The Madison é um novelão à moda antiga - e nada tem a ver com Yellowstone
Michelle Pfeiffer é a protagonista de uma história majoritariamente feminina
Taylor Sheridan se tornou um dos produtores mais requisitados de Hollywood depois que fez de Yellowstone um sucesso de audiência e comercial. A saga da família Dutton, estrelada por Kevin Costner em quase toda a sua história, estreou no canal pago Paramount Network e logo se tornou um fenômeno televisivo, capaz de se tornar a série mais vista dos Estados Unidos mesmo competindo com hits da TV aberta, como FBI, Grey's Anatomy e Chicago Fire. O êxito foi tão grande que Yellowstone ganhou derivados em prelúdios e sequências, tornando seu universo ainda maior.
O sucesso de Sheridan com Yellowstone ainda fez com que o Paramount+ apostasse ainda mais na capacidade criativa de seu criador, expandindo seu "universo" de séries com Tulsa King, Mayor of Kingstown, Lioness e Landman - todas bem recebidas pelo público e com novas temporadas batendo recordes a cada ano. O que todas tem em comum? Narrativas voltadas para ação, guerras (urbanas ou não) e conflitos políticos, que caem no gosto de uma parcela audiência majoritariamente masculina. É por tudo isso que The Madison, nova criação de Sheridan, surge quase que como um oasis em sua filmografia cheia de testosterona.
Para a surpresa de muitos de seus admiradores, The Madison é uma série cuja trama explora uma narrativa inteiramente feminina. Sim, os eventos ainda se passam no coração do estado de Montana e ainda temos alguns caubóis em seu cenário, mas os "chefões" como John Dutton (Kevin Costner), Dwight Manfredi (Sylvester Stallone) e Tommy Norris (Billy Bob Throrton) saem de cena para dar lugar a Stacy Clyburn, matriarca vivida por Michelle Pfeiffer que vê sua vida virar de cabeça para baixo após uma grande tragédia a levar aos confins do interior norte-americano.
Embora Yellowstone tenha uma estrutura de série mais clássica - que lhe deu a alcunha de "faroeste dos século XXI -, é com The Madison que Taylor Sheridan criou o seu primeiro "novelão". Isso porque a linha narrativa principal, que mostra uma mulher recomeçando a vida em outro lugar após uma importante perda, está longe de ser novidade. Mas o problema de séries assim nunca são o clichê, afinal, um clichê bem feito ainda é um grande acerto. E os primeiros episódios dão o tempo necessário para que Stacy e sua família sofram com o luto ao mesmo tempo em que buscam reestruturar suas vidas.
Antes de partirem para Montana, os Clyburn tinham uma vida sem grandes riscos em Nova York. O dinheiro do patriarca Preston (Kurt Russell) garantia uma vida de luxo para suas filhas, que pouco ou quase nada eram cobradas para que tomassem as rédeas de seus destinos. A mais velha, Abigail (Beau Garrett), sofre com as dificuldades de um divórcio sem nunca ter sido protagonista de sua própria vida. Já a caçula, Page (Elle Chapman), é a clássica mimada que sempre teve tudo na mão, e vê no marido Russell (Patrick J. Adams) apenas mais um para servi-la.
Ao saírem de suas zonas de conforto, as três mulheres precisam encarar sua próprias fragilidades, e impressiona como Sheridan entende as nuances da relação entre elas. O principal destaque, de longe, é Michelle Pfeiffer, que faz de sua Stacy o principal motor da série, mesmo que a matriarca esteja fragilizada durante quase toda a temporada. A perda a faz encontrar novos sentidos e desejos para sua vida, mesmo que ela esteja à beira do colapso em diversos momentos. Em The Madison, o luto serve como um reorganizador, e ela entende que perdeu muito tempo sem dar a valor a pequenas coisas.
Como um bom novelão deveria ser, The Madison usa e abusa dos clichês de uma história de recomeço sem que os detalhes pareçam repetitivos. No fundo, a nova aposta de Taylor Sheridan é uma grande história de amor, mas sem ter o foco no romântico. São amores passados, presentes e novos a se construir - e reconstruir. E, claro, tudo isso perante as belas paisagens e campos de Montana. Coloquem na conta mais um sucesso para o "universo Sheridan".