Ted Danson, D'Arcy Carden, Manny Jacinto, Jameela Jamil e Kristen Bell em The Good Place/NBC

Créditos da imagem: NBC/Divulgação

Séries e TV

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Quarta temporada de The Good Place prepara despedida brilhante

Comédia pode entrar para a história como uma das melhores de todos os tempos

Nicolaos Garófalo
26.11.2019
19h30

Apesar de ser constantemente esnobada nos Emmys, The Good Place é consenso entre crítica e público desde que estreou na NBC em 2016. A comédia de Michael Schur, que tem como premissa básica questionar a bondade do ser humano e até que ponto ele pode melhorar, se reinventa a cada ano, com arcos e personagens bem definidos, que só cresceram e melhoraram com o passar dos anos.

Ao anunciar que a quarta temporada seria a última, Schur e o elenco indicaram que o motivo seria preservar a qualidade da série, impedindo que ela se tornasse repetitiva ou que seus personagens, já naturalmente exagerados, se tornassem rascunhos caricatos do que foram apresentados no primeiro ano da série. Ao contrário do que aconteceu em séries como The Office, Friends ou How I Met Your Mother, os anos tornaram Eleanor (Kristen Bell), Chidi (William Jackson-Harper), Jason (Manny Jacinto), Tahani (Jameela Jamil) e Michael (Ted Danson) protagonistas cada vez mais realistas e relacionáveis. Assim, o último ano tem sido, em seus nove episódios já exibidos, o mais emocionante, profundo e complexo apresentado por The Good Place.

A trama desta quarta temporada segue imediatamente o final do ano anterior. Após conversa com a Juíza (Maya Rudolph), o Esquadrão da Alma recria o bairro experimental de Michael para provar que os humanos podem sempre melhorar. No novo teste, liderado por Eleanor após um ataque de nervos do arquiteto original, três pessoas destinadas ao Lugar Ruim são colocadas ao lado de diversos humanos falsos criados por Janet (D’Arcy Carden) e um Chidi sem memórias. Assim como a terceira temporada, que se aprofundou nas relações dos protagonistas antes de suas mortes, vê-los se envolver com outras pessoas, especialmente os odiáveis Brent (Benjamin Koldyke) e John (Brandon Scott Jones), mostra que, se dependesse da criatividade dos roteiristas, The Good Place poderia sobreviver por anos mais.

Como sempre, o visual colorido dos episódios cria a atmosfera utópica idealizada que o ser humano tem da vida após a morte. O contraste desse ambiente feliz com as tensas relações com os novos residentes do Bom Lugar – principalmente a desconfiada Simone (Kirby Howell Baptiste) – e a aposta com a Juíza não deixam que a série caia no marasmo, com cada episódio aumentando exponencialmente o peso e investimento emocionais que o espectador sente pela comédia.

O humor de The Good Place também nunca esteve tão afiado. Com raras exceções em que piadas com Derek (Jason Mantzoukas) ou Janet Má soam repetitivas, a série usa seu roteiro para zombar de políticos ao culto às celebridades, fazendo comentários ao mesmo tempo hilários e pertinentes, que colocam o espectador para refletir entre uma gargalhada e outra. Os diálogos, cada vez mais ágeis, continuam sendo entregues de maneira genial pelo elenco. Mesmo os coadjuvantes brilham em seus curtos momentos nos holofotes, apesar de serem completamente ofuscados sempre de Jacinto ou Bell entram em cena.

Entre todas as idas e vindas fantasiosas, a comédia segue se segurando, por um fio, no realismo, insistindo sempre em mostrar que nenhum de seus personagens é perfeito. Mesmo com suas claras evoluções, os membros do Esquadrão da Alma continuam vivendo com os defeitos que os levaram para o Lugar Ruim, evitando qualquer tipo de idealização por parte do público, que se conecta mais facilmente às figuras falhas que vê em tela.

Com todo o seu humor e questões filosóficas, The Good Place segue distribuindo socos no estômago de sua audiência. O último episódio deste ano, “A Resposta”, encerrou com um dos momentos mais emocionantes da produção até agora. Seu antecessor, “O Funeral Para Acabar com Todos os Funerais”, ainda apresentou um dos discursos e argumentos mais pertinentes feito em prol do ser humano, fazendo valer todo o investimento emocional aplicado na produção nos últimos anos. Com apenas mais cinco episódios para seu fim, a última temporada coloca The Good Place no caminho certo para terminar como uma das melhores séries de comédia de todos os tempos.