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Sin City | 25 curiosidades nos 25 anos da HQ de Frank Miller

Série que trouxe de volta o gênero policial aos quadrinhos mainstream faz aniversário

Érico Assis
26.04.2016
12h43
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

Foi em abril de 1991 que Frank Miller, na época já um dos quadrinistas mais consagrados do mundo, lançou um projeto particular e peculiar. Sua nova HQ não teria super-heróis. Não sairia por Marvel nem DC. Não teria cores. E seria de um gênero em baixa há décadas: os crime comics, ou quadrinhos policiais.

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Miller lançou Sin City há 25 anos e, a partir dali, sua carreira atingiu novos auges. Depois de uma década premiada nos quadrinhos, a cidade do pecado ganhou nova vida no cinema e deu ao autor um prestígio que ele com certeza não esperava após relações de amor e ódio com Hollywood. E, aos leitores, deu um universo noir violento, com arte exuberante.

Hidrantes

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Corta para 1990. Depois de Demolidor, Ronin, Cavaleiro das Trevas, Elektra Assassina, Batman: Ano Um, Frank Miller foi parar em... Hollywood. Contratado para escrever o roteiro de Robocop 2, teve todos seus sonhos de contador de histórias destruídos. "O roteiro é um hidrante", dizia ele, "e tem uma fila de cachorro, de dar a volta na quadra, esperando para mijar". Perseverante, ele também escreveu Robocop 3. A experiência foi pior.

O primeiro portfólio

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Em 1976, Frank Miller chega a Nova York com seu portfólio embaixo do braço. Na pasta, HQs protótipos de Sin City, de um gênero praticamente extinto nos quadrinhos dos EUA desde os anos 1950, o policial. O tom soturno dos desenhos de Miller levaram-no ao Demolidor, o herói da Marvel que chegava mais perto desse gênero urbano policial, e que andava mal de vendas na época.

Na retrospectiva abaixo, relembramos o que faz Sin City ser Sin City e por que a série é um marco para as HQs.

De volta à prancheta

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Enquanto trabalhava para Hollywood, Frank Miller abandonou a prancheta. Resolveu escrever roteiros de HQ para os amigos: Liberdade com Dave Gibbons, Hard Boiled com Geof Darrow. Com a desilusão no cinema, ele decidiu que teria controle total sobre sua obra: uma coisa que criasse sozinho e entregasse pronta. Da mistura do desengano com a determinação veio Sin City.

The Spirit (2008)

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A decisão de Frank Miller de transformar em filme The Spirit, uma das mais conhecidas séries criminais dos quadrinhos americanos, se deve muito ao sucesso do Sin City de 2005. O visual de cores estilizadas e os recursos dos fundos digitais, porém, não foram suficientes para transformar este longa solo de Miller como diretor em sucesso de bilheteria.

The Hard Goodbye (1991-1992)

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As oito primeiras páginas de Sin City saíram em Dark Horse Presents Fifth Anniversy Special, edição comemorativa da antologia na editora que virou casa de todos os novos projetos de Miller. O casca-grossa Marv ganha a noite da sua vida com uma prostituta e, ao acordar no dia seguinte, ela está morta. A yarn - como Miller chama suas histórias de Sin City - teve sequência em capítulos curtos na Dark Horse Presents, numa trama hiperviolenta que apresentava os bares, os assassinos e os poderosos de Basin City.

Sin City em 1945

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Sem contar os filmes, faz 15 anos que Frank Miller não senta na prancheta para desenhar novas Sin City. Mas diz que vai voltar: em entrevistas recentes, ele revela que sua próxima história se passa na Segunda Guerra Mundial e seus heróis vão enfrentar nazistas. Entre anunciar um projeto e publicar, porém, o quadrinista tende a levar vários anos. Até lá, ficam as yarns da Cidade do Pecado para reler, reassistir e reanalisar detalhe por detalhe.

Spillane

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O escritor Mickey Spillane (1918-2006) é a influência declarada de Miller em Sin City. Embora nomes como Raymond Chandler e Dashiell Hammett sejam mais lembrados na literatura policial americana, sobretudo pelas histórias de detetives, Spillane era o autor mais sujo, mais porrada. Seu principal personagem, Mike Hammer, era "praticamente Conan, o Bárbaro, de detetive particular", segundo Miller. A descrição também cabe em Marv.

