Madeline Brewer em The Handmaid's Tale

Créditos da imagem: Divulgação/ Paramount

Séries e TV

Entrevista

The Handmaid’s Tale | Madeline Brewer fala sobre como Janine mudou sua vida

Atriz revelou suas expectativas para o Emmy 2018 e defendeu a importância de movimentos como o #MeToo

Rafael Gonzaga
30.08.2018
18h30
Atualizada em
30.08.2018
18h54
Atualizada em 30.08.2018 às 18h54

A atriz Madeline Brewer, a Janine de The Handmaid’s Tale, esteve no Brasil para divulgar a segunda temporada do drama distópico do Hulu, que será exibida por aqui através do Paramount Channel a partir de 2 de setembro. A atriz participou de uma coletiva de imprensa e deu ainda um entrevista exclusiva ao Omelete, onde falou sobre o futuro de sua personagem, deu detalhes dos sets de gravação e estabeleceu paralelos entre a série e a realidade política dos Estados Unidos. No fim da primeira temporada, Janine é condenada à morte por tentar se atirar de uma ponte com seu bebê e, após as outras aias se recusarem à apedrejá-la, a jovem é enviada aos temidos campos radioativos de trabalho forçado, conhecidos como Colônias.

As colônias são terríveis, são sem vida, sombrias”, contou a atriz, focando no segundo ano da série. “Essa segunda temporada, sem dúvida, é muito mais sombria, mais difícil de assistir. A gente espera que nosso público sinta, pense, questione o que está vendo. Mas é claro que existem alguns momentos mais leves na série e é por isso que eu amo interpretar a Janine. Ela consegue trazer luz e otimismo mesmo nos momentos mais difíceis, ela mostra esperança, ela persevera. Como atriz e como mulher, interpretar essa personagem me deu uma compreensão bem maior do conceito de sororidade, que eu não valorizava ou que não era espontâneo em mim antes. Trabalhar nessa série me fez ter ainda mais respeito pelas mulheres que estão na minha vida”.

The Handmaid’s Tale é uma série que fala bastante sobre a necessidade da luta pelos direitos das mulheres, mas não é a primeira vez que a atriz faz parte do elenco de uma atração focada na perspectiva feminina. Em 2013, Brewer deu vida a Tricia Miller em Orange is the New Black, série da Netflix que é ambientada em um presídio feminino e aborda massivamente os problemas femininos decorrentes do machismo. Enquanto no programa do Hulu Brewer vive uma das mulheres que são aprisionadas pelo estado para serem escravizadas como reprodutoras, sendo estupradas recorrentemente, na trama da Netflix ela vive uma jovem que fugiu de casa muito cedo por problemas com o parceiro de sua mãe, chamado por ela de “padrasto estuprador” em um dos episódios.

#MeToo e Time’s Up

Brewer pontuou que se considera uma feminista, ainda que saiba que não existe um consenso sobre o tema - para ela, não importa o nome usado, desde que todos estejam lutando juntos pelas mesmas causas. “Desde que a gente defenda as mesmas ideias, lute pelas mesmas coisas, não importa o nome que a gente dê para isso. O importante é continuar na luta”, disse antes de estabelecer alguns paralelos com os eventos recentes de denúncia de assédio em Hollywood. “A gente filmou essa série enquanto muita coisa estava acontecendo nos Estados Unidos e é exaustivo ver que o que acontece na política soa como um prelúdio do que acontece na série. Acho que todas as mulheres que falaram, que se abriram, são muito importantes para o movimento #MeToo e no Time’s Up”.

Sobre a forma como a série se relaciona com a realidade, Brewer disse que esse é um dos pontos mais essenciais da atração. “Quando a Margaret Atwood escreveu o livro [a série é baseada no livro O Conto da Aia, de 1985], ela descreveu essas técnicas de tortura que achamos criativas, mas que, na verdade, já tinham acontecido em algum lugar do mundo. O mais incrível dessa série é que ela traz tudo isso para dentro da sala das pessoas, os roteiristas foram muito inteligentes na segunda temporada em não deixar isso se perder. A questão da Hannah ser afastada da June, por exemplo, acontece na série enquanto tem crianças sendo separadas dos pais bem ali na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Você vê um episódio um dia e logo depois vê a mesma coisa no noticiário”.

Emmy 2018

Não só pelos temas necessários que aborda, The Handmaid’s Tale também é notícia pela unanimidade positiva da crítica: a segunda temporada da série está concorrendo a nada menos que 20 categorias no prêmio Emmy - 40% das atrizes indicadas nas categorias de drama são da produção do Hulu. No ano anterior, a estreia da trama sombria abocanhou várias das principais categorias, incluindo Melhor série dramática, Melhor atriz em série dramática para Elisabeth Moss, Melhor atriz coadjuvante em série dramática para Ann Dowd e Melhor atriz convidada em série dramática para Alexis Bledel. Foram oito estatuetas conquistadas e, mais uma vez, a série figura entre os concorrentes às categorias principais do prêmio.

Eu estou bastante esperançosa que os atores da série saiam vitoriosos esse ano”, disse a atriz, lembrando em seguida das vitórias recentes que a série conquistou no Emmy. “Nós somos, de certa forma, os vencedores ainda em exercício, já que levamos os prêmios no ano passado, talvez isso signifique que temos grandes chances de vencer. Mas, para além disso, eu acho que estamos vivendo um momento maravilhoso na televisão. É o momento mais rico que já vi e sou muito grata em poder fazer parte dele. Acho que temos grandes chances de ganhar de novo, mas, se não ganharmos, continuaremos empenhados em fazer o melhor show possível”.

Bastidores e futuro da trama

A série, que é uma adaptação do livro de Margaret Atwood, ganhou autonomia em sua segunda temporada, já que a trama vista no original é inteiramente mostrada durante o primeiro ano. Os episódios do segundo ano vão além do livro e, para isso, Brewer contou que a equipe de roteiristas faz um trabalho árduo. “A gente se ateve muito às diretrizes da Margaret Atwood na primeira temporada, mas a segunda também traz vários elementos do livro. Além disso, como parte do elenco, sei que qualquer coisa que eu quiser incorporar na personagem, seja do livro ou a partir de experiências pessoais, será bastante incentivado. Os roteiristas da série mantém contato com pessoas da ONU para saber quais são as violências cometidas contra as mulheres no mundo e trazem isso para a série”.

Ainda que não possa prever o que acontecerá com Janine no futuro da série, Brewer diz que tem algumas apostas. “Ela não aceita a realidade na primeira temporada e, no segundo ano, ela está apenas grata por estar viva. Ela tem esse otimismo, essa recusa a acreditar na realidade, em todo esse mundo sombrio, mas eu acho que essa é a resistência dela. É a forma que ela encontrou de não deixar que Gillead vença. Pensando adiante, eu gostaria muito que a Janine usasse esse poder dela de uma forma mais tangível, talvez se relacionando com o Mayday [grupo secreto que se rebela contra Gillead]. Eu não sei o que vai acontecer com ela na terceira temporada, mas gostaria de ver ela encontrando outra forma de canalizar essa força para que ela consiga lutar e combater isso”.

A segunda temporada de The Handmaid's Tale estreou em 25 de abril no Hulu, serviço de streaming que não está disponível no Brasil. O canal pago Paramount Channel exibiu a primeira temporada no Brasil e a nova remessa de episódios chega ao canal em 2 de setembro.