Sequestro continua a mesma: tensa, ridícula e compulsivamente assistível
Thriller do Apple TV com Idris Elba retorna com reviravolta genuinamente inesperada
Créditos da imagem: Idris Elba em Sequestro (Reprodução)
Idris Elba contra terroristas num avião. Essa era a chamada de Sequestro no Ar, suspense de ação que a Apple TV lançou em 2023, ao tom de um inesperado sucesso de crítica e audiência. A renovação veio, apesar da trama ostentosamente autocontida do primeiro ano, e Sequestro no Ar precisou virar apenas Sequestro, para acomodar o fato que o protagonista Sam (Elba) estaria em terra firme nos novos episódios, desta vez envolvido no ataque a um vagão de metrô em Berlim (Alemanha).
Na superfície, a mudança parece ser no máximo cosmética, e sugere a transformação de Sam em um herói de ação desafortunado à la Jack Bauer (24 Horas) ou John McClane (Duro de Matal), sempre no lugar errado e na hora errada. Mas não é bem isso que Sequestro revela em seu primeiro episódio, lançado hoje (14) na plataforma da maçã.
Desde o começo de “Signal”, o espectador sente que há algo que a série não está nos contando. O novo showrunner de Sequestro, o estreante Guy Bolton, constrói o capítulo para colocar Sam em situações de ansiedade, mas se esquiva de qualquer oportunidade para nos explicar essa ansiedade mais à fundo. Uma conhecida de anos atrás enche o saco do protagonista por um emprego, um rapaz de mochila volumosa parece se mover de forma suspeita pelo trem, o motorista exige uma parada mais longa para ir ao banheiro… enfim, tudo acontece ao redor de Sam para fazer de sua viagem um incômodo.
O mais bacana é que o texto nunca deixa essas inconveniências ultrapassarem inteiramente o limite do plausível. Qualquer um de nós que pega ou já pegou metrô para ir e voltar do trabalho vai reconhecer as irritações situacionais armadas por Bolton, e talvez até comiserar com o personagem de Elba, que é ótimo em comunicar essa frustração. Mas também há a sensação distinta de que algo a mais está rolando - e é claro que está.
Para sublinhar essa sensação entra em cena o diretor Jim Field Smith, que já havia assinado cinco episódios da temporada anterior. Aqui, ele ajuda Sequestro a estabelecer seu layout geográfico (enfiando a câmera em todos os cantos que consegue achar nos vagões lotados percorridos pelo protagonista), mas também a sugerir um desajuste entre ações e motivações que só vai fazer sentido lá no fim do capítulo, quando a série finalmente mostra a sua mão. O resultado é um dos blefes mais bem executados da memória recente.
Sequestro retorna ao Apple TV mostrando, acima de tudo, que entendeu onde estavam suas verdadeiras virtudes. Ao invés de reeditar a premissa em um novo cenário, ela transporta para essa inesperada segunda temporada a tensão estética, o amor desavergonhado pelos thrillers-B de outros tempos e o senso de ridículo que a tornaram impossível de desligar lá em 2023, e continuam fazendo o mesmo agora.
*Sequestro já está disponível para streaming no Apple TV. Os próximos episódios serão lançados semanalmente, sempre às quartas-feiras.
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