Sin City 2: A Dama Fatal (2014)

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Entre problemas de cronograma, elenco e roteiro, a sequência do filme de 2005 levou quase dez anos para ficar pronta e provocou decepção em muitos. Apesar de seguir a proposta do primeiro filme, de ter duas tramas que Miller criou apenas para o cinema e de Eva Green, A Dama Fatal talvez tenha sofrido nas bilheterias porque não apresentou nada de inovador em relação ao longa anterior, com exceção do 3D.

Um mundo preto e branco

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Miller queria controle total, por isso escrevia, desenhava, letreirava e não deixava nem coloristas chegarem perto de suas páginas. Além disso, o preto-e-branco ressaltava a atmosfera noir que ele queria nas histórias - mesmo sem nem um tom de cinza. Embora tenha mais hachuras, drapeados e curvas, a primeira história de Sin City já explora o alto contraste e as linhas retas que virariam marca da série.

Estrela

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Mesmo que a experência de Frank Miller em Hollywood não seja sempre bem sucedida para o autor, ele não se furta a fazer participações especiais nos filmes. Não chega a ser um Stan Lee, mas Miller já apareceu como um químico em RoboCop 2, um cadáver em Demolidor, e no primeiro Sin City ele faz o padre para quem Marv se confessa.

A Dama Fatal (1993-1994)

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A segunda história de Sin City saiu primeiramente como minissérie. Foi a estreia de Dwight McCarthy, o personagem mais frequente da Cidade do Pecado - o cara comum, com forte senso de justiça, mas com um tesão violento pela mulher errada. O clichê da femme fatale ganha outro nível de violência na trama, cujo desenvolvimento vai somando policiais corruptos, prostitutas porradeiras e garotas ninjas.

Sin City (2005)

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Miller não queria chegar nem perto de Hollywood depois de suas experiências com Robocop 2 e 3. Mas Robert Rodriguez resolveu filmar, por conta e risco, um dos yarns de Sin City só para mostrar ao quadrinista como a transição de sua obra para o cinema seria límpida. Miller se convenceu com o curta e acabou co-assinando a direção do longa-metragem de elenco estrelado, que virou sucesso de crítica e de bilheteria.

O melhor elogio

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Uma das medidas do sucesso de Sin City: as cópias. Especificamente do estilo de desenho de Miller, que ficou puto ao ver Mike Netzer, Scott McDaniel e até Jim Lee imitando seu alto contraste em HQs da época. Na primeira edição de A Dama Fatal, Marv aparece pisando num personagem parecido com Deathblow, o supersoldado que Lee desenhava. Por outro lado, faltou Miller dizer que pelo menos conhecia José Muñoz e seus quadrinhos em belíssimo alto contrate desde os anos 1970.

Ressuscitando um gênero

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Os quadrinhos policiais, os crime comics, estavam em baixa nos EUA desde os anos 1950. Sin City ajudou a revitalizar o gênero. Assim, séries como Balas Perdidas, 100 Balas, Parker e Criminal devem bastante ao sucesso de Miller com a cidade do pecado. E, sendo sucessos de crítica e público, só fazem bem à diversidade das HQs.

Basin City

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Com os becos de Nova York, as estradas sinuosas de Los Angeles e os desertos de Las Vegas, Basin City é a cidade que você quiser que seja. Nunca fica claro onde Miller situa sua cidade do pecado, embora o autor reconheça que a inspiração para a série seja sua experiência quando foi morar na Califórnia. O certo é que o clima ajuda quando se quer drama visual: tempestades e nevascas podem acontecer a qualquer instante.

De Volta ao Inferno (1999-2000)

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Wallace, ex-soldado, agora artista e cozinheiro, vê uma bela mulher tentando cometer suicídio. Ao salvá-la, ele se envolve em uma imensa conspiração que chega até os poderosos de Sin City. A mais longa história de Sin City, originalmente uma minissérie em nove capítulos, tem entre os destaques a sequência da alucinação de Wallace, toda colorida pela aquarela de Lynn Varley e cheia de referências a outras HQs de Miller.

