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The Pitt coloca ICE no hospital e prova ser série mais importante da atualidade

Episódio 11 mergulha no cenário atual da política de imigração dos EUA levando caos à emergência comandada por Dr. Robby

Omelete
5 min de leitura
19.03.2026, às 22H01.
The Pitt

Créditos da imagem: Reprodução/HBO Max

Quando assisti ao caos do final da primeira temporada de The Pitt e às circunstâncias após um ataque armado em um festival no coração de Pittsburgh, tive duas certezas: a série não estava para brincadeira quando o assunto era tratar temas pertinentes à sociedade norte-americana, e seria difícil repetir aquela sensação na segunda temporada sem parecer igual. Bom, acertei na primeira e errei feio na segunda. Com a estreia do 11º episódio do segundo ano, The Pitt mete o dedo na ferida do estado social e político dos EUA e volta a mostrar por que é uma das séries mais importantes da atualidade.

O fator social é intrínseco à história de The Pitt desde o início. A primeira temporada abordou os traumas que trabalhadores da saúde carregaram — e ainda carregam — da pandemia da Covid-19, tendo como protagonista o médico vivido por Noah Wyle. O ataque de pânico do Dr. Robby no meio do plantão trouxe um dos momentos mais emocionantes da série da HBO até aqui. Além disso, a série começou a pincelar algo que se tornaria ainda mais relevante na segunda temporada: o sistema de saúde dos EUA e os valores abusivos com os quais pacientes precisam lidar diante de qualquer atendimento mínimo.

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No ano anterior, vimos a administração do hospital deixando claro que a cobrança é tão urgente quanto o salvamento. Nos novos episódios, isso se transforma em cifras reais. Um dos pacientes, imigrante e com diabetes, precisa fugir da emergência antes que os médicos indiquem mais procedimentos, que lhe custariam dezenas de milhares de dólares. O detalhe é que ele ainda paga pelo último atendimento de que necessitou. Essa luta entre o serviço do Dr. Robinavich e sua equipe com a força da administração — que lembra a todo momento que o atendimento não é caridade — gera ainda mais pressão no trabalho e leva McCay e Ogilvie a saírem escondidos, para atender uma dependente química no parque em frente ao hospital.

É aí que voltamos ao erro do meu pensamento inicial: a tensão constante na sala de emergência. Enquanto a primeira temporada tratava diversos dramas com a tensão dos atendimentos e, na reta final, jogava uma bomba de adrenalina com a chegada das vítimas do atentado, o segundo ano dissipa essa tensão em vários momentos. O calor constante do verão dos EUA no 4 de julho, a chegada de pacientes de outro hospital, o ataque hacker que deixa a emergência offline, a queda do toboágua — tudo colabora para uma ansiedade ainda maior, enquanto os médicos lidam com seus dramas pessoais. Quando tudo parece caminhar melhor, algo pior acontece.

The Pitt
Reprodução/HBO Max

ICE invade a sala de emergência de The Pitt

A novidade mais impactante da série até aqui é a chegada de dois integrantes do ICE, sigla para Immigration and Customs Enforcement (Serviço de Imigração e Alfândega), ao hospital. O ICE funciona como uma polícia federal de imigração responsável por deter e deportar imigrantes sem status legal, atuando internamente no país. Chamado de “milícia de Donald Trump”, o grupo ganhou os noticiários desde a reeleição do presidente dos EUA, passando a atuar com liberdade total para prender, agredir e deportar pessoas. Nos últimos meses, o ICE matou dois cidadãos americanos em Minneapolis, gerando protestos por todo o país e um movimento crescente contra os agentes encapuzados, que não possuem treinamento adequado para andar armados ou realizar o trabalho que lhes foi incumbido. “ICE out”, ou “Fora ICE”, em tradução literal, passou a ser um dos principais gritos contra o grupo apoiado por Donald Trump.

A chegada dos agentes a The Pitt torna a situação da emergência ainda mais caótica. Eles acompanham uma imigrante com lesões no braço, supostamente causadas por uma queda. Desde o início, a presença dos homens encapuzados, vestindo coletes e entrando na sala sem permissão ou passagem pela triagem, já acende o alerta. A condição da paciente só agrava o cenário. McKay, Dana e outros profissionais demonstram preocupação imediata, enquanto Robby quer que os médicos tratem a paciente rapidamente para que os agentes deixem o local. É uma reação que pode decepcionar parte do público, mas condizente com o estado psicológico do médico, que só deseja que o dia termine para enfim entrar em seu período sabático.

A tensão aumenta quando a presença dos integrantes do ICE chama mais atenção e pacientes e enfermeiros começam a fugir com medo de uma ação violenta. The Pitt sempre retratou a sala de emergência como um ambiente diverso, tanto entre médicos e enfermeiros quanto entre os pacientes. Há diversas nacionalidades, religiões e etnias presentes no elenco, e a chegada do ICE representa um perigo real para qualquer um ali, seja pelas intenções dos “homens de Trump”, seja pelo que eles simbolizam para a população imigrante em geral.

O estopim acontece quando os agentes decidem levar a paciente presa sem o tratamento adequado. Quando a equipe médica tenta impedir a ação, uma briga começa na emergência e acompanhamos apenas ouvindo o som da discussão. A série trabalha com eficiência o que acontece fora da tela, explorando nosso conhecimento prévio sobre as atitudes do ICE. Tudo pode acontecer, e a violência pode escalar a qualquer momento. Quando Robinavich chega ao local, a situação já saiu do controle: os agentes derrubaram o enfermeiro Jesse (Ned Brower), algemaram-no e o levaram preso. Há tentativas de diálogo, mas não há espaço para conversa. Jesse é levado, e ninguém sabe para onde.

The Pitt
Reprodução/HBO Max

A trágica coincidência entre The Pitt e morte em Minneapolis

A violência contra imigrantes e contra o próprio povo norte-americano, que tomou conta dos noticiários e talk-shows desde janeiro de 2025, quando Donald Trump assumiu novamente a presidência dos EUA, enfim chega à ficção. The Pitt volta a se afirmar como uma das obras mais importantes da TV nos últimos anos e se posiciona ao lado de quem expõe a realidade das ações e da política de imigração do atual governo. 

Em uma coincidência trágica, Alex Pretti, morto por agentes do ICE há dois meses, também trabalhava em um hospital, em seu caso, para veteranos, sendo enfermeiro, assim como Jesse. Em um vídeo divulgado após o crime, Alex aparece realizando o mesmo ritual que o Dr. Robby incentiva sua equipe a fazer, prestando homenagem ao paciente morto em um momento solene com outros companheiros.

Criando uma situação que envolve apenas quatro ou cinco personagens dentro do seu grande elenco, The Pitt expõe sua maior ferida até aqui: a sociedade dos EUA está em frangalhos. O sistema de saúde é apenas uma dessas lutas diárias que respiram por aparelhos e nem Robby, McCay, Langdon ou qualquer um dos outros médicos da série poderia tratá-las.

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