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The Boys | Um bom final é capaz de salvar uma temporada ruim?

Entre hype e consistência: até onde um final consegue carregar uma série como a do Prime Video?

Omelete
3 min de leitura
GP
22.05.2026, às 14H48.
The boys final

Créditos da imagem: Reprodução/Prime Video

Após 7 anos de bizarrices, embates e cabeças explodindo, The Boys finalmente teve coragem de dar adeus ao público. 

Por um lado, o encerramento entregou cenas épicas, emoção, e entregou, inegavelmente, uma das mortes mais avassaladoras da cultura pop. Por outro lado, nós merecíamos mais.

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Em uma série que apresentou alguns dos momentos mais marcantes da cultura pop - e embates igualmente marcantes, como a derrota de Tempesta (Aya Cash), o embate entre Soldier Boy (Jensen Ackles), Billy Bruto (Karl Urban) e Capitão Pátria (Antony Starr), e até mesmo a não tão emocionante, mas ainda assim divertida, Supersuruba - era esperado que o final nos entregasse mais. O próprio criador da série, Eric Kripke, ao brilhar na construção de personagens durante 3 temporadas, nos antecipou altas expectativas.

E no final das contas, a conclusão não foi de todo ruim. Então, por qual motivo a maioria das pessoas demonstrou insatisfação com o encerramento da série mais importante do Prime Video?

A resposta é simples: nem o melhor final é capaz de salvar semanas de desgaste. The Boys sempre se posicionou como uma série ácida e corajosa - mas pra onde essa coragem vai quando o mundo real extrapola as maluquices estabelecidas pela própria produção?

Desde a 4ª temporada, lançada em 2024, a sociedade e as redes sociais vêm tomando um rumo que nem o roteirista mais maníaco seria capaz de superar, e esse foi um dos grandes motivos que fez com que a série repetisse uma fórmula já conhecida por nós desde 2019, na estreia do título.

The boys final
Reprodução/Prime Video

Após mais de 5 anos acompanhando essa narrativa, o impacto sem construção começa a parecer truque. Quando uma temporada passa episódios inteiros andando em círculos, repetindo conflitos, segurando personagens em desenvolvimento eterno ou criando enredos que não levam a lugar nenhum, o final acaba funcionando quase como uma explosão de fogos de artifício: bonito, barulhento e eficiente para incitar a conversa - mas incapaz de mudar o que veio antes.

O mais curioso é que The Boys provou algumas vezes que sabia equilibrar as duas coisas. As melhores temporadas da série não dependiam exclusivamente do valor de choque. O caminho inteiro era envolvente. Existia tensão política, crítica social, dinâmicas envolventes entre os personagens e a sensação constante de que qualquer coisa poderia acontecer. O final apenas coroava algo que já era bom.

Porque, no fim das contas, um ótimo último episódio pode melhorar a lembrança de uma temporada. Mas salvar uma temporada que, apesar de ter momentos bons, não pareceu aproveitar o que a série tem de melhor? Aí já entramos em outra discussão. 

The Boys nos deixa com conclusões de arco justas, mas também com a sensação de que merecíamos mais do que um “aquecimento” para spin-offs. Agora nos resta torcer para que as novas produções desse universo sejam capazes de nos entregar o que o final da série não conseguiu, mas que a gente já viu que a propriedade teve, e sempre terá, capacidade de entregar.

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