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Perdidos no Espaço | Netflix investe em efeitos práticos para criar nova versão da série clássica

Visitamos o set da produção no Canadá

Aline Diniz
13.04.2018
19h48
Atualizada em
14.04.2018
20h06
Atualizada em 14.04.2018 às 20h06

É seguro dizer que os sets de gravação mudaram muito ao longo dos anos. Enquanto tudo costumava ser extremamente manual nos primórdios, os avanços tecnológicos permitiram a criação de mundos extraordinários através de plataformas digitais, trazendo um mundo verde e azul de imaginação aos estúdios. Porém, mesmo com o acelerado progresso dos softwares de computação gráfica, o bom e velho set prático segue sendo imbatível - e visitar os bastidores de uma produção que abusa dos elementos construídos é muito mais impressionante do que passear por um gigantesco galpão cercado de cortinas verdes.

Perdidos no Espaço (Lost in Space), a nova versão da série homônima dos anos 1960, traz a perfeita mistura de ambas as tecnologias. A convite da Netflix, o Omelete visitou os estúdios em que a série foi gravada, em Vancouver, no Canadá, e passeou por dentro da sala principal da nave Júpiter 2, da cabine de controle, conheceu a garagem, o veículo exploratório, a nave de resgate e muitos outros ambientes da série futurista - além de um gigantesco espaço arredondado repleto de panos verdes que serviu de fundo durante as expedições da família Robinson.

Como Perdidos no Espaço é majoritariamente ambientada no espaço, a expectativa era realmente encontrar muita tela verde e pouco espaço construído ao chegar nos grandes galpões que foram casa da produção ao longo dos seis meses de produção da primeira temporada. No entanto, os sets práticos não só eram imensos como também eram praticamente todos interligados. Na maioria das vezes, os sets são construídos separadamente para que as câmeras tenham acesso mais fácil aos atores, mas aqui o veículo de exploração terrestre andava e realmente entrava e cabia na garagem; a sala principal da Júpiter realmente dava acesso à ponte de comando e portas que não deviam levar a lugar algum realmente davam acesso a um corredor externo.

Devido a visita ter acontecido praticamente um ano antes da série estrear (fui a Vancouver em maio de 2017), muito pouco foi revelado sobre os detalhes da trama, mas tive a oportunidade de ver de perto todos os uniformes e roupas táticas da família, que têm uma lógica extremamente detalhada e bem pensada por trás de cada um de seus utensílio. Cada vestimenta tem seu motivo e intenção, além de servir ao propósito maior de unificar os Robinson e classificar grupos de personagens para que haja familiaridade do espectador com a narrativa.

No entanto, um dos segredos que ficou guardado a sete chaves durante toda a visita - apesar de ser um dos assunto mais importantes, que permeava o maior número de perguntas vindas dos jornalistas ali presentes -, era o robô. Pouco foi dito sobre a criatura e apenas artes conceituais nos foram mostradas, mas o designer de produção Burk Sharpless preparou uma apresentação completíssima sobre todo o desenvolvimento dos visuais da série e deixou claro que a ideia do robô era que ele fosse um ser diferente, que misturasse mecânico e orgânico, mas o mistério foi mantido para que a essência do personagem não se perdesse e qualquer informação adicional teria de ser descoberta assistindo ao programa.

Tratando-se de um reboot, todo o elenco de Perdidos no Espaço também prestou uma certa atenção ao material original, mas a intenção foi usar a série somente como apoio, criando novos personagens e trazendo novas experiências ao universo. Apesar de manter a estrutura familiar, a produção escolheu por transformar Dr. Smith, um homem originalmente, numa mulher. Parker Posey foi a escolhida para interpretar o papel e se disse satisfeita com a mudança, principalmente pelo fato dela ser fã dos episódios originais e ter a possibilidade de explorar novas ideias, trazendo elementos diferentes para a personagem.

Na maioria das visitas a sets que fazemos, sempre há um momento em que levam os jornalistas para assistir à gravação de uma cena - o que não aconteceu aqui. No entanto, ver esses ambientes tão espaçosos e ouvir elenco e equipe falando com tanto carinho e apreço pela produção já se fez suficiente para entender que não é qualquer coisa que vem por aí. A primeira temporada de Perdidos no Espaço já está disponível na Netflix.