Titãs comemoram 40 anos de ousadia com documentário sincero e emocional

Créditos da imagem: Star+ (Divulgação)

Séries e TV

Artigo

Titãs comemoram 40 anos de ousadia com documentário sincero e emocional

Banda paulista mostra os caminhos do rock nacional em produção da National Geographic que está no ar no Star+

Omelete
4 min de leitura
29.07.2022, às 10H32

Não há como negar que a década mais fértil do rock brasileiro foi os anos 1980, com grandes bandas surgindo dos principais centros urbanos do país como Brasília (Legião Urbana, Paralamas do Sucesso), Rio de Janeiro (Barão Vermelho) ou São Paulo. Mas a capital paulista tem um grupo que é o grande estandarte dessa geração, e eles estão completando 40 anos de estrada.

Para comemorar, os Titãs tiveram essas quatro décadas contadas pela em um documentário produzido pela National Geographic. Os três integrantes originais remanescentes (Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto), protagonizam o novo episódio da série Bios. Vidas que Marcaram a Sua, no ar no Star+.

“Foi diferente fazer um apanhado de toda nossa carreira, de maneira organizada, ir a lugares que a gente não ia há muito tempo”, disse Britto, seguido por Bellotto, em entrevista ao Omelete. “Essa biografia foi muito bem conduzida, mas foi interessante ver depois a visão dos ex-integrantes, como as situações foram vistas por diferentes perspectivas.”

Para Branco Mello foi ainda mais especial, porque ele já tinha dirigido o documentário Titãs - A Vida até Parece uma Festa, que comemorou os 25 anos da banda em 2008. “Para mim, foi uma experiência muito legal, diferente, conseguir olhar de fora para a minha carreira e para a história da banda, como documentado. Foi divertido ouvir a visão dos outros.”

Usando como fio condutor entrevistas que a jornalista e apresentadora Sarah Oliveira fez com os três, o documentário conta de maneira bem cronológica a história da banda, desde o encontro dos nove integrantes originais no início dos anos 1980 no Equipe, colégio de elite de São Paulo, famoso por ser um expoente artístico e cultural da cidade.

“Acho boa essa palavra ousadia. Ela faz parte da nossa história. Acho que sempre fomos muito ousados, se arriscando e se atirando sempre. Isso é muito bom”, conta Mello, acompanhado por Britto. “Diversidade talvez seja uma palavra que defina um pouco o que a gente fez. Diversidade e diversão, a gente procurou se divertir e a gente encarna bem esse espírito de uma banda que está se divertindo, de um certo descompromisso, uma vontade de ousar em vários momentos.”

As saídas 

Ao longo das décadas, a produção não se furta em ser sincero a todo momento, nas fases boas e nas fases ruins. Contando com entrevistas de quase todos os envolvidos, todos os grandes conflitos estão lá, desde os que foram expulsos da banda (como Ciro Pessoa e André Jung), mas passando principalmente pelos músicos que decidiram sair.

As saídas dos Titãs tem um espaço especial do documentário, afinal, o primeiro álbum teve a participação de oito deles e os últimos são apenas três. Perguntei para eles qual foi a saída mais marcante. Entre Nando Reis, Paulo Miklos e Charles Gavin, os remanescentes foram unânimes: Arnaldo Antunes.

“Toda saída é um pouco traumática a sua maneira, mas tendo a visão da banda como um todo, a saída mais difícil foi a do Arnaldo, porque a gente já tinha formado um nome e um estilo próprios muito forte. Foi a primeira saída depois que a gente já tinha se firmado. A gente teve um receio de como seria, será que a banda vai conseguir sobreviver, não só pela nossa vontade de seguir, mas se o público aceitaria aquilo. A partir dessa saída do Arnaldo, a gente foi entendendo melhor essa dinâmica da banda até hoje, tanto que tanta gente saiu, mas a essência permanece igual”, resumiu Tony Bellotto.

Morte de Marcelo Fromer 

Mesmo dentre todas essas saídas (que teve entrevistas dos principais envolvidos contando seu lado, apenas Ciro não aparece no documentário), o momento mais emocionante foi a morte do guitarrista Marcelo Fromer, que foi atropelado enquanto corria em uma grande avenida de São Paulo em junho de 2001, poucos dias antes de eles entrarem no estúdio para gravar Volume Dois e depois do álbum de maior sucesso da banda, o Acústico MTV.

“A frase ‘o que o Marcelo faria’ é algo que trazemos até hoje, não só em questões musicais, mas em questões de gestões da banda, ele era um cara de comunicação fácil e fazia muito isso de gestão da banda. Como todos que saíram, ele deixou uma marca e sempre voltamos a isso. Ele tinha uma maneira de tocar guitarra muito econômica e muito eficiente, muito a favor da banda, a favor da canção, algo que sempre levamos em conta”, explicou Sergio Britto.

O episódio de Bios. Vidas que Marcaram a Sua dedicado ao Titãs já está disponível no Star+.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.