Sintonia terá mais derivados após Nando Entre Mundos? Christian Malheiros descarta
Protagonista no filme e na série original, ator entende que elenco já está em nova fase
Uma das séries brasileiras mais populares da Netflix, Sintonia contou as histórias do trio Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros). Durante cinco temporadas, vimos esses personagens crescerem, enfrentarem diversos problemas e descobrirem qual era seu verdadeiro propósito. Porém, com Nando a coisa não foi tão definitiva. O destino do personagem ficou aberto, o que possibilitou Nando entre Dois Mundos - Um Filme Sintonia, que serviu como o desfecho definitivo para a história do personagem.
A trama do longa-metragem se passa cinco anos após Nando ascender ao poder no submundo do crime e se mudar para a Sérvia, longe de tudo que construiu. Sua vida muda drasticamente quando Bruninha (Duda Pimenta), sua filha adolescente, desaparece sem deixar rastros, forçando-o a retornar ao Brasil. De volta ao país, ele tenta reconstruir os laços com a família e manter os dois mundos separados, mas logo vê aqueles que ama cercados pelo perigo. Dividido entre a lealdade ao crime e o desejo de proteger sua família, Nando precisará tomar a decisão mais importante de sua vida: arriscar tudo para romper definitivamente com o passado e garantir a segurança de quem mais ama.
Apesar de dar uma resposta clara sobre qual é o desfecho de Nando no mundo do crime, a produção também abre espaço para novas dúvidas sobre o que pode acontecer com ele e a família depois de tudo. Para responder essa pergunta, o Omelete foi direto na fonte e questionou Christian Malheiros sobre a possibilidade de retornar ao papel em um novo derivado. “Eu preciso de férias!”, brincou o ator, que logo descartou qualquer possibilidade de retornar ao universo de Sintonia. “Nós realmente fizemos isso pela necessidade de fechar o arco do Nando de uma forma mais concreta. Não existe perspectiva de voltarmos, nem com outro spin-off ou outro personagem”, afirmou Malheiros.
Ele continua, reforçando que essa foi a última dança desses personagens: “Fizemos isso porque era necessário e como um presente para os fãs de Sintonia. Acabou, mas queremos que vocês estejam sempre com a gente. Não existe mais possibilidade; está todo mundo em outro momento da vida, em outro momento artístico e aberto para novos trabalhos e histórias”.
As cinco temporadas de Sintonia e Nando entre Dois Mundos - Um Filme Sintonia estão disponíveis na Netflix. A seguir, você pode ler a entrevista com Christian Malheiros na íntegra:
Pedro Ribeiro (Omelete): Christian, tenho acompanhado e feito essa cobertura de Sintonia há alguns anos, e é muito legal ter acompanhado a evolução dos personagens e de vocês como elenco em todos esses oito anos de produção. Sempre que converso com você, acho muito interessante o quão diferente você é do Nando. Obviamente, não estou falando apenas da trajetória, mas também da personalidade. Eu sempre me perguntei se, nesses anos passando tanto tempo com esse personagem e esse universo na cabeça, você precisou fazer alguma descompressão ou algo nesse sentido para voltar aos eixos.
Christian Malheiros: Cara, adorei essa pergunta. Ninguém nunca me faz essa pergunta, mas é uma parada forte. Eu tenho total noção de quem eu sou e de quem são os personagens. Eu paro de gravar e minha vida continua: vou viajar, vou ser feliz, ver minha família e ficar com meus amigos. Não tenho muito essa questão de o personagem ficar em mim. Tem muita gente que precisa desse "detox" quando acaba o trabalho, mas eu nunca tive problema com isso. Claro, quando acabo de filmar, ainda carrego um pouco do jeito do personagem, porque você convive com ele todo dia, mas espiritualmente e mentalmente, fico muito tranquilo. Eu me despeço dos meus personagens, mato eles na hora que for preciso, tranquilamente. Para que eles existam, precisa existir vida. E para que exista vida, eu preciso viver. Eles só existem porque eu vivo a minha vida, vejo outras coisas e exploro outras possibilidades. Se eu não tivesse todo esse repertório da vida, eles não existiriam. Então, eles não podem ocupar um lugar que é da minha vida; eles ocupam o lugar que é deles durante aquele trabalho. Acabou, eu vou continuar vivendo para me inspirar mais e fazer novos personagens.
PR: Você tocou num ponto muito legal, que é a questão da inspiração. De novo, estamos falando de um personagem que você construiu e aprimorou durante oito anos. Claro, você teve outros papéis entre as temporadas de Sintonia e esse spin-off agora, mas eu queria saber como você evoluiu como ator graças ao Nando e a esse projeto?
