The Reflection | Conheça o anime cocriado por Stan Lee

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The Reflection | Conheça o anime cocriado por Stan Lee

Lenda dos quadrinhos assina animação ao lado de Hiroshi Nagahama

Gabriel Avila
26.11.2018
13h17
Atualizada em
26.11.2018
13h42
Atualizada em 26.11.2018 às 13h42

Em 2017 chegava às TVs japonesas The Reflection, um anime escrito por Stan Lee em parceria com o renomado diretor Hiroshi Nagahama. Lenda das histórias em quadrinhos, Lee nunca parou de se aventurar em novas produções durante sua vida, afinal o quadrinista, que é responsável pela criação de grande parte do Universo Marvel que conhecemos, bate cartão em filmes, já foi convidado a reimaginar heróis da concorrente DC Comics e até mesmo já havia escrito mangás publicados por sua empresa Pow Entertainment - The Reflection é uma parceria entre a própria Pow e o renomado estúdio Deen (Roruni Kenshin, Fate/Stay Night). Além de escrever o texto ao lado de Nagahama, Lee ficou encarregado da produção-executiva e da narração dos episódios. Porém, mesmo com seu grande envolvimento, a série não faz jus ao hype e acaba se perdendo em meio a onda de grandes títulos focados em super-heróis.

Do dia para a noite uma parte da população mundial desenvolve superpoderes após um misterioso evento chamado "Reflection". Três anos após esse curioso fenômeno uma série de ataques aparentemente aleatórios começam a acontecer e cabe aos novos e inexperientes heróis lidar com as ameaças enquanto tentam descobrir mais sobre o Reflection e sua causa. No decorrer da trama, são apresentados diversos heróis e vilões com diferentes pontos de vista nesse mundo pós-evento, desde pessoas que ganharam uma nova chance graças aos poderes até aqueles que buscam vingança e acham nos dons sua chance de realizá-la.

Com foco em homenagear os quadrinhos de super-heróis, a série não esconde sua influência no trabalho do próprio Stan Lee. Os primeiros episódios já fazem referências quase explícitas aos heróis da Marvel, como o conceito de um evento que confere superpoderes após o contato com uma substância misteriosa (Inumanos), a aparição de um herói tecnológico com problemas com ego e álcool (Homem de Ferro), e a discussão entre o papel de super humanos em meio a uma sociedade que tende a odiá-los (X-Men). Durante painéis de divulgação da série em convenções de quadrinhos, Hiroshi Nagahama afirmava amar os quadrinhos americanos e que era uma grande honra trabalhar ao lado de um ícone como Lee. Contudo, o tom experimental escolhido pelo diretor acaba prejudicando a premissa tão interessante.

O estilo visual da animação passa longe do padrão, o que não seria um problema se o resultado fosse atrativo de alguma forma. Os grandes trabalhos de Nagahama estão cheios de experimentações, como é o caso de Detroit Metal City e Mushi-shi. Em The Reflection, entretanto, pouco se encaixa. Os cenários não têm vida e muitas vezes parecem apenas storyboards sem qualquer tipo de polimento, que unidos a uma paleta de cores pouco atrativa passa a sensação de preguiça, não assinatura. Embora o diretor defenda que a intenção era fazer uma espécie de "quadrinhos animados", há meios mais efetivos para chegar a uma animação que faça jus a proposta, especialmente porque não é apenas no visual que o anime peca. Seu ritmo é exageradamente lento, tanto em simples diálogos quanto nas cenas de ação, que ao invés de empolgar parecem estar ali apenas de forma burocrática.

Para os fãs é divertido assistir Lee expandir sua famosa "aparição" ao servir de base para o visual do grande vilão Mr. Mystic, mas essa brincadeira metalinguística não é o suficiente para garantir o anime como um ponto alto na gloriosa carreira do quadrinista. Com essa grande explosão de super-heróis na cultura pop na última década, diversos animes de extrema qualidade abordando o tema se tornaram populares entre o público, mas enquanto séries como One Punch-Man e My Hero Academia ganham audiência com histórias divertidas e recheadas de lutas memoráveis, The Reflection se torna esquecível. Mesmo contando com um dos grandes responsáveis pela popularização do gênero não traz nada realmente inovador.

O anime é completo em uma temporada de 12 episódios, que está disponível no Crunchyroll.