Shippados | Mundo da nova série dos criadores de Os Normais é revelado em fotos

Créditos da imagem: Globo/Estevam Avellar

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Shippados | Mundo da nova série dos criadores de Os Normais é revelado em fotos

Seriado da Globoplay será estrelado por Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch

Henrique Haddefinir
12.02.2019
18h38
Atualizada em
13.02.2019
11h58
Atualizada em 13.02.2019 às 11h58

Fernanda Young e Alexandre Machado são velhos conhecidos do público de séries do Brasil. Os dois são responsáveis por sucessos como Minha Nada Mole Vida, Separação, Macho Man e também por alguns títulos controversos como O Dentista Mascarado e o recente Vade Retro, produções que acabaram não sendo bem recebidos por público e crítica. Contudo Os Normais, a grande obra da dupla, não só é um sucesso como também é a produção seriada mais original e interessante da teledramaturgia brasileira: a estrutura, forma, concepção e texto da série permanecem irretocáveis até hoje. Era esperado então que o anúncio de que Shippados, a próxima investida dos autores novamente focada numa relação de casal, tomasse o público de expectativas - mais ainda quando os nomes de Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch foram anunciados como os protagonistas.

Diferente das ideias super eloquentes que atrapalharam o andamento de algumas das produções anteriores da dupla, dessa vez as coisas começam naturalmente com um simples encontro de bar. Rita (Werneck) e Enzo (Sterblitch) são jovens típicos do mundo literário de Fernanda Young: universitários, letrados, artísticos e neuróticos. Ambos estão em desastrosos primeiros-encontros quando acabam se encontrando e percebendo uma série de coisas em comum. O neologismo do título é apenas uma pista  de como essa relação será ilustrada. Na época de Os Normais, a internet ainda era um projeto de crescimento cultural. Agora, casais têm seus próprios títulos - misturados como um anagrama dos nomes das partes envolvidas - e quando o público torce por eles, estão "shippando".

O termo nasceu há muito tempo mas se popularizou na década de 90, por causa do Arquivo XShippar vem de relationship (ou relacionamento, em português) e indica a torcida de alguém por determinada união fictícia. Os fãs da série original Star Trek são apontados como os primeiros a divulgar o termo, mas foi com a torcida por Mulder e Scully que a palavra virou rotina no meio dos espectadores de séries de TV. Torcer por Rita e Enzo é parte do objetivo de Shippados, que vai mesclar esses aspectos modernos das relações humanas, com referências culturais e midiáticas que compõem de modo complexo o universo dos protagonistas.

Aos poucos, o mundo do programa começa a aparecer em detalhes. Nas imagens exclusivas acima, é possível ver um pouco da personalidade de Rita. Eugenia Maakaroun, a produtora de arte da série, apontou bem a natureza da personagem: "Rita é  fruto de um comportamento espontâneo, próprio dela. Quisemos criar esse contraponto. O visual vintage versus o neologismo. Isso foi fundamental pra construção da personagem pois o universo da casa, caótico e old fashion, a aversão a mãe,  a faz mergulhar em um mundo cheio de referências exteriores sedutoras e mágicas que é seu quarto, o canto onde ela faz seus vlogs e conta suas histórias". 

A cenógrafa Fumi Hashimoto completou: "Rita é uma pessoa inconformada com a sua realidade, oprimida pela sua mãe e pelo mundo e encontra no seu blog uma maneira de externar essa condição. Como os jovens da sua geração tem a internet como local de relacionamento com o mundo exterior. Encontramos juntos com direção, fotografia, figurino, caracterização, produção de arte e cenografia um caminho que nos remete aos jovens da geração dos anos 70, com uma roupagem atual. E também por uma paleta e fotografia mais quente e um visual que provocasse um estranhamento e um Rio de Janeiro mais urbano."

A partir das imagens, é possível perceber que Rita será uma protagonista trabalhada dentro da ideia de contrastes: a literatura de Young é tomada de figuras femininas - quase todas as suas protagonistas são mulheres - que oscilam entre a sensibilidade artística na própria visão de mundo e também um extremo cinismo perante as relações sociais. Maakaroun também fez revelações interessantes sobre os outros personagens que vão compor esse universo: "Rita tem mania de chupar balas e estourar plástico bolha, é ansiosa e bagunceira. Enzo tem mania de organização e limpeza. Não sai de casa sem seu álcool em gel, seu própolis e seu soro para nariz. Brita (Clarice Falcão) conversa com as plantas. Valdir (Luis Lobianco) é aficionado por cinema, quer ser alguém importante nesse meio. Hélio (Rafael Queiroga)  e Suzette (Júlia Rabello) são pessoas comuns, querem muito ser felizes e encontrar alguém."

O quarto de Rita é cheio de objetos vintage e quadros que ilustram a juventude contemporânea, com suas hashtags e ao mesmo tempo, quadros de Frida Kahlo. As portas de seu guarda-roupa são lousas onde ela escreve frases motivacionais e faz desenhos. "Queria criar um contraponto dela com a mãe, que não sai de casa, alienada e viciada em canais de compras", continuou Maakaroun. "Ela busca essa liberdade e a sua identidade o tempo todo. O quarto dela é um refúgio pra ela, aonde ela pode ser quem ela realmente é e se expressar". Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro aparece na série também através de um olhar muito especial. Hashimoto explicou bem como veremos a cidade pela lentes conceituais da trama: "Montamos suas casas em contraponto aos seus ambientes de trabalho que representam o mundo frio e esmagador. Ao mesmo tempo, o ambiente de encontro deles é o mundo do convívio da diversidade dos bares do centro da cidade, do metrô. Quisemos mostrar um lado do Rio de Janeiro que não é dos cartões-postais mas que tem uma beleza cinematográfica."

Shippados é uma série original da Globo produzida exclusivamente para o Globoplay e está sendo gravada nos estúdios Globo e em externas, sob a direção artística de Patricia Pedrosa. A estreia ainda não foi anunciada, mas até lá podemos ficar com as palavras de Hashimoto sobre a produção: “Vemos nos móveis, na arquitetura, nos objetos, na fotografia a história que faz parte das nossas vidas, brasileiros e cariocas. Acreditamos que é nossa contribuição para promover também a empatia com a estória desses nossos queridos e desajeitados anti-heróis”. Resta torcer para que vivamos um pouco mais da mágica dramatúrgica que os autores captam tão bem quando constroem relações improváveis de amor. Estamos torcendo por Shippados... Estamos shippando.