os dias de hoje e, durante uma conversa com James Cameron que será publicada no livro James Cameron’s Story of Science Fiction, da Insight Editions - obra baseada na série A História da Ficção Científica por James Cameron, do canal AMC - ele explicou como criou a saga e garantiu que seus filmes não são ficções cientificas tradicionais.

Divulgação/Star Wars

“Eu gosto de naves espaciais, mas não é na ciência, nos aliens e nessas coisas que eu foco. É em como ‘as pessoas reagem a essas coisas?’ E como elas se adaptam a isso? Isso é que realmente me fascina. Eu disse algumas vezes que Star Wars é uma ópera espacial, não uma ficção cientifica. É uma dessas novelas, mas no espaço”, afirmou em trecho divulgado com exclusividade ao OMELETE.

Segundo Lucas, ele cursou antropologia na faculdade e sempre se interessou muito pelos sistemas sociais que regem a sociedade. Porém, a ideia de criar um mundo completo, com suas próprias regras e realidade, surgiu especialmente por conta da influência de Duna e Senhor dos Aneis. “Toda a organização da sociedade e como ela funciona. Era isso que me interessava em ficção cientifica. Eu gostava de Ray Bradbury. Gostava de [Isaac] Asimov. Mas muito do que eu lia era história. Descobri muito cedo que a história que aprendemos na escola – ‘essa é a data, isso aconteceu’ – não é história. História é sobre aprender a psicologia das pessoas que estavam fazendo [coisas no passado] e os problemas que elas tinham. Os motivos que as levaram a fazer algo, e o que estavam pensando. Que incidentes em suas vidas [as influenciaram]. Isso é fascinante”, explica.

Lucas explica para Cameron que, historicamente, o foco dos grandes contos nunca são as guerras mas, sim, os personagens. Então, para criar as fundações de Star Wars, Lucas estudou mitologia, comparou religiões e tentou trazer sua visão para algo palpável para o público. “Quase todas as religiões estão promovendo o lado “bom”. E o lado bom, de maneira simples, se resume a Deus é Amor. E todas dizem isso de uma maneira diferente, mas todas dizem a mesma coisa. E que ser egoísta é baseado no medo – a batalha entre ter medo e não temer. Você tem medo de tudo e de todos, então você mascara isso com outras coisas. Mas se você for corajoso o suficiente para ter compaixão com outras pessoas, independente das consequências, você terá uma vida feliz. Do outro lado, se você tiver medo, for ganancioso, vai viver nesse ciclo eterno de medo. Isso te fará triste, com medo... Yoda, Yoda, Yoda! É sobre isso que ele fala no fim das contas. Ou você vive uma vida com compaixão ou viverá uma vida egoísta”, explica.

A História da Ficção Científica por James Cameron, cujo o livro foi baseado, terá seu último capítulo exibido no canal AMC no dia 19 de junho.

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