Séries e TV

Entrevista

Supermax | Não acredito que eles vão colocar no ar tudo o que foi pensado, diz Raphael Draccon

Série de terror estreia em 20 de setembro na emissora

Thiago Romariz
18.09.2016, às 11H00

Supermax soa como um projeto ousado desde sua concepção. Sentido a necessidade de se renovar e buscar um novo público, a Globo abriu suas portas para criativos roteiristas e contadores de história desenvolveram um diferente projeto que pode mudar muita coisa em como o grande conglomerado de mídia produz conteúdo inédito.

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Conversamos com Raphael Draccon para entender melhor o processo de criação de Supermax, conhecer melhor a série e muito mais. Confira:

Como aconteceu o convite da Globo e o que mais te atraiu no projeto?

O convite veio por três frentes: o André Vianco já havia falado sobre o meu trabalho quando estava por lá. O Marçal Aquino, um dos criadores, já havia feito eventos comigo e sondado sobre a minha vontade de escrever para televisão. E os filhos do José Alvarenga, o diretor geral, são leitores de literatura fantástica, logo, ele estava antenado com essa cena literária nacional. O que mais me atraiu no projeto foi, principalmente, a vontade da Globo de fazer algo que ela nunca tentou. Além da ideia original, foi a primeira vez que a emissora fez um Writer's Room dessa maneira e decidiu colocar elementos de fantasia e horror tão profundos. Os roteiristas também vão receber os créditos pelos seus episódios, exatamente como acontece no padrão das séries internacionais.

Se o público aprovar o resultado final do programa, isso vai mudar muita coisa por lá.

Em que aspectos a série vai se diferenciar dos novos projetos que a Globo vem mostrando?

Sangue, cara. Só pelo teaser já dá pra ter uma noção. Quando a gente imaginou que ia ver algo tão dark e sangrento em rede nacional? Eu até agora não acredito que eles vão colocar no ar tudo o que foi pensado na sala dos roteiristas. Além disso, a ideia e o resultado final têm um frescor tão grande que já está em produção uma versão internacional, comandada pelo Daniel Burman e com atores latinos. Ele e o Mario Segade participaram de alguns dos nossos encontros e elogiaram o trabalho que estava sendo feito. Os argentinos ficaram impressionados positivamente com a sintonia da equipe na sala de criação.

Quais influências nacionais e internacionais Supermax vai trazer?

Na internet já citaram de tudo que é série como referência, né? Algumas até que a gente nem tinha assistido! Isso só mostra a dificuldade de se definir oSupermax. O comentário que mais gostei foi o apelido de "Amazônia Horror Story"! É meio nessa vibe mesmo. Eles tinham uma preocupação da produção ficar com padrão internacional, tanto que um dos câmeras que estavam trazendo trabalhou em "Cisne Negro".

Das influências nacionais, eles trouxeram a experiência de cinema do José Belmonte, que inclusive dirige os meus episódios no Supermax. E tem a brincadeira com os reality shows, inclusive com as técnicas e câmeras desse tipo de programa, que a emissora sabe utilizar bem.

A frase mais utilizada lá dentro para definir o projeto era: "uma mistura de gêneros". O Alvarenga, contudo, não citava séries como referências, ele citava mais filmes. A cena mais impactante de um dos meus episódios, por exemplo, ele me pediu para usar como referência a angústia de uma cena do "Falcão Negro em Perigo". A única série que ele realmente citava como estímulo visual era a "True Detective", por aquela coisa dos símbolos, dos cenários sombrios, do Mal que você sente a presença constante por ali.

Existiu algum tipo de guia ou limitação na hora de escrever o roteiro? Como foi o processo de escrever com mais pessoas?

Nenhuma, e isso foi o mais louco. Apesar do tempo curto, já que televisão é assim, existiu muita reescrita de cenas, mas não censura ao conteúdo. O Alvarenga, o Marçal e o Fernando Bonassi, os criadores, escolheram uma equipe formada de pessoas de pensamentos totalmente diferentes. Do casal mais do que experiente Bráulio Mantovani e Carol Kostcho, passando pelo Dennison Ramalho e a Juliana Rojas, até eu e o Raphael Montes. Cada um veio de uma área e pensava diferente. Logo, aquilo tinha tudo pra dar muito errado ou muito certo. Felizmente, deu muito certo! Parecia mágica. Às vezes um de nós falava uma ideia simples, precária, despretensiosa. Aí outra pessoa lá no outro canto da sala pegava aquilo, mudava o raciocínio e gerava matéria-prima para um terceiro sugerir algo mais palpável, em que todo mundo fazia: "hummmm".

Que tipo de experiência você conseguiu levar para o projeto, sendo que você vive no mundo da ficção literária há anos? Qual você acha que foi sua maior contribuição?

Eu fiquei conhecido como autor de livros de literatura fantástica, mas comecei como roteirista, fui premiado pela ASA e até paguei a faculdade de cinema escrevendo roteiros. Minha contribuição maior era com as cenas de elementos fantásticos/terror e as de ação. Um dos personagens é um lutador de MMA e eu tenho um histórico com artes marciais, cheguei a ser responsável por um dojo por cinco anos. Então eu chegava a coreografar algumas cenas no Writer's Room! Foi bem trabalhoso, mas divertido demais participar disso tudo.

Existem outros projetos dentro da Globo com a mesma pegada? Há uma preocupação em mudar o cenário dos projetos?

Há pouco tempo eles tiveram o "Amorteamo", que tinha elementos sobrenaturais, e essa preocupação existe sim. A Globo tem feito seminários com seus roteiristas e comentado sobre as tendências que está buscando, além de trazer a experiência de diretores premiados em cinema como o Jorge Furtado, o Fernando Meirelles e o próprio José Belmonte.

Agora que você está nos EUA, quais são seus planos? Vai continuar com livros ou tem outros projetos?

Continuo escrevendo os livros e vou fazer os eventos no Brasil. Em Los Angeles estou escrevendo para uma produtora algo bem legal nesse estilo que estamos conversando e conhecendo algumas lendas da indústria,. No Brasil fiz alguns trabalhos para a Globo Filmes e está em produção a comédia nerd que produzo com a Dama Filmes.

Ano passado não deu para estar na Comic-Con Experience no painel do "Supermax", mas espero que esse ano a gente consiga. Na CCXP desse ano a série já vai estar no ar, inclusive. Vai ser demais receber o feedback da nossa galera nerd e fazer barulho por lá mais uma vez.

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