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Xógum sem Mariko-sama é golpe, mas talvez valha a pena cair nesse

Série foi sucesso muito por mérito da personagem, mas também brilhou por si mesma

Omelete
3 min de leitura
Pedrinho
16.05.2024, às 19H59.
Atualizada em 16.05.2024, ÀS 20H10
Xógum sem Mariko-sama é golpe, mas talvez valha a pena cair nesse

A estreia de Xógum — A Gloriosa Saga do Japão renovou os ares nos dramas de streaming e agora a série foi renovada para mais duas temporadas. Produção americana com o sabor e a cara do Japão, a série estrelada por Hiroyuki Sanada, Anna Sawai e Cosmo Jarvis conquistou o público pelo seu estilo não apenas por sua trama a lá Game of Thrones, mas principalmente por apresentar uma estética original — nos padrões de Hollywood. Além disso, a primeira temporada entregou uma história sem mocinhos ou vilões etiquetados, apenas políticos em busca de mais poder.

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Na trama inspirada no livro homônimo publicado em 1975 por James Clavell, o lorde Yoshi Toranaga (Sanada) luta por sua vida enquanto seus inimigos no Conselho de Regentes do Japão se unem contra ele. É nesse momento em que o inglês Anjin/Blackthorne (Jarvis) chega num navio holandês para fazer frente à empreitada dos católicos portugueses nessa potencial nova colônia oriental. A vida dos dois se conecta graças à tradutora Toda Mariko (Sawai), uma nobre cristã de uma linhagem japonesa desonrada que toma a série para si em praticamente todos os episódios. Enquanto serve fielmente a Toranaga, ela se vê dividida entre o dever e o sentimento pelo estrangeiro.

Nenhum fã da produção afirmaria que a história seria a mesma sem ela. Seu protagonismo mostrou em vários momentos cruciais que a guerra dos homens não seria nada sem a sagacidade das mulheres que agem nos bastidores. No caso de Mariko é ainda mais especial, já que nela vemos todas as nuances possíveis da produção, como amor, ódio e determinação desde a primeira até sua última aparição.

Com isso, a temporada de dez episódios funciona muito bem, porém o problema é que o livro homônimo de Clavell acabou — e Mariko, responsável por conectar todas as tramas, morreu. Sem material original e sua melhor personagem para lhe dar sustentação, Xógum se arrisca a perder tudo o que conquistou em seu primeiro ano visando repetir seu sucesso. O público está lá e há uma história a ser continuada, entretanto, não se tem garantias de que será possível manter a energia criada na primeira leva de episódios.

Ainda assim, será um prazer revisitar o universo dos samurais japoneses tão lindamente criada pela versão da Disney, a segunda adaptação do romance de Clavell. Acompanhar as aventuras dos personagens de Xógum é como se transportar para o Japão feudal e experimentar um universo pouco explorado pelos estúdios hollywoodianos. Agora, resta esperar que os roteiristas encontrem uma substituição a altura para a personagem de Sawai.

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