Reacher retorna para a 4ª temporada com o mistério de sempre — e isso já basta
Alan Ritchson volta a vestir o coturno e a calça cargo do personagem criado por Lee Child
Desde sua estreia em 2022, Reacher é uma das produções mais seguras do catálogo do Prime Video. A adaptação dos livros de Lee Child caiu no gosto popular graças ao seu herói "brucutu" e às histórias de investigação — geralmente envolvendo crimes e agências do governo americano — que resgatam o clima dos filmes e séries dos anos 1980 e 1990. Assim como a literatura de Child, a série do streaming da Amazon abraça a proposta de um entretenimento rápido, cumprindo com louvor o papel de entregar "a aventura de Reacher da temporada". O quarto ano começa exatamente dessa maneira, lembrando ao espectador que este é apenas mais um dia na vida do ex-militar.
Após sair de um bar e comprar um sanduíche, Reacher (Alan Ritchson) está tranquilo no metrô quando nota uma mulher desesperada com as mãos dentro da bolsa. Ele suspeita que ela carrega uma bomba, mas a mulher acaba tirando a própria vida no momento em que ele afirma ser um policial disposto a ajudá-la. A partir daí, o protagonista descobre ter se envolvido em uma trama muito maior, que inclui um congressista, uma antiga operação militar dos anos 1990 na Indonésia, a CIA e até uma possível questão de paternidade.
Assistimos aos três primeiros episódios, e o novo ano entrega exatamente o que os fãs esperam: Reacher transitando de um lado para o outro, batendo nos vilões, coletando novas pistas a cada capítulo e montando o quebra-cabeça no qual se meteu. Claro que ele ganha o auxílio de novos coadjuvantes, com destaque para Christopher Rodriguez-Marquette (Barry, Um Show de Vizinha), que interpreta Jacob, irmão da vítima do metrô. A estrutura lembra a de uma série procedural, cumprindo os requisitos habituais do gênero; a diferença é que, em vez do clássico "caso da semana", temos essa investigação dividida ao longo de oito episódios anuais.
Depois de explorar tramas mais pessoais do protagonista — como as mortes de seu irmão e de integrantes de sua antiga equipe —, Reacher parte agora para um cenário mais urbano. A ação se desloca para grandes metrópoles como Washington, D.C. e Filadélfia, colocando o herói em ambientes que vão de bibliotecas públicas e hotéis de luxo até o Capitólio, sede do Congresso americano, onde ele decide ir atrás de seu principal suspeito.
Mais leve e descomplicada do que a segunda e terceira temporada pareciam propor, este quarto ano começa com ritmo acelerado, boas cenas de ação e um Jack Reacher visivelmente mais carismático do que os episódios lançado em 2025. Há um momento hilário em que o ex-militar tenta entender o que é o OnlyFans — cena em que Ritchson brilha no timing cômico, lembrando imediatamente o T-800 aprendendo sobre o comportamento humano com John Connor em O Exterminador do Futuro 2.
Envolvente em seu início, a 4ª temporada de Reacher tem tudo para manter o histórico de sucesso da franquia. Promete algo revolucionário? Até o momento, não. No entanto, nada de braçada em seu próprio universo, dominando com precisão aquilo que sabe fazer de melhor. Resta saber se a trama terá fôlego para sustentar esse nível até o oitavo e último episódio.
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