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Terra da Máfia troca xadrez por speed chess em ótima 2ª temporada

Novos episódios aceleram a guerra dos Harrigan e colocam Harry Da Souza no centro de um jogo em que todos parecem jogar contra todos

Omelete
4 min de leitura
18.09.2026, às 11H59.

A primeira temporada de Terra da Máfia (MobLand) passou dez episódios colocando suas peças no tabuleiro. Apresentou os Harrigan, uma família irlandesa poderosa e completamente disfuncional, criou uma guerra pelo submundo de Londres e colocou Harry Da Souza (Tom Hardy) no meio disso tudo, tentando evitar que inimigos, aliados e parentes se matassem antes da hora.

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Depois de assistir aos quatro primeiros episódios do segundo ano, a sensação é de que a preparação acabou. Se a primeira temporada era xadrez, agora Terra da Máfia está jogando speed chess.

A guerra contra os Stevenson terminou, mas não trouxe paz. Pelo contrário. Kevin (Paddy Considine) quer finalmente sair da sombra do pai; Seraphina (Mandeep Dhillon), filha de um relacionamento extraconjugal de Conrad, continua buscando o espaço que nunca lhe foi naturalmente oferecido; Maeve (Helen Mirren) manipula todos ao redor; e Conrad (Pierce Brosnan) continua acreditando ser o homem mais poderoso de qualquer sala em que entra.

Só que agora existe uma nova jogadora querendo mexer nesse tabuleiro.

Helen Mirren em cena de Terra d Máfia
Paramount+/Divulgação

Kat McAllister (Janet McTeer), que entrou no final do primeiro ano e ficou ali observando os Harrigan à distância, assume uma posição central. Ainda atuando nas sombras, ela vai trabalhando para desestabilizar o tabuleiro. E ainda aproveita o momento para colocar no jogo uma peça que ninguém conhecia: Frankie Cooper.

A segunda temporada não chega apenas substituindo os Stevenson por outro inimigo. Ela transforma uma guerra relativamente simples entre duas famílias em uma disputa na qual ninguém parece saber exatamente quem está jogando com quem.

E é aí que Terra da Máfia fica ainda mais divertida.

Pierce Brosnan em cena de Terra da Máfia
Paramount+/Divulgação

Todo mundo precisa de Harry

No meio desse caos continua Harry.

Desde a primeira temporada, Tom Hardy constrói o personagem como alguém que observa antes de agir. Enquanto Conrad grita, ameaça ou simplesmente parte para a violência, Harry escuta. Quando é colocado contra a parede, dificilmente reage por impulso. E quando começa a desconfiar que existe algo errado ao seu redor, não acusa ninguém: cria uma situação para descobrir em quem pode confiar.

É inteligência, mas também uma frieza impressionante. E existe outra característica fundamental: lealdade.

Mesmo quando Conrad começa a questioná-la e exige que Harry escolha lados, ele não parte para o confronto. Harry sabe que enfrentar um homem como Conrad naquele momento - e com as armas dele - não resolveria absolutamente nada. Então observa, absorve a ameaça e pensa no próximo movimento.

O problema é que essa competência profissional cobra um preço cada vez maior em casa.

Uma das melhores ideias do primeiro episódio mostra Harry fazendo terapia de casal com Jan (Joanne Froggatt), tentando salvar uma relação seriamente abalada pelo trabalho. Até que o telefone toca e ele precisa sair para resolver, mais uma vez, um problema de Conrad.

Harry consegue limpar cenas de crime, negociar com criminosos e impedir guerras. O problema que ele não consegue resolver é a própria vida.

E, enquanto sua filha Gina também começa a ocupar um espaço maior na história, fica cada vez mais difícil para Harry manter as duas famílias.

Todo mundo contra todo mundo

Essa é provavelmente a melhor evolução da série.

Os novos episódios colocam várias tramas em movimento ao mesmo tempo. Kat faz suas jogadas. Kevin tenta conquistar independência. Seraphina procura seu espaço. Maeve continua manipulando filhos e netos. Frankie tenta conquistar poder. E Harry precisa entender quem está movimentando quem.

Em determinado momento, essa guerra deixa de ser feita apenas de ameaças e se transforma em uma série de ataques praticamente simultâneos. É uma sequência excelente, embalada por “Smack My Bitch Up”, do The Prodigy, em que montagem, música e violência trabalham juntas para mostrar justamente o que mudou em MobLand: agora tudo acontece ao mesmo tempo.

A influência de Guy Ritchie, produtor executivo e responsável por estabelecer visualmente a série ao dirigir seus primeiros episódios, continua evidente. Humor sombrio, criminosos londrinos, diálogos rápidos, violência estilizada e uma ótima trilha sonora ajudam a manter uma história cheia de personagens e conspirações surpreendentemente fácil de acompanhar.

E no centro do caos está um Pierce Brosnan aparentemente se divertindo ainda mais. Conrad sempre foi perigoso. Agora está cada vez mais imprevisível. E esse talvez seja o melhor contraste da temporada.

Kat pensa antes de agir. Harry pensa antes de agir. Maeve definitivamente pensa antes de agir. Kevin está aprendendo.

Conrad ainda acha que tem licença para matar.

Depois de alguns episódios vistos, ainda é cedo para saber se Terra da Máfia conseguirá controlar todas essas peças até o final. Quanto mais alianças, traições e interesses entram na partida, maior o risco de o speed chess virar simplesmente confusão.

Por enquanto, acontece o contrário.

A primeira temporada precisou apresentar os jogadores e explicar as regras. A segunda pode simplesmente deixá-los jogar.

Harry joga xadrez. Kat joga xadrez. Maeve definitivamente joga xadrez.

Conrad Harrigan?

Conrad parece disposto a matar o rei adversário com uma metralhadora.

E Terra da Máfia ficou ainda mais divertida quando decidiu acelerar o jogo.

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