Imagem do trailer de The Sinner

Créditos da imagem: Reprodução/ USA Channel

Séries e TV

Artigo

The Sinner | Primeiras impressões da segunda temporada

A quase antologia do USA Channel retorna para um segundo ano que reforça mistério e recorrências

Henrique Haddefinir
06.08.2018
15h33
Atualizada em
06.08.2018
15h48
Atualizada em 06.08.2018 às 15h48

Estamos vivendo um momento de apogeu das “minisséries”. Cada vez mais, os produtos do gênero invadem a grade de programação e ganham o respeito de público e crítica. É o mesmo com antologias. American Horror Story mostrou aos executivos de entretenimento que o público podia comprar histórias com arcos fechados que poderiam continuar no próximo ano como atmosfera, sem compromisso com mesmos atores e mesmos personagens. Isso era ótimo do ponto de vista comercial (ninguém precisaria ver todas as temporadas para começar a assistir aleatoriamente) e do ponto de vista artístico (muitos atores de grande escalão topariam participar por não precisarem ficar presos ao produto). Todos saíam ganhando, sobretudo o público, que veria sempre novas histórias e novos mistérios.

O formato das minisséries, contudo, sofreu o peso da própria empatia. 13 Reasons Why, La Casa de Papel e até a toda-poderosa Big Little Lies, nasceram para ser minissérie e terminaram perpetuadas pelo próprio sucesso. The Sinner está nesse grupo também. A primeira temporada foi vendida como minissérie, mas assim que terminou ganhou uma segunda temporada. A despeito do quanto sua história estava fechada, o anúncio veio como inevitável. Bill Pullman, astro do elenco, serviu como ponte para o que foi recebido depois como uma pseudo-antologia: não veríamos a mesma história, apenas o mesmo protagonista. Era o desespero comercial e artístico de não abandonar estrelas que pautava o futuro dessas produções.

The Sinner, contudo, parece ter encontrado seu caminho. Na primeira temporada uma mulher comum comete um crime aparentemente aleatório, num surto violento, “sem motivos”. É bem verdade que com o tempo ficou claro que essa premissa se perderia no mesmo mar de recorrências em que terminam todas as séries do modelo “crime-sendo-desvendado-durante-os-episódios”. Mas, ainda assim, esse era um começo que exalava o mínimo de originalidade. Agora, em seu segundo ano, a ideia é reforçada quando um menino de 11 anos que está numa viagem de carro com os pais, serve chá envenenado para os dois num quarto de motel. O duplo e chocante assassinato é o que nos conduzirá nessa nova investigação da atração.

Evil Angel

Como se esperava, o detetive Ambrose (personagem de Pullman) é o rosto familiar que nos espera. Junto com ele, os mistérios que o rondam ainda estão em pauta. O personagem é chamado para investigar o duplo assassinato, que ocorreu em sua terra natal. Sabemos, com isso, que por termos deixado Jessica Biel lá no primeiro ano, será a vez de adentrar o passado sombrio do detetive. Em segundo plano, dessa vez, está Carrie Coon, que vive uma mulher com uma ligação misteriosa e inesperada com o caso. Os dois são a base definitiva do que está por vir na temporada, que soa tão sombria e densa como a anterior. O jovem Elisha Henig consegue imprimir a ambiguidade necessária ao menino Julian e Pullman – antes condenado a viver os “caras legais” do cinema – segue seu caminho de aprofundamento das psiques de Ambrose.

As recorrências no mundo de The Sinner não se disfarçam. Como em todos os outros títulos do gênero, o que sabemos do crime é muito pouco, o que sabemos do suspeito é muito pouco e não devemos acreditar em nada do que nos foi contado inicialmente. Essa é a máxima de The Sinner e de todas as suas ­séries-irmãs. Nesse aspecto, só estamos acompanhando o clichê vigente, que é justamente ser o contra-clichê. A sedutora ideia de ver um assassino infantil em ação logo é superada pela certeza de que “as coisas não são bem assim”. Isso de certa forma é um fator desanimador, já que começamos achando ousada a ideia de ver uma criança assassina, enquanto também já sabemos – por causa da forma engessada com a qual funcionam essas séries – que dificilmente as coisas se confirmarão.

Ainda assim, The Sinner pode não dizer as coisas mais surpreendentes, mas ela sabe como dizer o que precisa. O clima é tenso, sombrio, a direção é segura e os atores vão criando seus campos de tensão de maneira gradativa e competente. Terminamos o episódio de estreia ansiosos por saber o que vem a seguir e em perspectiva, seja em The Sinner ou em qualquer outra série do gênero, o que importa mesmo é isso, nosso desejo de descobrir mais pistas, mais detalhes, mais formas de vislumbrar a verdade por trás do mistério. Mesmo que seja um produto de uma linha de fabricação dramatúrgica, a série tem tudo que precisa para virar uma pseudo-antologia das mais corretas e bem sucedidas do mercado.