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Créditos da imagem: Stan Lee/Fandango/Reprodução

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Stan Lee | Como foram os últimos dias da lenda da cultura pop

Polêmicas, abuso e conciliação com a filha marcaram o período

Fábio de Souza Gomes
12.11.2018
16h19
Atualizada em
12.11.2018
16h31
Atualizada em 12.11.2018 às 16h31

Stan Lee é uma lenda dos quadrinhos e do cinema, marcando a vida de uma geração de fãs de heróis desde os anos 60. Porém, seus últimos dias foram recheados de polêmicas e acusações de abuso por parte de seu assistente, Keya Morgan, e o quadrinista passou por um dos períodos mais difícieis de sua vida.

Em abril, o THR revelou que Lee sofria abusos de sua única filha, J.C. Lee. A mulher foi acusada de causar danos físicos e psicológicos em seu pai, assim como em sua mãe, Joan Lee, que faleceu em julho do ano passado.

O site conseguiu um documento de fevereiro deste ano assinado pelo próprio Stan Lee no escritório de seu então advogado, Tom Lallas, onde ele acusava três homens – Jerardo “Jerry Olivarez (cuidador de Lee na época), Keya Morgan (atual cuidador de Lee)e Kirk Schenck (advogado de J.C. Lee) – de tentar controlar suas propriedades e dinheiro. Eles teriam influenciado sua filha que, de tempos em tempos, exigia mudanças em seu testamento, incluindo a transferência de propriedades para seu nome.

Poucos dias depois, Lallas foi demitido como advogado de Lee e ele contratou diversas novas pessoas – um novo contador, um novo assistente, um novo cuidador e até um novo jardineiro. Com isso, Keya Morgan começou a tomar conta da vida do quadrinista e, assim que foi informado que o THR contava com o documento, Lee gravou um vídeo onde dizia: “Minha relação com minha filha nunca foi melhor. E meu amigo Keya Morgan e eu temos uma ótima relação”. Porém, os fãs perceberam que havia alguma coisa de errada com o quadrinista.

A última aparição pública de Lee foi durante a Silicon Valley Comic Con e muitos fãs descreveram sua participação como perturbadora, com o criador do Homem-Aranha aparentemente sendo forçado a caminhar pela convenção contra sua vontade. Lee aparecia em vídeos defendendo Morgan ao mesmo tempo que começou a se afastar cada vez mais de seus amigos e associados – chegando, inclusive, a abrir um processo contra a Pow!, empresa que fundou e tomava conta de suas redes sociais. As coisas estavam estranhas, mas tudo começou a mudar em agosto.

Após Morgan ser preso em Los Angeles sob a acusação de preencher um relatório policial falso, Lee imediatamente retomou a relação com a Pow! e entrou com uma ordem de restrição contra o suposto assistente, que acusava de roubar objetos e dinheiro. “Eu aprendi tarde na vida que você precisa de conselheiros se fizer algum dinheiro na vida. Eu fiz tudo sozinho. Os primeiros dez anos da minha vida, quando escrevi Super Rabbit, e então quando criei todos esses personagens, incluindo o Hulk – eu cuidei de tudo. Eu paguei todas as contas, fiz a contabilidade, cuidei de tudo. E então algum dinheiro a mais começou a entrar e eu percebi que precisava de ajuda. Precisava de pessoas em quem pudesse confiar e cometi alguns grandes erros. As primeiras pessoas que contratei são pessoas em quem eu não deveria ter confiado”, afirmou em entrevista recente ao Daily Beast. 

J.C. Lee, na mesma entrevista, também fez as pazes com seu pai e negou ter abusado de qualquer maneira do quadrinista – que no seus últimos dias tratou de tranquilizar os fãs. “Eu não poderia pedir uma vida melhor. Se pelo menos minha mulher ainda estivesse conosco...”, disse em sua última entrevista.

O quadrinista faleceu aos 95 anos.