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Séries e TV
Entrevista

“Não há nenhuma série como essa”: Matthew Rhys e cia. falam de Widow’s Bay

Produção do Apple TV mistura terror e comédia em história de ilhota assombrada nos EUA

Omelete
7 min de leitura
29.04.2026, às 06H00.
Matthew Rhys em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)

Créditos da imagem: Matthew Rhys em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)

Quando o Apple TV nos convidou para falar de O Segredo de Widow’s Bay, nova série da plataforma, com o elenco e a criadora, eu já sabia a primeira pergunta que queria fazer: e aí, como diabos fazemos para explicar essa série para quem ainda não a assistiu?

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Na verdade, essa é uma ótima pergunta, porque não consigo pensar em outra série que seja parecida com a nossa… o que acho empolgante, de certa forma”, admitiu imediatamente a criadora e roteirista Katie Dippold.

O elenco presente na entrevista, liderado por Matthew Rhys (The Americans), até tentou resumir a ópera em duas palavras – “suspense e mistério”, “cata-vento tonal”, “assustador e enevoado” –, mas no fim das contas o protagonista precisou zombar do resultado.

Sim, mas são todos termos muito misteriosos para esta série. Espero que vocês se interessem mesmo assim. Espero que não tenhamos acabado de estragar tudo para o Brasil”, disse o ator.

A saber: em O Segredo de Widow’s Bay, Rhys interpreta Tom Loftis, prefeito de uma cidade-ilha minúscula no litoral da Nova Inglaterra, nos EUA. Ele tenta transformar o local em um destino turístico, mas não enfrenta apenas o ceticismo dos cidadãos – eles acham, na verdade, que a ilha é amaldiçoada, e trazer estrangeiros para lá é perigoso.

O resultado dessa premissa é uma mistura inteiramente original de comédia de costumes interiorana, terror folk e trama de mistério repleta de reviravoltas. Confira a seguir a conversa completa do Omelete com Dippold, Rhys e seus colegas de elenco Stephen Root (Corra!) e Kate O’Flynn (My Lady Jane).

OMELETE: Oi pessoal, sou o Caio, do Omelete, no Brasil. Prazer em conhecê-los!

O'FLYNN: Prazer em conhecê-lo!

DIPPOLD: Oi, Caio, prazer em conhecê-lo.

RHYS: Prazer em conhecê-lo!

ROOT: [Em português] Tudo bem?

OMELETE: [Risos] Tudo bem! Bom, Widow's Bay tem uma mistura muito única de tons, de diferentes gêneros, então eu gostaria de saber se cada um de vocês poderia tentar descrever a "vibe" da série para as pessoas que ainda não a viram.

RHYS: Vamos lá, duas palavras cada, o que acham? Eu diria: suspense e mistério.

O'FLYNN: Cobertor inesperado [Risos] Oh, espere, posso mudar? Cata-vento tonal.

RHYS: Meu Deus. Maravilhoso.

ROOT: Assustador e enevoado.

RHYS: Sim, são todos termos muito misteriosos para esta série. Espero que todos se interessem. Espero que não tenhamos acabado de estragar tudo para o Brasil.

DIPPOLD: Na verdade, essa é uma ótima pergunta, porque não consigo pensar em outra série que seja parecida com a nossa… o que acho empolgante, de certa forma. Eu diria que ela é provavelmente mais realista do que você imagina, mas depois cresce ao longo da temporada para um lugar mais extremo. Eu diria que as atuações são incríveis. Acho que há humor, tensão e terror, e é uma mistura cuidadosa desses sentimentos.

Matthew Rhys e Stephen Root em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)
Matthew Rhys e Stephen Root em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)

OMELETE: Certo! Bem, por ser uma premissa tão interessante, há uma curiosidade natural sobre o que te inspirou a escrever a série, Katie. De onde veio a ideia, e o que você credita como sua principal inspiração?

DIPPOLD: Quando eu era criança, crescendo em Nova Jersey nos anos 1980, havia um calçadão em Long Branch [com várias casas mal-assombradas e experiências voltadas para o terror], que era aterrorizante. Eu era jovem demais, mas ia mesmo assim com minha família. Era muito divertido, eu ficava tonta de empolgação, mas também estava com muito medo. E eu sempre amei a sensação de atravessar o lugar gritando de pavor, mas depois ficar rindo de outra pessoa que se assusta. É muito comunitário, de certa maneira, e eu sempre quis capturar essa experiência e colocá-la na TV. Amo a sensação de quando algo é muito tenso, muito assustador ou até perturbador, mas então alguém faz uma ótima piada e você sente aquele alívio. Acho que é, em parte, por isso que me tornei uma escritora de comédia. Quando estava escrevendo, tomei cuidado para que a comédia enfraquecesse o momento de terror, ou tirasse toda a sensação de risco da história. Queria proporcionar ambas as experiências. Não é apenas pavor, mas também não são apenas piadas. Você está levando a sério, está com esses personagens e seguindo essa história, mas também está se divertindo.

