Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jotappê na série Sintonia (Netflix/Divulgação)

Créditos da imagem: Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jotappê na série Sintonia (Netflix/Divulgação)

Séries e TV

Artigo

Por dentro de Sintonia: roteirista conta como é o trabalho de criação da série

Omelete entrevistou a co-roteirista da série da Netflix Luíza Fazio

Pedro Henrique Ribeiro
27.10.2021
20h40
Atualizada em
27.10.2021
23h36
Atualizada em 27.10.2021 às 23h36

Quando foi lançada, em 2019, a série Sintonia teve muito reconhecimento pelo modo como retratou a periferia de São Paulo e todos os elementos que usou para tal. Agora, em sua nova temporada, a série passa por um processo de amadurecimento da trama e dos personagens, mas mantém a essência, sempre guiada pelo ritmo do funk paulistano. Cada detalhe da série é pensado para dar harmonia aos episódios — e tudo isso começa na sala de roteiristas.

O Omelete conversou com Luíza Fazio, uma das responsáveis por escrever a série. A co-roteirista, que também trabalhou em nas séries Samantha! e Cidade Invisível, da Netflix, e no documentário sobre a cantora Lexa, para o Globoplay, deu detalhes sobre a produção de Sintonia e os desafios da nova temporada

Na mesma “sintonia”

Nos novos episódios, após lutarem para conquistar seu espaço, Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) precisam chegar até o topo para não voltarem à estaca zero. Funk, crime e religião entram em choque na quebrada, e a amizade entre eles é colocada à prova.

Para construir esse novo caminho, Luíza conta que foi necessário um trabalho muito colaborativo, assim como na primeira temporada. “São vários roteiristas, dois roteiristas-chefe e o KondZilla - tudo passa por ele. Ele é muito presente e sempre pede para a gente trazer as coisas com mais realidade possível”, explica. “Então os roteiristas trazem os acontecimentos, a carga dramática, e o Kond é o cara que fala: ‘gente, isso não aconteceria’. Aí a gente chega nesse meio-termo de uma série legal de assistir enquanto ficção, mas sem fugir da realidade”.

Sem gíria “de condomínio”

Uma piada que se popularizou entre os haters da série, em 2019, foi de que as gírias usadas pelos personagens eram para “malandros de condomínio”, mas não é bem por aí. Mesmo sem dominar o dialeto das quebradas, os roteiristas contam com colaboradores que ajudam a dar fidelidade a elementos como gírias, assuntos que interessam os jovens e a moda nas periferias.

Luíza explica como funciona esse trabalho: “Nós roteiristas pensamos na história e nos personagens. Mas para essa parte específica de prosódia, temos consultores que nos ajudam. São muitos conhecimentos específicos, então como o roteiro é uma coisa colaborativa, quanto mais pessoas colaborando com experiência de dentro desses universos, melhor. Você não pode fazer uma série sobre um lugar específico e não ouvir as pessoas de lá, trazê-las para dentro do projeto. Os próprios atores contribuem muito [com esses conhecimentos]”.

Christian Malheiros e Jotappê na série Sintonia (Netflix/Divulgação)
Christian Malheiros e Jotappê na série Sintonia (Netflix/Divulgação)

Do outro lado, a série também ganhou muitos fãs que se reconheceram em vários momentos da trama. Segundo Luíza, esse efeito foi traduzido como muita emoção. “Ela [Sintonia] traz uma perspectiva da periferia de São Paulo, então quando a gente estreou a primeira temporada chovia DM [mensagem nas redes sociais] com pessoas muito emocionadas dizendo que se viram na tela”.

Núcleos complexos

Além da preocupação com as características gerais da trama, é preciso muito cuidado e atenção com os núcleos específicos, especialmente os protagonizados Jottapê e Bruna Mascarenhas. “O núcleo da Rita [evangélico] é o que demanda mais pesquisas. Cada denominação evangélica é muito diferente uma da outra. Então precisamos ter um extremo cuidado para tudo ser fiel à realidade. A gente faz muita pesquisa de campo e conversa com pessoas evangélicas. Estamos tentando mostrar mais a igreja para além dos estereótipos”, afirma Luíza.

No caso de Doni, o principal rosto da série, a preocupação maior foi com o amadurecimento do personagem após os eventos da primeira temporada, quando ele perdeu o pai tragicamente e deu os primeiros passos na carreira profissional. “Quando a gente pensou no Doni [para a segunda temporada], refletimos sobre como esse luto afetou ele. Porque o pai dele sempre dizia para ele ter responsabilidade, lutar pelas coisas até o fim. Então, por mais que o pai dele não apoiasse a música, ele [Doni] também pegou conselhos do pai”, conta a roteirista.

A produção criada por KondZilla, Guilherme Quintella e Felipe Braga é assinada por diversos roteiristas além de Luíza. As duas temporadas de Sintonia estão disponíveis no catálogo da Netflix.

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