CM: Muito. É o personagem que mais me acompanha. Mas existe uma parada interessante: quando fomos voltar para a segunda temporada, eu achei que não sabia mais fazer. Essa era a minha crise. Eu olhava para os lados e falava: "Eu não sei mais fazer isso. Aquilo ficou na primeira temporada e não estou conseguindo trazer para a segunda". Depois, fui me aquietando e pensando: "Calma aí. Se eu passei um ano de uma temporada para a outra, o personagem também passou". Então, o amadurecimento dele é o meu amadurecimento. Esse personagem foi me acompanhando durante a minha vida. Hoje vou fazer 27 anos, e o Nando é um pouco mais velho por conta do spin-off, que se passa cinco anos depois, mas ele tem a maturidade que eu também adquiri. Ele é um pouco de mim e eu sou um pouco dele. A gente se empresta e aprende coisas. Tem muita coisa desse personagem que me exige buscar em mim uma força, uma resiliência, um cálculo rápido e um raciocínio dinâmico. Tive que trazer essas qualidades para a minha vida para conseguir empregá-las nele. E existe um carisma que é meu e que ele tem, porque eu sou carismático. (Risos). Então, é basicamente uma troca, e foi uma troca muito justa. Aprendemos muito um com o outro.
PR: Adorei a resposta. Falando nessa questão de evolução e de tempo, tudo acaba, e agora aparentemente estamos dando um tchau para Sintonia. Eu queria saber como foi essa relação para vocês nos bastidores. O filme é muito focado em você e no seu personagem, mas os principais protagonistas da série também retornaram para essa despedida. Como foi o clima nos bastidores?
CM: Foi um clima de celebração, porque não sabíamos que iríamos nos encontrar novamente. Estamos nos despedindo desses personagens desde a quarta temporada. A quarta seria a última, mas não foi. A quinta seria a última, e realmente foi. Mas não sabíamos que iríamos nos encontrar de novo num spin-off. Isso foi uma celebração, mais um encontro e mais um espaço para vivermos o vínculo de amizade que esses personagens têm e que nós temos na vida real. Nos tornamos uma grande família. É sempre uma alegria estar junto em cena e fazer parte da vida do outro. Passamos muito tempo filmando juntos, então acabamos sendo pessoas mais próximas. Poder fechar com chave de ouro com esses parceiros, que estão comigo há oito anos, foi muito bonito. Todo mundo ficou muito feliz com o fechamento da história do Nando, porque era o único arco que tinha ficado meio inacabado, sem um fim definitivo. Todo mundo veio com o coração muito aberto para fazer esse spin-off acontecer.
PR: Maravilha. Você mencionou que na quarta temporada acharam que tinha acabado, na quinta a mesma coisa, e agora veio o filme. Você acha que existe a possibilidade ou a esperança de mais um derivado do universo de Sintonia? E você estaria pronto para voltar como Nando mais uma vez?
CM: Olha, eu vou te falar que eu preciso de férias! (Risos). Mas não, nós realmente fizemos isso pela necessidade de fechar o arco do Nando de uma forma mais concreta. Não existe perspectiva de voltarmos, nem com outro spin-off ou outro personagem. Fizemos isso porque era necessário e como um presente para os fãs de Sintonia. Acabou, mas queremos que vocês estejam sempre com a gente. Não existe mais possibilidade; está todo mundo em outro momento de vida, em outro momento artístico e aberto para novos trabalhos e histórias.
PR: Perfeito. Para fechar rapidinho, Sintonia foi uma produção muito importante para as periferias de São Paulo, por retratar essa vivência e por vários outros motivos. Na sua opinião, qual é o legado de Sintonia?
CM: O legado de Sintonia, que eu acho que conseguimos passar com muita força e sempre foi o nosso foco principal, é sobre a amizade e sobre a família que escolhemos. Muitas vezes não é a família em que nascemos, mas a que escolhemos. Sobre sonhos, já que temos personagens que tentaram de tudo na vida e tiveram seus altos e baixos. E, principalmente para mim: o crime não compensa. O filme, o spin-off e a série em geral cumprem o papel de passar essas mensagens. É importante sonhar e correr atrás, porque, mesmo sendo mais difícil, conseguimos realizar. Escolha muito bem quem vai ser a sua família e quem vai estar do seu lado. E o crime não compensa. Essas são as mensagens que conseguimos fazer o público absorver, e acredito que essa foi a principal função da série e do spin-off.
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