Rose Byrne em Physical

Créditos da imagem: Physical/Apple TV+/Reprodução

Séries e TV

Entrevista

Physical quer mudar a forma como distúrbios alimentares são retratados na TV

Criadora revela como experiência pessoal se conecta com a jornada de Sheila na série

Omelete
3 min de leitura
Mariana Canhisares
10.06.2022, às 06H00

A produtora e roteirista Annie Weisman conhece muito bem os dramas da sua protagonista Sheila Rubin (Rose Byne) em Physical, e não é porque ela é a criadora da série. Como a aspirante a instrutora de aeróbica, por muitos anos ela lidou, em segredo, com a bulimia. Como ela mesma escreveu em um artigo bastante franco, a produção da Apple TV+ foi de muitas formas “terapêutica” por permitir que ela escrevesse “não só sobre o comportamento do qual me envergonhava, como também sobre os sentimentos feios que eu estava evitando”. Portanto, não é à toa que sua experiência se entrelace tanto com as idas e vindas de Sheila. “Está no cerne da série, e é algo que continuo a me basear conforme vemos ela encontrando conexões e se curando dos seus problemas”, explicou em entrevista ao Omelete.

A segunda temporada de Physical, que começou a ser exibida na última sexta-feira (3), mostra a heroína dando os primeiros passos em direção à recuperação. Isso porque seus dilemas, antes tão restritos à sua voz da consciência, se revelam aos poucos. “Ela está começando a se posicionar e sua voz interna está saindo. Conforme ela ascende, fica mais e mais difícil para ela manter seus sentimentos quietos. Essa é uma das suas grandes mudanças na temporada”.

Contudo, pela experiência de Weisman, lidar com a bulimia não é tão simples quanto ter hábitos mais saudáveis com relação à comida. “Um dos nossos objetivos nessa temporada é demonstrar autenticamente como distúrbios alimentares são mal compreendidos como sendo apenas um comportamento alimentar, e não sobre questões profundas. Um dos jeitos que ilustramos isso na série é mostrando como ela vai de um vício para o outro”.

Há de se considerar também que Sheila está passando por esse processo durante os anos 1980, uma época em que ir para a terapia era algo tabu. “Tinha tanto estigma ao redor da terapia, tanto estigma em simplesmente nomear transtornos mentais, principalmente com mulheres. Então realmente demora bastante para que ela tenha a força para tomar a frente, revelar suas dificuldades e pedir ajuda. E, sabe, era uma área de estudo relativamente nova. Quando ela pede ajuda, vemos como era radical e fora do mainstream”.
 

FORA PADRÃO

Não é novidade para ninguém que Hollywood tende a exigir um físico padrão para suas estrelas, sobretudo das mulheres. A atriz Dierdre Friel, a Greta de Physical, sabe bem como é lidar com essas pressões. “Como uma mulher plus size nesta indústria, pode ser bastante desafiador. A minha aparência pode ser a razão para eu estar lá, e não de um jeito positivo. É desgastante depois de um tempo, você pode internalizar”.

Por isso, ela valoriza tanto os esforços de Physical. “Sou muito grata pelo jeito bastante honesto com que estamos falando sobre distúrbios alimentares, algo que nunca vi antes. E estamos celebrando pessoas que são diferentes de tantas formas por serem quem são. Amo isso na nossa série”.

Dierdre Friel em Physical
Physical/Apple TV+/Reprodução

Novos episódios de Physical chegam ao Apple TV+ todas as sextas-feiras. A primeira temporada completa já está disponível na plataforma.

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