Sintonia (Netflix/Divulgação)

Créditos da imagem: Sintonia (Netflix/Divulgação)

Séries e TV

Entrevista

Protagonistas de Sintonia falam como terceiro ano pode impactar o público

Série brasileira retorna para mais uma temporada refletindo o cotidiano das periferias paulistanas

Omelete
4 min de leitura
Pedro Henrique Ribeiro
13.07.2022, às 19H10

Desde sua estreia, em 2019, Sintonia chama a tenção por retratar a vida de jovens nas periferias de São Paulo, fugindo do lugar-comum da representação de favelas do Rio de Janeiro. A produção da Netflix segue o trio de amigos Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros), que apesar de terem crescido na mesma comunidade, possuem objetivos e caminhos diferentes. A série usa a realidade para criar um roteiro ficcional, mas também serve como referência para muitos jovens que a assistem, alimentando assim um ciclo de “vida imita a arte” e vice-versa. Para entender como isso se dá na terceira temporada, trocamos uma ideia com os protagonistas da série. 

Uma das marcas de Sintonia é o foco nos bastidores da vida de jovens MCs. Com o protagonista Doni, acompanhamos a jornada dele de um jovem funkeiro de bairro a um cantor com músicas em baladas gringas. Para Jottapê, “a construção da carreira do Doni até esse momento [da série] serve de exemplo para a molecada que quer seguir nessa carreira”. Na nova temporada, o personagem passa por uma fase em baixa, e o cantor explica como isso pode servir para jovens MCs. “Essa é uma fase muito legal e normal também. É meio que um choque de realidade. O cara estava um dia na favela, outro morando num apartamento, com dinheiro para comprar o que ele quer e às vezes quem não tem nem cabeça e pode acabar se perdendo”, diz ele ao Omelete.

Já a personagem de Bruna Mascarenhas trilha uma estrada bem diferente da de Doni. Enquanto o amigo de infância se aventura na música, ela decide se apoiar na fé e ajudar na reforma da igreja da Vila Áurea, bairro fictício onde se passa a história. No terceiro ano, a personagem retorna com engajamento político e é uma das possíveis candidatas da igreja na corrida por uma vaga na câmara dos vereadores. Para Mascarenhas, o papel de sua personagem pode engajar outros jovens em ano de eleições. “Ela [Rita] está tendo essa oportunidade de ser porta-voz dos jovens de periferia, que é o que pulsa nela. A Rita vai pelo coração, o que ela sente. Então é importante trazer essa reflexão, não como uma bandeira, mas para gerar um certo questionamento”, diz a atriz.

O caso de Christian Malheiros é um pouco mais complicado. Seu personagem é o principal nome do crime organizado no país, logo, sua influência no público não é sobre seguir os passos dele, mas como não ir pelo caminho que ele escolheu. Inclusive, para interpretar Nando, ele conta que não teve inspiração em nenhum outro personagem, apenas em sua vivência. “A gente que vem da periferia tem muita referência e vive muito. As pessoas [que crescem nas periferias] têm mesmo que criar uma casca, porque a vida bate nelas. Mas vou justamente na direção contrária [com Nando]. Existe essa casca, mas eu faço questão de mostrar o quanto esse cara é humano, e tem muita coisa para oferecer”. Ainda assim, Nando está soterrado pelas consequências de suas escolhas e deixar o mundo do crime parece algo distante. Para o ator, o personagem chegou ao limite: “Tem uma coisa ali que toca muito ele. Essa coisa de ter um segundo filho pegou muito nele. Ele teve uma filha mulher, mas essa coisa machista, de ter um filho homem, faz com que ele se preocupe com o exemplo que vai dar para ele. Acho que o limite dele já está meio que batendo”.

Sintonia (Netflix/Divulgação)
Sintonia (Netflix/Divulgação)

Saindo do personagem

Com um elenco muito jovem, os bastidores da série contam com muita confraternização. Talvez por memória fraca ou para não revelar detalhes das “resenhas” nas festas, o elenco se esquiva das perguntas sobre esses momentos. O trio lembra a festa que eles realizaram após a gravação da terceira temporada e celebra os momentos em que estão juntos. “Quando a gente está junto é outra vibe, é outro rolê”, diz Jottapê. 

O funkeiro também conta como foi filmar as cenas que se passam na Europa. “Foi rápido, mas deu para dar uma aproveitada, fazer umas comprinha e conhecer. Muito bacana, gostei demais, disse ele, pouco antes de ser respondido pelos colegas, que gravaram apenas em São Paulo. “Nossos personagens não viajam para lugar nenhum”, reclamou Bruna, rindo. “Fomos para um Paraguai que não é Paraguai, é Osasco”, continua a atriz. “Não foi nem Osasco, foi Araçariguama”, corrige Malheiros. Jottapê então brinca dizendo que teve um contrato bem assinado.

A terceira temporada de Sintoniachegou à Netflix nesta quarta-feira (13). Com seis episódios, o novo ano da série mostra as consequências dos voos altos que o trio de protagonistas deu na temporada anterior.

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