A Grande Matança (1994-1995)

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Dwight está de volta, agora metido numa enrascada entre a polícia e as prostitutas da Cidade Velha. Para combinar com as esquisitices da série - ou com o que Miller está a fim de desenhar - a trama inclui uma cabeça decepada que dá voltas e voltas pela cidade e até... dinossauros. A minissérie foi a primeira vez que Miller deixou a (ex-)esposa Lynn Varley pintar Sin City - mas só nas capas. 

Os prêmios

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Os dois maiores prêmios de quadrinhos nos EUA, o Eisner e o Harvey, só surgiram no fim dos anos 1980, depois de Demolidor, Cavaleiro das Trevas e de outros marcos na carreira de Miller. Sin City foi a chance do autor encher a estante nos anos 1990: foram dois Harveys e seis Eisners - incluindo a entrada do quadrinista no Hall da Fama do Eisner, reservado a lendas da indústria, em 1998.

Coreografia e ritmo

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Desde Demolidor, Miller já era um mestre em coreografia nos quadrinhos: nos layouts, nas escolhas de enquadramento e tamanho das figuras, nas viradas de página, ele tenta estabelecer um controle ferrenho do ritmo de leitura do leitor. E, quando quer impacto, consegue. Você sente os socos, você sente a lâmina de Miho cortando uma mão, uma bala estourando uma cabeça. Cada sequência é uma aula de narrativa.

A Comédia e o Poder

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Todas as histórias de Sin City são conectadas não só pelo cenário urbano, mas por personagens secundários. De um lado, figuras como os assassinos tagarelas Fat Man e Little Boy ou os habitués do bar da Kadie (como Weevil, um sósia de Wolverine) ocupam o pano de fundo geralmente como alívio cômico. De outro, os nomes da família Roark e das Organizações Wallenquist pairam como forças malignas que têm o controle tanto da política quanto do submundo.

Carros

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Os personagens de Sin City não só dirigem, mas também gostam de falar de seus Studebaker, Jaguares, Mustangs, Mercedes, Cadillacs e Fuscas. E Miller faz questão de reproduzir as linhas dos carros com precisão no seu alto contraste. Em visita recente ao estúdio do quadrinista, a revista Hollywood Reporter fotografou uma estante cheia de carrinhos miniatura: referência, mas também paixão de Miller.

A Noite da Vingança (1997)

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Dwight volta à posição de protagonista. A mando das meninas da Cidade Velha, ele vai investigar uma matança promovida pela máfia. O destaque da história fica por conta da "pequena e letal" Miho, a assassina ninja que corta braços e cabeças como se fossem manteiga. É a primeira - e até agora única - graphic novel original de Sin City.

O Assassino Amarelo (1996)

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A trama da quarta história de Sin City atravessa quase uma década e enfoca a relação entre o policial John Hartigan e a stripper Nancy Callahan - a menina que ele salvou, quando criança, das mãos de um pedófilo da família Roark. Marv, Dwight, as meninas da Cidade Velha e outros personagens das outras yarns da série fazem sua participação, dando coesão à cidade.

Os Especiais (1994-1997)

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Seguindo a ideia de histórias do tamanho que precisarem ter, Miller começou a lançar especiais com histórias completas ou coleções de curtas. Foram cinco: A Dama de Vermelho e Outras Histórias; Perdida, Sozinha e Mortal; Noite de Paz; Sexo & Violência; e Apenas Outra Noite de Sábado. Estas e outras curtas acabaram reunidas em volume único: Balas, Garotas & Bebidas - e também marcam as primeiras inserções pontuais de cor na série, como vestidos azuis e lábios vermelhos.

Sem medida

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Outro aspecto do controle total de Miller é dar às histórias o tamanho que ele bem entender. A primeira, que deveria ter ficado em capítulos de oito páginas, de repente ganhou um capítulo de 48. As minisséries, que as editoras costumam lançar com tamanho regular, ganhavam mais páginas conforme a vontade do autor, que botava dez páginas de seu herói caminhando na chuva, por exemplo. Se quisesse uma página dupla, só com um "BOOM", era Miller que mandava.

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