Michael Schur em The Office/NBC/Divulgação

Créditos da imagem: NBC/Divulgação

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The Good Place | Conheça Michael Schur, o “rei da comédia” da TV americana

Produtor foi responsável por sucessos como The Office, Parks & Recreation e Brooklyn Nine-Nine

Nicolaos Garófalo
26.09.2019
10h00
Atualizada em
26.09.2019
23h52
Atualizada em 26.09.2019 às 23h52

Comédia e filosofia moral: à primeira vista, a atípica mistura pode assustar, ou até mesmo incomodar, um público acostumado a sitcoms centradas em grupos de amigos, famílias desajustadas e casais que passam por constantes desencontros. Uma ideia que público e, por consequência, as emissoras dificilmente comprariam, não fosse o nome ligado a ela: Michael Schur

Roteirista e produtor, Schur tem em seu currículo séries como Parks & Recreation, a versão americana de The Office e Brooklyn Nine-Nine, sem contar ainda créditos como produtor-executivo em Masters of None, criada por Aziz Ansari, e anos escrevendo para o Saturday Night Live, em período em que o programa tinha Tina Fey, Amy Poehler, Will Ferrell, Jimmy Fallon e outros grandes nomes da comédia.

Esse sucesso anterior do produtor na emissora e a escalação antecipada de Ted Danson (CSI, Cheers) e Kristen Bell (Veronica Mars, Ressaca de Amor) fizeram com que a NBC desse sinal verde para que The Good Place acontecesse com suas quatro temporadas planejadas.

Conheça abaixo um pouco mais sobre os projetos de Michael Schur e entenda porque ele é considerado “o rei da comédia” na TV americana atual:

The Office

Jim Dwight e Michael em The Office/NBC/Divulgação
NBC/Divulgação

Recém-saído do Saturday Night Live, onde trabalhou por sete anos, Schur se juntou ao ex-colega Greg Daniels para desenvolver um remake de The Office, comédia britânica criada por Ricky Gervais e Stephen Merchant. Presos ao roteiro da produção original, Schur e Daniels receberam voto de confiança da NBC para trabalhar em uma segunda temporada da série, que durou nove anos na emissora e lançou a carreira de Steve Carell, John Krasinski, Mindy Kaling, Ellie Kemper, Rashida Jones e vários outros atores. A série também contou com participações de Idris Elba, Kathy Bates, James Spader e do próprio Schur, que interpretava, esporadicamente, Mose, o primo esquisito de Dwight (Rainn Wilson).

Parks & Recreation

Andy e Leslie em Parks and Recreation/NBC/Divulgação
NBC/Divulgação

O sucesso de The Office fez com que, em 2009, a NBC comprasse Parks & Recreation, nova parceria de Schur e Daniels, que levaria o estilo de “falso documentário” da série “mãe” para mostrar a vida em uma repartição pública de uma pequena cidade de Indiana, nos Estados Unidos. O elenco contava com Amy Poehler, Nick Offerman e Rashida Jones como protagonistas, mas a greve dos roteiristas daquele ano fez com que a primeira temporada fosse encurtada, para a sorte de todos os envolvidos. Mais uma vez, uma série de Daniels e Schur teve dificuldade de prender o público em seu ano de estreia. A protagonista, Leslie Knope (Poehler) era tida como irritante, as demais personagens eram rasas e os espectadores reclamavam da falta de cenas de Andy, interpretado por um então desconhecido Chris Pratt. Schur e Daniels ouviram o público e deram uma bela mexida em P&R, que, em suas sete temporadas, catapultou Pratt, Aziz Ansari, e Aubrey Plaza para o estrelato, além de resgatar a carreira de Rob Lowe.

Brooklyn Nine-Nine

Jake em Brooklyn Nine-Nine/FOX/Divulgação
FOX/Divulgação

Criação de Schur e Daniel Goor, roteirista de Parks & Recreation, Brooklyn Nine-Nine tinha também o aporte de Andy Samberg, que passou anos como um dos comediantes favoritos do público do Saturday Night Live. A NBC, porém, achou a premissa de uma comédia policial batida e dispensou a transmissão do projeto que, apesar de ter produção da Universal – dona da emissora –, foi parar na Fox. Com um elenco quase todo desconhecido, com exceção de Samberg, Terry Crews e Andre Braugher, Brooklyn Nine-Nine se tornou queridinha da crítica por seu roteiro afiado, atuações hilárias e histórias que tocavam em diversos assuntos sérios, como homofobia, aceitação, racismo, machismo e abuso de autoridade. A série foi cancelada pela Fox ao fim de sua quinta temporada, mas, após fortíssima campanha da internet, apoiada por nomes como Guillermo Del Toro, Mark Hamill, Lin-Manuel Miranda e Seth Meyers, a série foi salva justamente pela NBC, que não só transmitiu a sexta temporada, como já renovou a série para o sétimo ano.

The Good Place

Eleanor e Michael em The Good Place/NBC/Divulgação
NBC/Divulgação

Aprendendo com seu erro, a NBC não perdeu tempo e comprou The Good Place, primeiro projeto solo de Schur. A comédia explora preceitos básicos da filosofia moral do ponto de vista de pessoas que já morreram e estão aproveitando seus momentos no Além. Com a emissora apoiando o projeto, Schur foi atrás dos protagonistas: para o papel principal, ele queria Kristen Bell, atriz que já havia vivido mocinhas e vilãs em diversas produções, inclusive em Parks & Recreation, e Ted Danson, conhecido por seu papel como Sam Malone em Cheers, clássica comédia americana que deu origem a Frasier. Para convencer a dupla, o produtor disse a Bell que Danson estaria na série, usando o mesmo truque com o ator e garantindo que a eterna Veronica Mars já havia acertado sua participação. Com questionamentos difíceis, personagens bizarros e a eterna pergunta “quando é tarde demais para nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos?”, The Good Place é mais uma série de Schur a conquistar público e mídia especializada e com certeza deixará um buraco em vários corações quando chegar ao fim com o término de sua quarta e última temporada.