Watchmen | Damon Lindelof responde inseguranças quanto a série de TV em extensa carta aberta aos fãs

Créditos da imagem: DC/Reprodução

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Watchmen | Damon Lindelof responde inseguranças quanto a série de TV em extensa carta aberta aos fãs

"As HQs originais são como o nosso Velho Testamento", explicou o showrunner da adaptação

Arthur Eloi
22.05.2018
16h48
Atualizada em
24.05.2018
08h00
Atualizada em 24.05.2018 às 08h00

A incerteza com a série de TV de Watchmen pela HBO continua tão presente quanto na época do anúncio. Para esclarecer as coisas e abrir a comunicação entre a produção e os fãs, o showrunner Damon Lindelof (Lost, The Leftovers) publicou no Instagram uma enorme carta aberta ao público.

No texto, Lindelof relembra os vários momentos onde seu falecido pai demonstrou amor pela obra de Alan Moore e Dave Gibbons, entregando-lhe os dois primeiros volumes aos 12 anos de idade. O produtor também cita as diversas vezes que recebeu a chance de criar uma série de TV de Watchmen - tendo recusado inúmeras por ir contra a vontade de Moore e Gibbons.

Na quarta página, o produtor afirma que sentiu a necessidade de assumir o projeto, mas detalha que não será nada próximo ao que já existe. "Nossas intenções criativas: não temos desejo algum de 'adaptar' os doze volumes que os senhor Moore e Gibbons criaram há 30 anos. Esses volumes são território sagrado e não serão recontados, recriados, reproduzidos e nem passarão por reboot."

"Eles são, por outro, remixados. Pois as linhas de baixo nessas músicas familiares são boas demais e seríamos tolos de não as utilizarmos como base. Os doze volumes originais são como o nosso Velho Testamento. Quando o Novo Testamento chegou, não apagou o que veio antes. Criação. O Jardim do Éden. Abraão e Isaque. O Dilúvio. Tudo isso aconteceu - e assim será com Watchmen. O Comediante morreu. Dan e Laurie se apaixonaram. Ozymandias salvou o mundo e o Dr. Manhattan o deixou após explodir Rorschach em pedaços no frio gélido da Antártica."

"Para ir direto ao ponto, Watchmen é cânone. Da forma como o sr. Moore escreveu, da forma como o sr. Gibbons desenhou e da forma como o brilhante John Higgins coloriu."

"Mas também não estamos fazendo uma 'continuação'. A história será ambientada no mundo que seus criadores sofridamente construíram... mas na tradição do trabalho que o inspirou, a nova história deve ser original. Tem que vibrar na imprevisibilidade de suas próprias placas tectónicas. Deve fazer novos questionamentos e explorar o mundo com novas perspectivas. Mais importante, deve ser contemporânea. [...] Alguns dos personagens serão desconhecidos, rostos novos e novas máscaras para cobrí-los. Nós também pretendemos revisitar o século passado das Aventuras Mascaradas por surpreendentes mas familiares pares de olhos."

Por fim, Lindelof afirma que busca a aceitação dos fãs. "Eu me importo profundamente com o que você pensa. Um sábio homem azul uma vez disse que nada realmente acaba, mas talvez ele não fosse sábio. Talvez fosse apenas assustado, solitário e triste de que sua vida superaria tudo e todos que amava. Então espero que essa não seja a última conversa entre nós, queridos fãs. Afinal de contas, é apenas um piloto e é melhor não nos precipitarmos."

"Talvez, se tudo se resolver do jeito que espero e se vocês estiverem dispostos a me dar uma chance, isso não é o fim. É o começo?", concluiu Lindelof. Veja o texto abaixo na íntegra:

O projeto está em estágios iniciais e não terá nenhuma ligação com o filme de 2009, dirigido por Zack Snyder.

Day 140.

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Publicada pela primeira vez no final da década de 80, Watchmen foi criada por Alan Moore e contou com desenhos de Dave Gibbons. Considerado um clássico dos quadrinhos e da literatura, boatos sobre uma possível série surgiram pela primeira vez em 2015.

A série de TV será ambientada nos dias de hoje e entrou oficialmente em produção em setembro de 2017. As filmagens começaram em abril e ainda não há previsão de estreia.