OMELETE: Você falou das atuações, dos personagens e das relações que eles constroem. Como foi o processo de escalação para Widow’s Bay?

DIPPOLD: O processo de escalação foi muito desafiador, porque eu realmente queria pessoas que fossem engraçadas, mas ao mesmo tempo era importante acreditar que elas viviam juntas naquela ilha. Porque, se você não acredita nisso, começa a parecer uma sátira e o projeto naufraga. Foi realmente desafiador, mas, felizmente, após um longo processo, tivemos sorte com esses atores que encontramos. Matthew Rhys… eu o acho um dos melhores atores dramáticos de todos os tempos, mas ao mesmo tempo ele se revelou tão naturalmente engraçado nesta série, e tem um timing cômico impecável. Stephen Root, a mesma coisa: ator incrível, gênio da comédia. Kate O'Flynn nos mandou uma fita de audição e eu me apaixonei imediatamente, ela é uma maravilhosa atriz de teatro que também é muito engraçada. Você acredita nos três completamente, e acho que isso torna a experiência de assistir à série melhor do que seria se fossem apenas três pessoas engraçadas

OMELETE: Bom, então pergunto ao elenco: como foi para vocês construir a química entre esses personagens, visto que era tão importante acreditarmos nessa dinâmica? Vocês tiveram muito tempo para ensaiar?

O'FLYNN: Acho que todo mundo simplesmente entendeu o significado de ser um elenco unido, sem que isso precisasse ser dito. Sinto que todos embarcaram nisso desde a primeira leitura, trabalhando uns com os outros, reagindo uns aos outros e descobrindo as coisas juntos. E não foi algo realmente conversado.

ROOT: Foi muito parecido com teatro, em termos de ser um elenco unido. Estávamos todos na mesma página e buscando a mesma coisa, eu acho, com a excelente direção de Hiro Murai e os roteiros tremendos de Katie.

RHYS: Sim, acho que todos tivemos o mesmo sentimento em relação aos roteiros e queríamos respeitá-los, servi-los da melhor forma possível. E isso significa trabalhar como uma unidade.

ROOT: Como um time.

Kate O'Flynn em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)
Kate O'Flynn em O Segredo de Widow's Bay (Reprodução)

OMELETE: Como vocês já disseram, há muitos mistérios em torno de Widow's Bay. Então, quando vocês estavam lendo os roteiros, podem nos contar em qual momento ficaram mais surpresos? Qual episódio as pessoas devem esperar mais ansiosamente?

ROOT: Bom, acho que todos têm um episódio de destaque. Kate tem o episódio quatro.

RHYS: E você tem todos os episódios.

ROOT: Isso é verdade. [Risos] Não, acho que todos temos episódios singularmente muito fortes – mas, como dissemos, é uma obra de conjunto e nós realmente amamos todos eles, eu acho.

O'FLYNN: Cada episódio é muito forte. Eu concordo totalmente.

RHYS: Eu também. E acho que também o que eu amei sobre esta história é que todos nós temos grandes jornadas emocionais. Em cada episódio, a emoção aumenta; esses grandes movimentos da trama nascem de coisas emocionais reais e profundas, que nos afetam de uma forma que mantém a história muito humana e não apenas sobrenatural.

OMELETE: Interessante! Matthew, você pode falar um pouco sobre a jornada emocional pela qual seu personagem passa, e os temas abordados durante a temporada?

RHYS: Sim! Como acontece com todos nós, acho que há uma grande complexidade em Tom. Há muito... [Kate O’Flynn solta uma risada discreta ao lado de Rhys] Ei, não ria da minha complexidade! Ela sempre ri da minha complexidade, ela me subestima. Ela puxa o tapete da minha complexidade. Olha, nós não nos damos bem. Mentimos antes sobre sermos uma unidade. Mentimos, tudo isso é uma farsa.

ROOT: Sim, nós nos odiamos.

RHYS: Nos odiamos. Mas sabe, todos esses personagens nascem de grandes fardos que carregam na vida. Há semelhanças entre todos eles, acho que todos querem o melhor para a ilha – mas de maneiras muito diferentes. Tom, eu acho, tem uma grande compreensão do perigo desta ilha, e escolhe ignorá-lo, o que é muito arriscado. Ele está obstinado em trazer os turistas para ilha mesmo que, no fundo, saiba que vai ser muito perigoso fazer isso. É uma cegueira que todos podemos ter.

OMELETE: Perfeito! Muito obrigado, pessoal, e parabéns pela série.

RHYS: Nós que agradecemos.

ROOT: Obrigado! 

O’FLYNN: Tchau tchau.

DIPPOLD: Obrigada!

*O Segredo de Widow's Bay já está disponível no Apple TV. Novos episódios serão lançados semanalmente, às quartas-feiras.

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