Cena de “Bart the Bad Guy”, de Os Simpsons

Créditos da imagem: Os Simpsons/Fox/Reprodução

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Os Simpsons brinca com fobia de spoilers em sátira dos Vingadores

Com participações dos irmãos Russo e do Kevin Feige, episódio especial sobre MCU ensina a Bart que com grandes poderes vem grandes privilégios - quer dizer, responsabilidades

Mariana Canhisares
02.03.2020
18h44

Com grandes poderes vem grandes responsabilidades. A clássica lição do tio Ben ganhou uma nova cara em “Bart the Bad Guy”, episódio do último domingo (1º) de Os Simpsons. Satirizando a influência do MCU na vida dos fãs, a animação trouxe participações mais do que especiais para zoar o heroísmo e a vilania da vida cotidiana por meio dos temidos spoilers.

Depois de 11 meses da estreia de Vindicantes: Guerra de Cristal, a versão da produção de Matt Groening para Vingadores: Guerra Infinita, Bart consegue colocar suas mãos na tão aguardada sequência. Assim como Ultimato, o lançamento revela de uma vez por todas se a vitória Chinnos - um Thanos com muitos, mas muitos queixos, e dublado por ninguém menos que Kevin Feige - é realmente irreversível. Afinal, o longa anterior termina com todos os heróis virando… gelo. Logo, quaisquer notícias sobre a trama são muito valiosas.

É interessante notar que a famosa equipe de heróis aqui é formada por tipos que misturam os personagens da Marvel Comics com outras tantas referências. Ao mesmo tempo que há Homem Magnésio, um claro aceno ao Homem de Ferro de Robert Downey Jr., há também um homem-tubarão que mais parece o Tubarão Rei da DC Comics do que efetivamente um Hulk, e um Pantera Negra com quê de Dr. Facilier, de A Princesa e o Sapo.

Sendo uma das únicas pessoas no mundo que sabe com tanta antecedência como a história acabará, Bart de repente nota que, mais do que simples informações, ele tem nas mãos um verdadeiro poder. Mas, contrariando suas expectativas, sua influência sobre as pessoas não vem da vontade delas de ouvir os spoilers, mas sim de se proteger deles. A simples ameaça de estragar um ou outro detalhe da narrativa é suficiente para que todos façam o que ele bem entende. O dono da loja de quadrinhos entrega as suas action figures. A moça da cantina dá ao menino todo o almoço do dia. Até mesmo o diretor Skinner cede sua peruca com medo de saber o destino do seu personagem preferido. A ambição de Bart sobe tanto a cabeça que ele se transforma em um vilão.

Porém, é óbvio que a Disney, sendo um conglomerado tão poderoso, eventualmente descobriria sobre o garoto que sabia demais. Em um esquema mirabolante, os irmãos Russo - sim, os diretores de Guerra Infinita e Ultimato - criam uma experiência para convencer Bart de que dar spoilers pode ser prejudicial. Mas a dupla não apela para o bom senso do menino - por motivos óbvios, convenhamos. Na realidade, eles o convencem que os eventos dos filmes do universo cinematográfico acontecem em uma dimensão paralela e que os atos de Bart causaram a morte de Airshot, seu herói favorito.

Nessa experiência, Chinnos chega a tentar cortejar o garoto, prometendo os super-poderes que ele quiser caso conte os spoilers. No entanto, Bart é forte e salva os Vindicantes. Quer dizer, até a estreia oficial do filme. Quando os primeiros espectadores assistem ao filme, todos se esquecem do medo e compartilham eles mesmos os spoilers. Qualquer semelhança com a realidade…

A história por si só é muito divertida, principalmente considerando que ela é, no fundo, pouco absurda. Entretanto, são os pequenos detalhes do episódio que efetivamente conquistam o espectador. Para se certificar de que nem Bart, nem sua família descumpriram sua promessa com a Disney, os irmãos Russo plantam uma bomba debaixo da cama do casal de protagonistas. Após a notícia de que tudo correu bem, o explosivo é desarmado, com o comando aparecendo na fonte icônica do estúdio.

Mais uma vez, a acidez de Os Simpsons foi muito bem-vinda - ainda mais quando a série nos coloca para rir de nós mesmos.