Séries e TV
Entrevista
Rio2C | Adam Chase, produtor de Friends, vem investigar humor além de fronteiras
Produtor e roteirista participa do evento no Rio de Janeiro para discutir os desafios da comédia em um mundo globalizado
4 min de leitura
Créditos da imagem: IMDB/Warner
Adam Chase, um dos roteiristas e produtores que ajudaram a transformar Friends em um fenômeno mundial, desembarca no Brasil na próxima semana para participar do Rio2C 2026. E, para alguém que passou décadas escrevendo histórias sobre relações humanas, humor e cultura pop, a viagem ao Rio de Janeiro tem um significado que vai além do turismo.
Em entrevista exclusiva ao Omelete, Chase contou que vê a visita como uma oportunidade pessoal e profissional de entender melhor como outras culturas enxergam entretenimento, humor e narrativa.
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“Aprender como outra cultura aborda exatamente a mesma coisa que eu faço é fascinante para mim”, afirmou. “Quero ganhar uma percepção melhor de um mercado mundial extremamente importante, especialmente agora que os shows e séries estão cada vez mais globais.”
Apesar da longa carreira em Hollywood, Chase admite que conhece pouco do Brasil e encara justamente isso como parte da experiência. “Como ser humano, sou fascinado por uma cultura que não conheço e que nunca visitei. Então, tanto pessoal quanto profissionalmente, estou muito animado.”
O fenômeno eterno de Friends
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Embora Chase tenha trabalhado em diversos projetos ao longo da carreira, é impossível separar seu nome do impacto cultural de Friends. E, segundo ele, ninguém da equipe imaginava que a série teria uma vida tão longa — muito menos em escala global.
Divulgação/Warner
“Não fazíamos ideia. Ficamos chocados. E continuamos chocados até hoje”, revelou.
O produtor relembra que, quando a série ganhou força novamente no streaming, a equipe acreditou que seria apenas um “último impulso nostálgico”. Mas o crescimento continuou. “Achamos que talvez ela sobrevivesse mais dois ou três anos. E então continuou crescendo. Hoje tenho filhas de 10 e 12 anos e há crianças da idade delas usando camisetas de Friends. Eu sinceramente não entendo completamente isso, mas adoro”, disse.
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Segundo Chase, parte do segredo está na quantidade de episódios produzidos na era da TV tradicional. Para ele, séries longas criam uma relação emocional diferente com o público.
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“Quando você faz uma série com centenas de episódios, as pessoas podem revisitá-la muitas vezes. Sempre existe uma piada, um momento ou uma história que elas esqueceram. Isso ajuda a transformar a série em algo que acompanha gerações.”
O fim das antigas salas de roteiristas
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Durante sua participação no Rio2C, Adam Chase também pretende discutir as mudanças profundas que o streaming trouxe para Hollywood — especialmente no funcionamento das famosas writer’s rooms.
Para o produtor, a indústria perdeu algo importante com o fim das temporadas longas e da estabilidade das antigas salas de roteiristas: “Perdemos muito”, afirmou. “As séries tinham mais tempo para crescer, gerar valor e criar uma conexão duradoura com o público.”
Ele explica que séries modernas, com temporadas curtas de seis ou oito episódios, criam outro tipo de relação com a audiência.“Você assiste a uma temporada inteira e lembra de tudo o que aconteceu. Já em séries como Friends, Seinfeld, Modern Family ou Os Simpsons, existem tantos episódios que você sempre encontra algo novo quando reassiste.”
Ainda assim, Chase reconhece que a nova era também abriu possibilidades criativas. “O lado positivo é que agora você pode criar pensando em um público global desde o início. Isso permite experimentar mais e ultrapassar certos limites criativos.”
Atualmente, o produtor trabalha em um piloto para a Amazon e afirma que, pela primeira vez, já pensa no projeto desde o início como algo feito para espectadores do mundo inteiro.
Humor, cultura e o desafio de fazer o mundo rir
Outro tema que Adam Chase levará ao Rio2C é justamente a dificuldade de fazer humor atravessar fronteiras culturais.
“Comédia é muito mais difícil de viajar do que drama”, explicou. “Todo mundo entende um assassinato que precisa ser solucionado. Mas piadas nem sempre funcionam da mesma maneira em culturas diferentes.”
Para exemplificar, o produtor citou a relação entre Ross e Rachel em Friends. Segundo ele, muitos dos conflitos românticos da série eram baseados em comportamentos e expectativas emocionais bastante norte-americanos.
“Em algumas culturas, as pessoas podem enxergar relacionamentos e processos de cura emocional de outra maneira. Isso muda completamente como você escreve os conflitos.”
Por isso, Chase diz que passou a viajar mais e buscar contato com públicos diferentes para entender como pessoas ao redor do mundo lidam com temas universais.
“Quero entender como outras culturas enfrentam os problemas cotidianos. O que separa duas pessoas em um relacionamento pode variar muito dependendo do lugar do mundo.”
A participação de Adam Chase no Rio2C acontece em um momento em que Hollywood tenta se reinventar diante das transformações trazidas pelo streaming, pela inteligência artificial e pela globalização do entretenimento. E, pelo menos para o veterano roteirista, o Brasil surge como uma peça importante dessa conversa.
“É um mercado enorme e extremamente relevante. Estou muito curioso para aprender.”
O painel Friends & Porta dos Fundos: Amizade e Riso Como Linguagem Universal acontece no dia 28 de maio, às 17h30, no GlobalStage. Os interessados podem adquirir ingresso no site do evento.
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