Cena de Titãs/ Divulgação/ DC Universe

Créditos da imagem: Cena de Titãs/ Divulgação/ DC Universe

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Artigo

Titãs | Primeiras impressões da nova série live-action da DC

Sob a forma de sangue e sombras, grupo das HQs tem mais acertos que erros ao ganhar vida na TV

Rafael Gonzaga
19.10.2018
20h01
Atualizada em
19.10.2018
20h21
Atualizada em 19.10.2018 às 20h21

Após meses de expectativa dos fãs, o serviço DC Universe lançou Titãs, a série que leva os heróis dos quadrinhos dos Novos Titãs para o mundo live-action. Em seus dois primeiros episódios, a produção se dedica a apresentar Dick Grayson (Brenton Thwaites), o Robin, e Rachel Roth, a Ravena (Teagan Croft) enquanto vão construindo as bases do que o supertime se tornará até o fim da primeira temporada. A série é ambientada em Detroit - nem em Gotham ou na vizinha Blüdhaven, como era de se esperar - e mostra Grayson pouco tempo após romper com Batman e se desdobrar entre as funções de vigilante e policial em outra cidade. O pontapé inicial da reunião dos heróis é uma caçada misteriosa que tem Ravena como alvo e acaba atirando a jovem na delegacia de Grayson.

O contato dos dois não é meramente ocasional: o rapaz já habitava alguns sonhos - ou, no caso, pesadelos - de Rachel. O vínculo entre os dois é somente pincelado nesse primeiro momento, mas parte considerável da série deve se debruçar na relação aprendiz e mestre deles. Pode ser decepcionante para os fãs dos quadrinhos, mas a Ravena da série é uma menina - ainda que perigosa - assustada e vulnerável, que enxerga em Dick a uma âncora de segurança. Dá para prever também que a dinâmica da dupla, de certa forma, devera ajudar Dick a resolver suas questões pendentes com Bruce Wayne - o pupilo do Batman assumirá pela primeira vez o papel de tutor de alguém, e isso deverá fazê-lo ter mais empatia com seu antigo companheiro.

Os dois primeiros episódios cumprem basicamente o que foi entregue pelas prévias: muito de Robin e de Ravena, pouco de Estelar (Anna Diop) e Mutano (Ryan Potter) - aliás, os dois últimos sequer aparecem no segundo capítulo da série. Tudo sobre a alienígena tamariana ainda é envolto em mistério: nem a própria heroína sabe exatamente quem é, onde está ou o que está fazendo. As únicas coisas claras são a dimensão extraordinária de seus poderes e uma conexão não explicado que a fará encontrar Rachel. No lugar dos dois membros principais dos Titãs, a trama foca em apresentar Rapina/ Hank Hall e Columba/ Dawn Granger, dupla de vigilantes vivida, respectivamente, por Alan Ritchson e Minka Kelly - a série aplica bem a relação de paz e fúria que é marca do casal nos quadrinhos.

Há tentativa gritante de comprimir a assinatura cinematográfica característica de Zack Snyder (Batman vs Superman, Watchmen) no formato televisivo e isso é às vezes positivo, às vezes negativo na construção dos episódios. A série é soturna, melancólica e violenta como se espera de algo da DC no cinema, mas acaba não entregando o potencial pretendido por conta das limitações esperadas de algo da DC na televisão. Diferente das produções com os heróis da editora na CW, Titãs não intercala as cenas pesadas com momentos mais leves, preferindo manter o espectador tenso com o clima sombrio o tempo todo, mas muitas vezes falta naturalidade e fica difícil ser convencido por essa atmosfera.

A série, infelizmente, deu sinais bem evidentes de que falhará na missão de agradar o público na caracterização de seus personagens: especialmente cabelos e uniformes soam como adereços e fantasias na maior parte do tempo. Estelar, principal alvo de críticas - muitas delas baseadas em racismo, diga-se de passagem - não é nem de longe o principal problema neste aspecto. Só Robin - e, com boa fé, Rapina - sai ileso às críticas nessa esfera: os efeitos sombrios aplicados em Ravena oscilam bastante entre aceitável e ruim, o pouco visto de Mutano não foi exatamente bom e tudo em Columba grita artificialidade, desde o cabelo até o uniforme, que deveria ter escamas ameaçadoramente cortantes e parece feito de borracha.

Para quem esperava sangue, Titãs não decepciona: beirando muitas vezes o gore, há violência sem meias palavras: há vilões incinerados, há genitais esfaqueados e rostos de bandidos dilacerados em cacos de vidro - entre outras coisas. Ou seja, basicamente a série entrega o que prometeu até então. Ainda que não sejam perfeitos em sua execução, os dois primeiros episódios de Titãs plantam a pulga atrás da orelha do público sobre como os heróis irão se reunir e em que tipo de confusão Rachel caiu de paraquedas. Brenton Thwaites segura a onda como protagonista e entrega um Robin capaz de agradar os fãs - ainda é cedo para tirar conclusões sobre Ravena, Estela e Mutano. O próximo episódio de Titãs vai ao ar nos Estados Unidos em 26 de outubro. No Brasil, a atração será exibida pela Netflix, que ainda não divulgou a data de lançamento.