Séries e TV

Entrevista

Supermax | Inspirada em True Detective e The Walking Dead, série de terror da Globo quer renovar TV brasileira

Conversamos com o diretor José Alvarenga Jr. sobre o panorama da produção nacional

Aline Diniz
08.06.2016, às 17H54

Supermax, a minissérie de terror da Globo, vem por aí com a promessa de revolucionar o gênero do terror e o que já vimos na TV aberta. Ambientada em uma prisão de segurança máxima, a produção acompanhará doze participantes de um reality show que compartilham um passado em comum e terão de lidar com os mistérios que cercam o local, além de seus próprios fantasmas e medos.

Conversamos com o diretor José Alvarenga Jr. sobre como a ideia da série surgiu, o que nos aguarda e muito mais. O diretor, que já trabalha há quase 20 anos na emissora, deu um bom panorama da produção televisiva nacional atual, indicando que o maior problema não é a falta de criatividade, mas a limitação que ainda existe no mercado brasileiro do entretenimento.

Alvarenga conta que Supermax nasceu "de uma série de outras ideias que estava pairando nas nossas cabeças. A gente tinha o desejo de fazer um seriado com vários protagonistas que tivesse uma história que fosse muito incomum, que tivesse cruzamento de gêneros". O conceito, então, passou por vários estágios, começando em uma plataforma de petróleo e o que podia ser feito em uma situação como essa, "até que chegamos nesse conceito do reality[...] onde coisas estranhas aconteceriam com os participantes". A intenção não é apenas colocar o personagem em uma situação de perigo mas, através das ameaças, mostrar quem eles realmente são.

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O diretor diz que no sentido de trazer o gênero do terror para a Globo, "Supermax é totalmente inovadora. É uma grande aventura e um de seus componentes é o terror. E vale lembrar que o terror não é só provocar medo, a gente procurou criar vários olhares e aí tem horas que o público vai sentir medo pelo personagem e muitas vezes vão sentir tensão, podem até torcer por algum personagem - e podem também querer que alguém se dê mal. [...] Acho que o que envolve esse desejo de fazer o terror também vem com uma certa maturidade".

"A gente montou uma equipe cinematográfica que estudou muito a primeira temporada de True Detective. Era uma série que tratava de satanismo, paganismo e isso acabava movimentando muito o inconsciente - e é justamente aí que a gente fica muito assustado", explica Alvarenga. Por outro lado, ele explica que a falta de prática no gênero fez com que todos se adaptassem: "Ao longo dos anos, a gente foi somando esse desejo para que agora ele pudesse existir com capacidade técnica para ser realizado tanto na escrita, quando nas atuações, no clima, na fotografia. Então acho que teve uma maturidade para chegarmos no terror", conclui.

Quando questionado sobre as inspirações que geraram Supermax, Alvarenga diz que The Walking Dead é um bom exemplo, pegando "um pouco emprestado essa situação do incomum dentro do comum. Fora isso todos os filmes de terror que foram marcando a minha vida desde a infância; O Exorcista... A Bruxa de Blair, mais recentemente, que foi um filme que eu estudei. Ele tinha essa coisa do 'não visto', do pagão que se assemelha muito a True Detective. Todos os elementos rústicos para criar essa sensação de uma força natural existente no mundo que vem do lado do mal", revela.

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Sobre a abertura da Globo para a criação e desenvolvimento de Supermax dentro da emissora, Alvarenga conta que não há "um foco direto de querer seguir alguma linha específica - é como qualquer lugar criativo. Mas há momentos em que a empresa está mais permeável para inovações e há momentos em que a empresa está mais conservadora", conta o diretor. "Isso faz parte do jogo e o nosso viés artístico lá dentro é o de tentar cada vez mais alargar os limites, cada vez mais poder provocar e fazer coisas novas", completa.

Para encerrar, Alvarenga explicou a situação atual da TV no Brasil: "O que a gente quer fazer é oferecer [novos] mundos para as pessoas. Eu desejo sempre que a diferença e que os novos olhares estejam sempre presentes e que o público embarque. Só acho que o brasileiro não embarca mais porque tem pouca demanda, muita coisa é oferecida. A gente ainda tem um mercado muito estreito, são quatro emissoras de TV abertas, uma porção de TVs fechadas que têm problemas orçamentários e fragmentadíssimas... Nosso mercado é pequeno, o cinema brasileiro não é robusto o que nos leva a estar sempre brigando com a imensa competição do cinema e da televisão internacional. O que a gente deseja é que Supermax provoque a certeza de que dá pra pensar diferente, de que vale a pena apostar em um trabalho como esse. O desejo de fazer um Supermax várias pessoas têm - talvez até melhores que o nosso Supermax -, mas como você consegue gente que produza isso para você? Se pelo menos uma parte do público gostar e isso repercutir, a gente estará abrindo portas para muita gente - incluindo pra gente mesmo, eu adoraria fazer mais trabalhos nessa linha", finaliza.

Estrelada por Mariana Ximenes, Cléo Pires, Fabiana Gugli, Erom Cordeiro, Maria Clara Spinelli e Bruno Belarmino, Supermax tem roteiro de Carolina Kotscho (roteirista de 2 Filhos de Francisco), Raphael Draccon (autor de Dragões de Éter), Fernando Bonassi (autor de Luxúria), Braulio Mantovani (de Cidade de Deus) e Denisson Ramalho (especializado em filmes de terror).

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A estreia está prevista para este ano.

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